13 março, 2015

Dilma deveria ouvir os recados das ruas

Dilma na Bahia, em 2014 - Foto Ichiro Guerra/Divulgação
A presidente Dilma Rousseff na Bahia, em 2014 – Foto Ichiro Guerra/Divulgação

O nascente governo Dilma Reloaded e sobretudo a imensa maioria dos brasileiros teriam muito a ganhar se a presidente, mais do que se preocupar com a repercussão imediata dos protestos destes dias, tentasse entender os recados da ruas.

Começaram de manhãzinha nesta sexta-feira 13 e vão até à noite atos promovidos em todo o país pela CUT, MST e outras organizações de trabalhadores e movimentos sociais.

O eixo do documento que convocou a mobilização expressa crítica contundente à política econômica do segundo mandato. Embora os manifestantes defendam a soberania das urnas, que consagraram a petista em outubro, eles não estão batendo palmas para a presidente. Muito pelo contrário, opõem-se ao arrocho que sacrifica os assalariados e constitui o cerne da nova orientação governamental.

Quem são as pessoas que hoje desfraldam suas bandeiras? Na maioria esmagadora, eleitores de Dilma, decisivos para o triunfo da ex-guerrilheira.

É a base política de Dilma que a condena por ter proclamado na campanha que faria uma coisa para, fatura eleitoral consumada, fazer outra diferente. É por isso que não há ministros nos atos, nem o ex-presidente Lula.

Os aliados da presidente alertam: não é direito de governantes impor o que, quando candidatos, haviam dito que não imporiam.

Nem punir os mais pobres com medidas historicamente associadas a concorrentes de Dilma em 2014.

No domingo, depois de amanhã, o papo é outro. Quase todos os manifestantes que sairão às praças votaram contra Dilma no ano passado e parcela expressiva deles pedirá o impeachment da presidente constitucional.

Foi para esses cidadãos que a nova política econômica piscou, adotando medidas de arrocho, vulgo “ajuste'', que também seriam aplicadas em eventual governo Aécio Neves.

Ao oferecer concessões a seus opositores, Dilma Rousseff não ganhou um só simpatizante entre aqueles que a rejeitaram nas cabines de votação meses atrás.

A virada acabou por estimular a radicalização de segmentos sociais que se recusam a aceitar a vontade majoritária do eleitorado.

O governo mostrou-se fraco. Como sabe qualquer boxeur iniciante,  se o adversário dá a impressão de fraquejar, é hora de partir para cima.

Com a política econômica remodelada, abatendo conquistas dos trabalhadores, Dilma leva seus aliados a protestar contra decisões do governo.

E os antagonistas a atacarem, reivindicando impeachment e outras variantes também de inspiração golpista.

São esses os recados das ruas.

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UOL


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