04 março, 2015

A coragem de Dilma

Quem acompanha a corte palaciana sabe da dificuldade de Dilma Rousseff em assumir erros. 


Ainda mais para alguém que deixou um Arno Augustin dar tantas pedaladas fiscais, que resistiu (e ainda resiste) em ouvir conselhos até de Lula, que insistiu em manter no cargo um ministro da Fazenda fraco e desacreditado, que tanto se fechou ao convívio com empresários e políticos, que foi gastando e criando despesas quando as finanças do mundo e do país já andavam de lado, que perdia horas discutindo artigos e alíneas de projetos de lei antes de enviá-los ao Congresso, que foi ministra, secretária-executiva e economista-chefe do seu próprio governo. 


Não é, portanto, irrelevante o cavalo de pau dado (por necessidade, vale dizer) na política econômica. 


Dilma não estava blefando quando sinalizou que seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tinha carta branca para ser ele, e não ela, o chefe da equipe econômica. 


Tanto é assim que o reforço do ajuste fiscal, anunciado na última sexta-feira (27), surpreendeu pela dureza. 


Dilma comprou o "detox" de Levy nas contas públicas apesar da sua crença nos gastos sociais como valor máximo, no Estado como indutor da economia e no nacionalismo trabalhista de Leonel Brizola. 


Apunhalou as desonerações da folha de pagamento; foi convencida por Levy a contingenciar o PAC, marca que a lançou como candidata à sucessão de Lula sob a alcunha de "mãe" do programa; estrangulou o Fies para adequá-lo à contenção de despesas (e fará o mesmo com o Pronatec); suspendeu o crédito para comprar de geladeira e fogão a beneficiários do Minha Casa Minha Vida e parou, por ora, as concessões públicas.

Em nome da retomada da credibilidade, foi levada a rever as bandeiras de seu primeiro mandato. Ou, em outras palavras, Dilma passou uma borracha nela própria. Não dá para dizer que isso não é um ato de coragem.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

O blog Olhar de Coruja apoia AMIR SANTOS - No 5 - candidato a DIRETOR DE PLANEJAMENTO NA PREVI