26 fevereiro, 2015

Moody's minimiza temor de corte da nota soberana do país

O mercado financeiro reagiu ao rebaixamento da Petrobras com a preocupação de que isso contribua para uma diminuição da nota da dívida soberana do Brasil. 

Analistas temem que o contágio seja causado por um resgate da empresa pelo governo, por meio de uma injeção de capital. 

A Moody's, no entanto, atenuou esse temor. Segundo Mauro Leos, analista da agência para o Brasil, essa possibilidade de socorro já está nos cálculos que levam a agência a manter a atual nota do governo (um degrau acima do grau de investimento). 

"A nota e a perspectiva do Brasil refletem nossa análise sobre uma série de possíveis cenários, incluindo alguns mais adversos envolvendo algum tipo de ajuda à Petrobras", disse Leos. 

Segundo ele, um possível resgate elevaria a relação entre a dívida pública bruta e o PIB (Produto Interno Bruto) dos atuais 63,4% para 70%, ainda compatível com a nota de crédito atual. 

Mas Leos faz uma ressalva: um aumento do nível de endividamento público [considerado elevado pelo mercado] seria aceitável se a agência se mantiver "confiante de que o governo responderá com um plano crível para atingir consolidação fiscal, melhorar os indicadores da dívida e aumentar investimentos e crescimento". 

Para Carlos Caicedo, analista de Brasil da consultoria IHS, existe a chance de que o rebaixamento da Petrobras tenha o efeito positivo de ajudar o governo a persuadir o Congresso a aprovar suas propostas de ajuste fiscal. 

Mas há o risco de que, dado o peso da Petrobras para a economia, uma deterioração ainda maior da situação da empresa contribua indiretamente para uma redução da nota da dívida brasileira. 

"Apenas a redução dos investimentos da Petrobras já compromete os investimentos e o desempenho da economia, sem falar na arrecadação do governo", diz Otto Nogami, professor do Insper. 

Os temores do mercado se refletiram no aumento da taxa cobrada de investidores que querem se proteger contra um possível calote do país. Esse prêmio medido pelo chamado "credit default swap" (CDS) aumentou para 243,2 pontos nesta quarta-feira, ante 236,2 há três dias. 

Esse aumento ocorreu sobre um nível já elevado. Países com mesma avaliação de crédito do Brasil têm percepção de risco bem menor. É o caso da Turquia e da Indonésia, cujos CDSs fecharam ontem a 192 e 144,6 pontos respectivamente.


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