24 fevereiro, 2015

Mulheres sofrem ameaças de estupro ao defender feminismo na internet


UMA ADVERTÊNCIA: Palavras muito fortes, embora ditas com muita naturalidade, chocam! Quem não quiser ouvir violência contra a mulher não assista este vídeo. 

Nada é por acaso. Este vídeo foi publicado hoje dia 24.02.15, pela TVFOLHA. Justo quando uma "colega" incita um político a estuprar outra colega. Neste vídeo a ameaça está vindo dos homens para as mulheres. No grupo PREVI SEM CENSURA a ameaça veio de uma mulher, ou de pseudo mulher?
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Há dois anos, quando deu uma entrevista na TV, a escritora Nádia Lapa, 35, leu ofensas no Twitter como "quem teve coragem de comer essa mulher?". Ela considera que esses são "xingamentos até leves", mas que é "muito ruim quando são milhares de pessoas falando isso".

Lapa criou em 2011 o blog Cem Homens, espaço em que relatava sua vida sexual com o pseudônimo Letícia F..

"Eu recebia propostas de sexo e fotos de pênis por e-mail. Nos comentários do blog, eu era chamada de 'depósito de DST' e desejavam que eu morresse", lembra.


Apu Gomes/Folhapress
A jornalista e blogueira Nádia Lapa, que sofreu assedio em redes sociais
A jornalista e blogueira Nádia Lapa, que sofreu assédio em redes sociais

Nos Estados Unidos, um "troll" –como são chamados usuários anônimos mal-intencionados– criou um perfil falso no Twitter para ofender a escritora feminista Lindy West, que ganhou projeção na internet ao criticar piadas sobre estupro.

O caso foi o estopim para o presidente-executivo do Twitter, Dick Costolo, admitir que a plataforma é péssima (em inglês, disse "we suck") em lidar com esse tipo de abuso.
"Não é nenhum segredo, e o resto do mundo fala sobre isso todo dia", disse no começo do mês em um comunicado aos funcionários.

Dolores Aronovich, 47, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), diz acreditar que o Twitter está se preocupando um pouco mais com a misoginia. Ela cita a parceria feita em novembro entre a empresa e a ONG Women, Action & Media para aprimorar a apuração das denúncias de assédio.

Aronovich é autora do blog feminista Escreva, Lola, Escreva, com cerca de 200 mil acessos mensais. Desde 2011, recebe ameaças de estupro e morte vindas de homens.

"Publicam meu endereço e meu telefone na internet e fotos da minha casa que eles tiram do Google", relata.

Em dezembro, as ameaças ultrapassaram a fronteira da internet. Logo após publicar no Twitter que havia voltado de uma viagem, a professora recebeu ligações com ameaças de morte em sua casa.

"Qualquer mulher que se destacar na internet vai ser ameaçada de estupro", diz.

"Infelizmente, a internet reflete a misoginia que existe na sociedade."

A jornalista Juliana de Faria, autora do blog Think Olga e idealizadora da campanha Chega de Fiu Fiu, sobre assédio às mulheres nas ruas, confirma a sentença. Ela diz ter recebido "pelo menos mil e-mails" de ameaças após a divulgação de uma pesquisa sobre o assunto.

ELAS SOFREM MAIS
 
Mulheres jovens são as que mais sofrem perseguição e assédio na internet, segundo pesquisa do instituto americano Pew Research Center publicada em outubro do ano passado. No estudo, 25% das mulheres entre 18 e 24 anos reportaram terem sido assediadas. Entre os homens, o número cai para 13%.

"A internet é um lugar violento. Homens também sofrem, mas a mulher, muito mais", avalia Faria.

A hostilidade à presença de mulheres em espaços virtuais não se limita a debates feministas.

A servidora pública Lidiany Santos, 27, sofreu as consequências por escrever sobre temas considerados masculinos.

Em 2010, ela criou o site Game of Thrones BR (sobre o seriado de aventura homônimo), que se tornou uma referência sobre o programa no país. Homens e mulheres colaboram para o site, porém Santos notou que os comentários nos textos de mulheres eram mais agressivos e incluíam xingamentos.

"Já foram até o meu marido sugerir que ele me calasse", afirma Santos.

Calá-la é o objetivo das ameaças, na visão da professora da UFC.

"Vou continuar combatendo essa gente, e por meio dessa atitude empoderar outras mulheres que ficam com medo, porque [passar por] isso é muito comum."


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