Em evento de defesa da estatal, ex-presidente disse que companhia é motivo de orgulho
O ex-presidente da República Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou na terça-feira que o esquema de corrupção na
Petrobras foi uma "caca" cometida por um pequeno grupo de pessoas dentro
de um universo de milhares de trabalhadores da estatal.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de ato em defesa da Petrobras
Foto: Sergio Moraes / Reuters
Num ato em defesa da Petrobras promovido pela Central
Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Federação Única dos Petroleiros
(FUP), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Lula também
defendeu o governo Dilma Rousseff e criticou a forma como a mídia vem
tratando a crise na empresa.
"Que vergonha pode ter (um trabalhador) que
numa família de 86 mil pessoas alguém faz uma caca? Se isso acontece na
família de vocês, o que vocês fazem? A gente castiga. Não se pode jogar a
Petrobras fora por conta de meia dúzia de pessoas, ou cinquenta", disse
Lula, referindo-se a executivos da estatal detidos sob acusação de
envolvimento na corrupção.
A empresa é alvo da operação Lava Jato, da Polícia
Federal (PF), que investiga um esquema de corrupção bilionário de
sobrepreço em obras da Petrobras e que envolve ex-funcionários da
estatal, executivos de empreiteiras e políticos.
O
ex-presidente lembrou os investimentos feitos pela empresa durante os
governos petistas e a repercussão na economia brasileira. Lula disse que
a estatal ainda é motivo de orgulho nacional e referência internacional
em termos de tecnologia.
Lula insinuou que o esquema de corrupção na Petrobras
começou na época em que os tucanos estavam no poder, quando os
investimentos da empresa eram menores.
"Se tinha ladrão que roubava quando o investimento era
de R$ 3 bilhões por ano, imagina quando passa para R$ 3 bilhões por
mês", afirmou.
Lula aproveitou para mandar um recado à presidente Dilma
Rousseff, que desde a campanha para a reeleição, no ano passado, tem
sido alvo de críticas relacionadas ao escândalo na petroleira.
"Eu conheço bem a companheira Dilma e sei que ela vai deixar a (investigação da)
corrupção para a Polícia Federal ou o Ministério da Justiça. Ela tem
que levantar a cabeça e dizer 'vou cuidar do meu País'. Ela não pode nem
deve dar trela", disse Lula.
"O que eles fazem hoje (oposição) é o que
sempre fizeram a vida inteira. A ideia é criminalizar antes, tornar você
bandido antes de ser julgado e condenado. Você é criminalizado pela
imprensa", afirmou ele.
Lula condenou o que chamou de pré-julgamento de
dirigentes da estatal. "O que se vê hoje é a tal da teoria do domínio do
fato. Que eu não tenho que saber se cometeu o crime. O que eu tenho que
saber que como você era o chefe, foi você que cometeu. É o pressuposto
que a mãe tem que saber que o filho é drogado ou que o aluno não foi bem
na escola".
Lula foi recebido com gritos e cânticos por cerca de 500
pessoas que lotaram o auditório da ABI, no centro do Rio de Janeiro. No
lado de fora, um telão transmitiu a fala do ex-presidente. Antes da
chegada do petista, contudo, houve briga, tumulto e confusão por conta
da presença de pessoas contrárias ao ato, que gritaram palavras de apoio
à oposição.
O ato em defesa da petroleira ocorreu no mesmo momento
em que a agência de classificação de risco Moody's rebaixava os ratings
da Petrobras, retirando da estatal o seu grau de investimento.
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