17 março, 2015

Documento reforça versão de propina na campanha de Dilma

Petrolão




Um documento entregue a investigadores holandeses fortalece o depoimento do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco de que a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010 recebeu US$ 300 mil da empresa SBM Offshore, acusada de pagar propina para obter contratos no Brasil. 


No dia 7 de setembro de 2010, a menos de um mês do primeiro turno eleitoral, a SBM, com sede na Holanda, assinou um "adendo" de duas páginas ao contrato que mantinha desde 1999 com o brasileiro Júlio Faerman, então representante da firma no país. 

Ele é apontado como distribuidor de propinas em troca de vantagem na Petrobras.
Esse aditivo, entregue pela SBM ao Ministério Público holandês, estipula a parcela única de US$ 311,5 mil a ser paga à Faercom Energia Ltda, empresa de Faerman, que assina como diretor (acesse o documento). 

Segundo os papéis, o valor se refere a "certos serviços adicionais" relacionados ao projeto da plataforma da Petrobras no campo de Cachalote, no litoral sul do Espírito Santo, tocado pela holandesa. 

A SBM informou às autoridades que transferiu o dinheiro no dia 5 de novembro daquele ano para uma conta no banco Safra, na Suíça, em nome da empresa Bien Faire, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal. 

A companhia é uma das seis controladas por Faerman em paraísos fiscais e que foram usadas para operações de repasse de propina a funcionários da Petrobras, segundo investigações internas da SBM e de autoridades holandesas. 

A SBM Offshore diz ter pago US$ 139 milhões a Faerman pelos serviços prestados até o ano de 2012. Ao todo, os contratos da empresa, ligados a oito plataformas da Petrobras, somam US$ 27 bilhões.

O lobista recebia de 3% a 10% de comissão da SBM em cima dos contratos.
A CGU (Controladoria-Geral da União) e o TCU (Tribunal de Contas da União) também abriram apuração e encontraram indícios de irregularidades. 

ESQUEMA
 
Em novembro do ano passado, a SBM fez acordo com a Justiça holandesa para pagar US$ 240 milhões como punição por "casos de propina" em Angola, Brasil e Guiné Equatorial, no que é considerado o maior escândalo de corrupção da história da Holanda. 

Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras, confessou ter recebido recursos do esquema. Disse ter começado a levar vantagens financeiras entre 1997 e 1998, mas que a prática foi "institucionalizada" entre 2003 e 2004. 

Na delação ao Ministério Público, Barusco afirmou que o ex-diretor Renato Duque "solicitou ao representante da SBM, Julio Faerman, a quantia de US$ 300 mil a título de reforço de campanha durante as eleições de 2010". 

Na terça-feira (10), o ex-gerente deu a mesma versão à CPI da Petrobras: "Em 2010, foi solicitado à SBM um patrocínio de campanha, mas não foi dado por eles diretamente. Eu recebi o dinheiro e repassei (...) para o Vaccari." 

Segundo o ex-gerente, o PT recebeu de US$ 150 a US$ 200 milhões em propina destinada à diretoria de Serviços, no período em que estava sob o comando de Renato Duque. 

O Ministério Público Federal já repatriou US$ 59 milhões (R$ 182 milhões) de contas mantidas por Barusco na Suíça, como parte do acordo de delação premiada.
Ao todo, ele se comprometeu a devolver ao país US$ 97 milhões.

FOLHA


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