19 março, 2015

Suspeita contra Dirceu cresceu, diz procurador

Petrolão
A lista de empreiteiras que fizeram pagamentos à empresa de consultoria do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) e o depoimento do vice-presidente da empreiteira Engevix Gerson Almada sobre a relação da construtora com o petista reforçaram a suspeita de que Dirceu tenha envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras, avalia o procurador da República Carlos Fernando Lima, coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato. 

A relação de companhias que pagaram à JD Consultoria, empresa de Dirceu e do irmão dele, foi elaborada pela Receita Federal e tornada pública pelo juiz federal Sergio Moro nesta terça (17). 

Segundo Lima, é suspeito o fato de Dirceu prestar assessoria a sete empreiteiras sob investigação na Lava Jato no período entre 2006 e 2013. 

"Causa estranheza uma empresa prestar consultoria para companhias de um mesmo setor da economia em um mesmo período de tempo. Se ocorreu, poderíamos dizer que a empresa JD Consultoria foi uma representante infiel", disse o procurador da República. 

A relação também traz dois pagamentos à JD feito pela empresa de consultoria Jamp, de propriedade de Milton Pascowitch, que foi apontado como um dos operadores de propina do esquema de corrupção pelo ex-diretor de engenharia da Petrobras Pedro Barusco.
"Esse é um vínculo bastante difícil de ser explicado", comentou Lima sobre a ligação entre as empresas de Dirceu e Pascowitch. 

O procurador da República também acompanhou na terça o depoimento do vice-presidente da Engevix Gerson Almada à Justiça Federal e considerou que o testemunho "trouxe uma série de inconsistências" sobre a ligação da construtora com Dirceu.
Almada afirmou ao juiz federal Sergio Moro que contratou Dirceu para representar a Engevix no exterior após o petista colocar-se "à disposição". 

Uma das contradições apontadas pelo procurador foi o fato de Almada ter dito que a Engevix assinou contrato com a JD Assessoria por aproximadamente um ano mas a relação da Receita Federal apontar pagamentos da empreiteira a Dirceu em quatro anos consecutivos (2008, 2009, 2010 e 2011). Os depósitos somam R$1,1 milhão, segundo o relatório da Receita. 

No testemunho, Almada detalhou três reuniões com Dirceu, sempre intermediadas por Pascowitch, amigo do ex-ministro. Segundo o executivo, eles fecharam contrato para que o petista representasse a Engevix no Peru e em Cuba. Almada elogia os contatos de Dirceu: "Fala com todo o mundo, bota você nas melhores coisas". 

"Após a saída do ministro José Dirceu [do governo, em 2005], nós tivemos uma primeira reunião, em que ele colocou-se à disposição para fazer um trabalho junto à empresa no exterior", relatou Almada. "Basicamente voltado a vendas da Engevix em toda a América Latina, Cuba e África, que é onde ele tinha um capital humano de relacionamento muito forte" 

O empresário disse que Dirceu nunca fez pedidos de doações eleitorais a ele. Sobre as doações da Engevix a Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro, o executivo afirmou que o pedido foi feito por Milton Pascowitch. 

OUTRO LADO
 
Em nota, a assessoria de Dirceu aponta que Almada confirmou em seu depoimento que nunca conversou sobre Petrobras com o ex-ministro José Dirceu nem nunca negociou doação política com o petista. Segundo a nota, Almada afirmou ainda que o contrato com a JD tinha o objetivo de prospectar negócios no Peru e em Cuba. O depoimento, portanto, corrobora as declarações da JD ao contrário do que afirma o procurador, afirma a assessoria. 

"A empresa de consultoria do ex-ministro José Dirceu reafirma que todos os serviços prestados para as construtoras não têm qualquer relação com os contratos sob investigação na Petrobras. As construtoras investigadas representam apenas 10% do total de clientes da consultoria. A JD também prestou serviço para empresas de construção civil que não têm relação com a Petrobras. A JD reitera que sempre assessorou seus clientes na prospecção de negócios no exterior, conforme alguns clientes já confirmaram após consulta da imprensa. Em nove anos, a JD atendeu cerca 60 clientes de quase 20 setores da economia", de acordo com a nota. 

A assessoria afirma ainda que "o contrato com a Jamp é legal e foi assinado em março de 2011 depois que o executivo Milton Pascowitch, que trabalhou por 17 anos na Engevix, deixou a companhia e passou a trabalhar como consultor para a construtora. O contrato da JD com a Jamp teve o mesmo propósito: prospectar negócios para a Engevix no exterior".


FOLHA


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