13 março, 2015

Dilma no bunker

Dois anos atrás, um dos analistas mais respeitados e lúcidos do país me disse que Dilma estava entrando num "bunker", palavra utilizada para definir esconderijos de guerra. 

Ele utilizou essa metáfora para falar do isolamento da presidente, que já naquela época se apoiava apenas em um pequeno grupo de pessoas. Pouco tolerante com críticas, ela se cercava de gente que não tinha coragem de contradizê-la. 

Não conversava com os empresários, com a base aliada no Congresso, nem sequer com seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Esse tipo de comportamento é muito perigoso. A presidente foi cometendo um erro atrás do outro e transformou a economia numa imensa confusão, que ameaça seu segundo mandato. 

Com a inflação beirando 8% e a economia em recessão, Dilma é vaiada onde vai e deve enfrentar domingo manifestações que podem fugir ao controle. 

Depois da crise instalada, ela tenta sair do isolamento e atrair novos nomes para o seu governo, mas não consegue. Com a notável exceção de Joaquim Levy, ninguém fora do círculo dos mais próximos quer trabalhar com ela. 

A troca de comando na Petrobras é mais um exemplo disso. Nas últimas semanas, o governo procurou com lupa um nome de mercado para comandar o conselho de administração da estatal em meio a sua maior crise. Vários executivos foram sondados, mas recusaram. 

Vai então recorrer a Murilo Ferreira, que a própria Dilma colocou no comando da Vale. 

Ferreira é experiente, mas a carga de trabalho que vai acumular é desumana. Ele só pode ter aceitado o posto por lealdade à presidente. 

É urgente que Dilma abandone o bunker, mesmo embaixo de vaias. Mas está cada vez mais difícil encontrar braços que a resgatem de lá.



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