29 janeiro, 2015

Cerveró, ex-diretor da Petrobras, chegou a ter R$ 630 mil em espécie



Preso no último dia 14 em decorrência da Operação Lava Jato sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras, o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró, 63, chegou a guardar em espécie, "em mãos", um total de R$ 630 mil. 

Foi o que ele declarou em 2010 à Receita Federal, de acordo com documento apreendido pela PF na residência do ex-diretor em Ipanema, no Rio de Janeiro. 


O mero ato de guardar dinheiro em espécie em casa não configura crime, mas gera suspeita pela decisão deliberada de sofrer prejuízo financeiro. O valor represado por Cerveró renderia em 2010, caso aplicado na poupança, cerca de R$ 42 mil. 


Em outra declaração à Receita, Cerveró informou ter recebido como remuneração R$ 1,15 milhão da Petrobras em apenas um ano, 2012. 


A PF também apreendeu no apartamento sete páginas digitalizadas com a descrição de inúmeros brincos, colares, pérolas, pulseiras, gargantilhas e outras peças de ouro associadas a parentes de Cerveró, além de 98 "diamantes redondos" que teriam sido adquiridos em "Amsterdam Sauer" em junho de 2012. Uma das peças era uma "letra 'N' em ouro amarelo".

Esses objetos não foram localizados pela PF. Procurado pela Folha nesta quarta-feira (28), o advogado do ex-diretor, Edson Ribeiro, afirmou que a respeito de dinheiro em espécie e a lista de joias "nunca conversou com Cerveró, se trata de assunto pessoal e por isso não poderá se manifestar". 


CARTA
 

A PF também apreendeu uma carta, datada de junho de 2012, em que Cerveró diz a um amigo, identificado apenas como Rogério, que não aceitaria a "pecha de ter sido o causador único deste 'desastre'", em referência à compra, pela Petrobras, da refinaria em Pasadena, nos EUA. 


O negócio foi depois condenado pelos órgãos fiscalizadores e gerou prejuízo de US$ 792 milhões à estatal, segundo o TCU (Tribunal de Contas da União). 


Na carta, Cerveró atribuiu ao ex-presidente da companhia Sérgio Gabrielli a acusação que lhe era feita. "O nosso amigo Gabrielli se encarregou de espalhar uma versão fantasiosa do enorme prejuízo que a Petrobras teria causado por um acordo que eu havia firmado sem o conhecimento e a aprovação dos meus pares na D.E. [Diretoria Executiva]", escreveu Cerveró. 


Segundo o ex-diretor, uma reunião da Diretoria Executiva da Petrobras de fevereiro de 2008 "aprovou o valor" de US$ 800 milhões para o fechamento do negócio. 


"Nesta reunião houve a participação minha, dos diretores Paulo Roberto, Duque, Almir, Estrela, Graça [Foster, atual presidente da Petrobras] e certamente do presidente Gabrielli", escreveu Cerveró. 


A PF também apreendeu o que teria sido a resposta à carta do ex-diretor, assinada por "Rogério". Ele escreveu que, no seu entendimento, "a grande contribuição para o insucesso do empreendimento adveio da diferença da natureza entre Petrobras e Astra e da nossa aposta em comprar uma refinaria de óleo leve para posteriormente adaptá-la". 


"As informações que disponho me permitem concluir que houve alguns erros de condução, que certamente nem foram do seu conhecimento à época", escreveu "Rogério", que negou ter ouvido de Gabrielli as acusações a Cerveró. 

FOLHA

Aprendeu com a Governanta, ela também guarda quantias consideráveis em seus aposentos no Planalto.

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