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13 dezembro, 2014

Marina Silva é eleita uma das "Mulheres de 2014" por jornal britânico


Fábio Braga/Folhapress
  • Marina Silva durante campanha no primeiro turnos das eleições deste ano Marina Silva durante campanha no primeiro turnos das eleições deste ano
A ex-candidata à presidência Marina Silva (PSB) foi incluída na lista "Women of 2014" (Mulheres de 2014) do jornal britânico "Financial Times".


"Da pobreza e do analfabetismo, ela se transformou em uma visionária política idealista que concorreu por duas vezes à liderança do Brasil", diz a reportagem da revista do FT publicada nesta sexta-feira (12).


Marina foi entrevistada em outubro, em São Paulo, uma semana após deixar a corrida presidencial, em seguida aos resultados do primeiro turno da votação. Terceira colocada no pleito, a candidata do PSB teve 21% dos votos válidos, conquistando mais 2 milhões de votos em comparação a 2010, quando também tentou a Presidência da República.


"Eu sempre digo que era analfabeta até os 16, mas eu já era PhD nos caminhos do mundo", disse ela.


O FT continua assim seu texto, cheio de elogios a acriana de 56 anos:

"Franca, convicta e idealista são palavras que vêm à mente quando se conhece Marina. O segredo de seu encanto é que ela convenceu eleitores de que ela é rara entre os políticos, alguém que honestamente acredita no que diz. Isso é particularmente atraente no Brasil, que tem dezenas de partidos políticos, mas a maioria com um ideal: poder."


A reportagem cita a vida de pobreza enfrentada com os pais e dez irmãos no Acre, o trabalho ao lado do ambientalista Chico Mendes, a entrada no PT (Partido dos Trabalhadores) em 1985 e o apoio nas campanhas eleitorais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de ressaltar sua participação no governo Lula como ministra do Ambiente, entre 2004 e 2008, e seu desempenho nas pesquisas eleitorais ao assumir o posto de candidata do PSB após a morte de Eduardo Campos, em agosto de 2014.


"Mesmo tendo alcançado a democracia, estabilizado a economia e implementado uma distribuição de renda mais justa, tudo isso foi acompanhado de uma degradação da nossa política e instituições. Nossos partidos e instituições públicas, hoje, estão severamente comprometidas pela corrupção", disse Marina Silva sobre o desenvolvimento do Brasil desde 1984, com o fim da ditadura.


Marina Silva aparece ao lado de nomes influentes, como Laura Poitras, jornalista que divulgou as informações da Agência de Segurança Nacional americana, NSA; da ativista pelo clima Naomi Klein; de Ana Botín, presidente do Banco Santander; Joanne Liu, líder da ONG Médicos Sem Fronteiras e ativista contra o ebola; e Arundhati Bhattacharya, a primeira mulher a comandar o State Bank of India.


Esta sim é a mulher que as mulheres se orgulham de ser representada por ela! (Grifo meu)

10 novembro, 2014

Amazônia morre e jornais não veem

 
 
A imprensa parece ter acordado para a maior tragédia ambiental em curso nesta região do planeta, a destruição acelerada da Amazônia. Mas talvez agora já seja tarde demais: há fortes sinais de falência do sistema amazônico, que inclui a floresta e sua influência sobre o clima continental. 

O rompimento desse complexo climático tem relação direta com a falta de chuvas no Sudeste e as cheias em Rondônia; o aumento do calor em São Paulo e redução do rio São Francisco; a desertificação do norte argentino e a violência de ventos e chuvas no Atlântico, colocando em risco as linhas aéreas entre Brasil e Europa. 

O que atrai a imprensa para a questão, além do estelionato eleitoral cometido pelo Inpe (omitindo estatísticas para beneficiar o governo), é o prejuízo econômico causado pela seca. A maior parte da riqueza do Brasil, gerada no Sudeste, depende das águas levadas da Amazônia pelos ventos durante seis meses do ano (esta época que vivemos agora, primavera e verão); se a água não chega, o país inteiro se empobrece. 

O PIB da Amazônia é negativo: a região recebe mais recursos da União do que gera com a destruição de recursos naturais para gerar produtos de baixo valor agregado como madeira, gado e soja. Mesmo a Zona Franca de Manaus é insustentável sem incentivos fiscais. O dinheiro que Brasília despeja no Norte é arrecadado no Sul e Sudeste do Brasil. Com uma crise climática sem precedentes, esta região perde a capacidade de gerar os impostos que sustentam aquela. É necessário usar os fundos públicos para alterar rapidamente o atual padrão de desenvolvimento da Amazônia. 

Os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e a Califórnia é seu Estado mais rico (seu PIB é semelhante ao do Brasil). Grande parte da água que consome vem do degelo das montanhas de Estados vizinhos. A Califórnia paga para captar e eles preservam o ambiente, com atividades econômicas não destrutivas. Assim, o Colorado tira do turismo 80% do PIB estadual (a agropecuária corresponde a 1%). 

Mas, no Brasil, o governo federal usa impostos que arrecada no Sudeste para incentivar a destruição da floresta. É um suicídio consistente, há vários anos em processo galopante. 

Já não é de hoje: no dia 11 de agosto de 2011, Manaus teve umidade relativa do ar de 18%, a menor em cem anos, índice semelhante ao de regiões do Saara. A grande floresta úmida ter ar seco como no maior deserto deveria chamar atenção de todo mundo. Mas a imprensa brasileira não viu. Ao final daquele ano, escrevi um artigo para Folha com o título que repito acima. 

A imprensa tem dificuldades de lidar com temas complexos como o clima amazônico, prefere polaridades: preto no branco, esquerda e direita. No primeiro turno, quando o Inpe divulgou relatório que escondia há meses, os jornais não perceberam a gravidade dos dados. A Folha nem publicou o resultado. O silêncio permitiu à presidente Dilma vangloriar-se na ONU, dizer que houve só um "aumentinho" no desmatamento. 

A agressividade do segundo turno tampouco ajudou: a questão ambiental ficou esmagada por dois candidatos desenvolvimentistas. 

Como escreveu o filósofo alemão Gunther Anders, já em 1957, o fascínio pelo progresso nos faz cegos para o apocalipse. No caso do Brasil, essa cegueira vai nos matar de sede.

FOLHA>UOL
 

14 outubro, 2014

Nadadores da Praia do Náutico, em Fortaleza, denunciam agressão ao meio ambiente.

Caros nadadores e moradores da Avenida Beiramar

Hoje temos importante reunião agendada com o Sr. Salmito, Secretário de Turismo, onde iremos acompanhados pelo Deputado Heitor Férrer que em defesa da nossa causa argumentará contra a efetivação do ancoradouro construído à revelia da população.

Cuidar do meio ambiente é uma obrigação e também um desafio para todos. Esta é uma preocupação que a cada dia ganha novos contornos e que exige providências sérias e rápidas.

A área escolhida para a construção do tal atracadouro não poderia ser mais inapropriada, posto que, em sendo a área mais
preferida pelos banhistas, é também, a mais qualificada  para a prática de esporte náuticos tais como: natação, stand up, mergulho, pesca, além de afugentar os golfinhos que já se tornaram uma das maiores atrações turísticas da nossa orla.

A construção do referido ancoradouro, além de ferir de morte um point adotado há décadas pelo grupo de nadadores Meninos e Meninas do Mar - MMM, peca também, pela violenta agressão à natureza. 

Estamos vindo a público para denunciar que este ato agressivo está vindo de quem deveria proteger este patrimônio natural ou seja, o Poder Público, no caso a Prefeitura de Fortaleza, ao tempo em que pedimos a intervenção  dos órgãos e políticos ligados ao meio ambiente, inclusive do Governador Estado do Ceará para barrar esta medida arbitrária.

Vejamos o que reza os artigos abaixo que regulam da a Lei de Crimes Ambientais: 

“Poluição e outros crimes ambientais (art. 54 a 61): Todas as atividades humanas produzem poluentes (lixo, resíduos, e afins), no entanto, apenas será considerado crime ambiental passível de penalização a poluição acima dos limites estabelecidos por lei. Além desta, também é criminosa a poluição que provoque ou possa provocar danos à saúde humana, mortandade de animais e destruição significativa da flora. Assim como, aquela que torne locais impróprios para uso ou ocupação humana, a poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público e a não adoção de medidas preventivas em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível.

São considerados crimes ambientais a pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem autorização ou em desacordo com a obtida e a não-recuperação da área explorada; a produção, processamento, embalagem, importação, exportação, comercialização, fornecimento, transporte, armazenamento, guarda, abandono ou uso de substâncias tóxicas, perigosas ou nocivas a saúde humana ou em desacordo com as leis; a operação de empreendimentos de potencial poluidor sem licença ambiental ou em desacordo com esta; também se encaixam nesta categoria de crime ambiental a disseminação de doenças, pragas ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora e aos ecossistemas.

Contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural (art. 62 a 65): Ambiente é um conceito amplo, que não se limita aos elementos naturais (solo, ar, água, flora, fauna). Na verdade, o meio ambiente é a interação destes, com elementos artificiais -- aqueles formados pelo espaço urbano construído e alterado pelo homem -- e culturais que, juntos, propiciam um desenvolvimento equilibrado da vida. Desta forma, a violação da ordem urbana e/ou da cultura também configura um crime ambiental.”
 


Meninos e meninas do Mar - MMM

Matéria de Leopoldina Corrêa
leopoldinaconta@gmail.com