16 fevereiro, 2015

Dólar turismo a R$ 3 leva a corte de gasto em viagem ao exterior

 A ideia era arrumar as malas para passar cinco dias em Miami, na Flórida (Estados Unidos), mas, nas últimas semanas, com a alta do dólar, a engenheira Martha Cristel viu a conta ultrapassar seu planejamento inicial e desistiu da viagem. 

"Comecei a ver preços em janeiro, quando o dólar teve uma queda, mas achei que pudesse cair mais e não comprei. Agora, com o valor que está, não vou mais." 


Editoria de arte/Folhapress

A reportagem fez um levantamento com cinco agências de câmbio na tarde da sexta (13). O dólar turismo variava entre R$ 2,97 e R$ 3,03 em espécie (patamar que não era encontrado com frequência desde 2004) e de R$ 3,12 a R$ 3,18 no cartão pré-pago. Na quarta-feira (11), a moeda chegou a R$ 3,20. 

Vale a pena pesquisar preço nas agências de câmbio. 

Na dúvida sobre a tendência do dólar, a dica é fracionar as compras até o momento da viagem. Se a moeda cair, a pessoa poderá comprar parte com um valor mais baixo daqui a algum tempo; se subir, porém, já terá obtido um pouco com cotação favorável. 

A única regra que vale para todas as operações é o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 0,38% na transação em espécie e de 6,38% no cartão. 

Simone Zanella, dona de uma agência de viagem especializada em pacotes para Orlando (também no Estado americano da Flórida), já sente os efeitos da alta do dólar: nas últimas duas semanas não fechou nenhum roteiro. 

As vendas que conseguiu fazer foram para famílias que já haviam comprado as passagens no ano passado e que precisavam apenas acertar os passeios, reservar hotel e trocar algum dinheiro para alimentação e compras. 

"Não acredito que as pessoas deixem de viajar com a alta do dólar, mas elas estão mudando a viagem. Ou seja, trocando a categoria da hospedagem para uma mais barata e diminuindo passeios." 

SEM LEMBRANCINHA
 
A terapeuta Berta El Kalay visitou Orlando e Miami com o marido e os netos no início deste ano, mas "porque já tinha comprado as passagens". "Não deixamos de ir, mas viajei com o dólar a R$ 2,90. Nós diminuímos em até 60% as compras, e o cartão de crédito ficou proibido." 

A família ainda economizou na hospedagem e na alimentação durante os 14 dias de viagem.
Após um recorde nas vendas em janeiro, a agência de turismo CVC avalia que a alta do dólar não deve interferir nas viagens, já que o planejamento, geralmente, é feito com antecedência. 

"A CVC faz reservas em grandes volumes com seus fornecedores e consegue manter seus preços estáveis. Vamos apostar cada vez mais na venda antecipada da viagem, de 12 até 18 meses antes do embarque, o que facilita o planejamento financeiro", disse em nota. 

PERSPECTIVA
 
O dólar comercial está sendo negociado acima de R$ 2,80. E, segundo analistas, a tendência de alta da moeda americana pode ser mantida nos próximos meses. 

Para turistas, a cotação é sempre mais alta. O dólar turismo é formado pelo valor da taxa de câmbio à vista, voltado a grandes clientes, acrescido de uma margem maior para compensar o volume menor de moeda negociada.


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