25 janeiro, 2015

Camargo Corrêa já admite assumir culpa em esquema na Petrobras

Uma das maiores e mais influentes empreiteiras do país, a Camargo Corrêa já admite assumir sua culpa no esquema de corrupção da Petrobras. A perspectiva de que a empresa faça um acordo de delação com o Ministério Público Federal ameaça explodir o "clube da propina", apelido das construtoras investigadas na Operação Lava Jato. 

A negociação ainda não é formal, mas o time de advogados da Camargo vem discutindo os termos de um amplo acordo com o Ministério Público, a CGU (Controladoria Geral da União) e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). 

A Folha apurou que a Camargo aceita abrir o jogo sobre sua participação no grupo acusado de superfaturar obras e pagar propina a diretores da estatal. Mas ainda vacila quanto à exigência de apontar novos crimes em outras áreas do governo, como quer a Procuradoria. 

Um dos pontos em discussão é a metodologia a ser aplicada no cálculo das multas e indenizações. Qualquer que seja o critério, "serão centenas de milhões de reais", diz um profissional que acompanha o assunto. 

A intenção da empresa é fazer um acordo combinado com seus três executivos presos desde novembro, o que lhe daria mais controle sobre os rumos do processo. Como a Folha revelou neste sábado (24), eles também negociam acordos de delação. Procurada, a Camargo afirmou que não comenta rumores. 

Até agora, só a Toyo Setal, que não estava na linha de frente do cartel da Petrobras, aceitou colaborar com a Justiça. O potencial de estrago da Camargo é bem maior. Uma das líderes do setor de obras públicas há décadas, a empresa conhece segredos de construtoras, políticos e governantes de hoje e do passado. 

O diretor de outra construtora envolvida na Lava Jato diz que os acionistas da Camargo já estavam diminuindo a presença no setor de obras públicas e "estavam muito pressionados" por suas famílias por causa do desgaste. "Mas haverá também pressão para que não façam acordo". 

RACHA
 
Até o fim de 2014, as empreiteiras faziam força para viabilizar um pacto coletivo com punições mais leves. Depois que o Ministério Público rechaçou a ideia, passaram a buscar estratégias individuais de defesa, o que provocou um racha entre elas. 

Além da Camargo Corrêa e seus executivos, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC e apontado como líder do cartel, também negocia um acordo de delação, como revelou a Folha

"As empresas estão umas com medo das outras. Era isso que o Ministério Público queria", diz o diretor de uma delas. A ironia é que ele mesmo questiona a razão pela qual os colegas da Odebrecht e da Andrade Gutierrez não foram presos, como vários dirigentes das demais firmas. 

"Se os procuradores dizem que todos faziam parte do cartel, por que só eles não foram presos? Antes achava que era questão de tempo, agora acho que tem coisa", diz o executivo, sem explicar qual é sua desconfiança. 

As empreiteiras perderam a unidade com a morte do ex-ministro Márcio Thomas Bastos, em dezembro. Advogado da Camargo Corrêa e da Odebrecht, ele coordenava a defesa do grupo. 

Com trânsito no governo, na Justiça e no Ministério Público, ele era o único advogado que tinha a confiança de boa parte das construtoras. 

Um dia antes de morrer, Bastos despachou do quarto do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com os colegas que cuidavam diretamente das defesas da Camargo e da Odebrecht. 

Os empreiteiros não encontraram um substituto. Talvez não tenham mais tempo. 


Editoria de Arte/Folhapress

 

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