28 janeiro, 2015

Polícia Federal abre inquéritos sobre mais dez empreiteiras na Lava Jato

No mais recente desdobramento da Operação Lava Jato, a Polícia Federal decidiu nesta terça-feira (27) que abrirá mais dez inquéritos para investigar grandes empreiteiras em atividade no país que ainda não haviam recebido uma investigação específica. 

As empresas que serão alvo das novas investigações, segundo a PF, são MPE Montagens e Projetos Especiais, Alusa Engenharia, Promon Engenharia, Techint Engenharia e Construção, Skanska Brasil Ltda., GDK, Schahin Engenharia, Carioca Christiani Nielsen Engenharia e Setal Engenharia Construções e Perfurações Ltda. A décima empreiteira a ser investigada é a Andrade Gutierrez, conforme a Folha já havia revelado no último sábado. 

A decisão da PF objetiva a investigação sobre as empresas, "seus dirigentes e funcionários possivelmente envolvidos", segundo ofício assinado pelo delegado da PF Eduardo Mauat da Silva. 

Segundo o delegado, as novas investigações são necessárias para "receber de forma organizada os dados relativos a outras empresas possivelmente envolvidas em fraudes ligadas à estatal Petrobras, viabilizando o aprofundamento das investigações em relação às mesmas". 

Boa parte dessas empreiteiras aparece citada nos depoimentos do empresário da construção civil Augusto Ribeiro de Mendonça Neto –que assinou com o Ministério Público Federal um acordo de delação premiada–, como integrantes do chamado "clube" de empreiteiras, um grupo que acertava o resultado de licitações e definia valores de contratos com a Petrobras. 

De acordo com as denúncias apresentadas no final de 2014 à Justiça Federal pelo Ministério Público Federal, o suposto cartel era formado por Odebrecht, UTC, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix, OAS, GDK, Setal, Techint, Andrade Gutierrez, Promon, MPE e Skanska. Sobre as oito primeiras empreiteiras, já existem inquéritos na PF desde o ano passado e alguns de seus principais dirigentes estão presos em Curitiba (PR), acusados de crimes diversos, como corrupção e fraude em licitações. 

A GDK foi protagonista de um escândalo envolvendo a Petrobras em 2005, quando se descobriu que o dono da empreiteira doou ao secretário-geral do PT, Silvio Pereira, um jipe Land Rover, avaliado em R$ 73,5 mil. Após investigar o episódio, a CPI dos Correios considerou a doação "um caso exemplar de tráfico de influência". 

Por causa das citações na Lava Jato, anteriores às aberturas dos inquéritos, a própria Petrobras havia anunciado em dezembro passado que impediria que nove dessas empreiteiras fossem contratadas e participassem de licitações: Alusa, Andrade Gutierrez, Carioca, GDK, MPE, Promon, Setal, Skanska e Techint. Só a Schahin Engenharia não havia sido incluída nessa lista da estatal. 

A assessoria de comunicação da Carioca informou que não conseguiu localizar os executivos da empresa que poderiam se pronunciar sobre a abertura de inquérito. 

A Folha não conseguiu localizar, até o fechamento deste texto, a assessorias de Skanka, MPE, Alusa, GDK e Techint. Localizada por volta das 20h15, a assessoria de Setal não havia se manifestado até a publicação deste texto. 

A Promon e a Andrade Gutierrez informaram que não receberam nenhuma notificação oficial das autoridades. 

A Schahin emitiu uma nota: "A Schahin desconhece o aventado inquérito e esclarece que seus contratos com a Petrobras são absolutamente regulares, celebrados em estrita conformidade com a legislação aplicável.", diz a empresa

FOLHA
 

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