25 janeiro, 2015

Rivais na disputa pela presidência da Câmara tentam apagar estigmas

A uma semana da eleição que definirá o novo presidente da Câmara, os três principais candidatos ainda tentam vencer obstáculos criados por suas próprias trajetórias. 


Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Arlindo Chinaglia (PT-SP), Júlio Delgado (PSB-MG) e Chico Alencar (PSOL-RJ) disputam no próximo domingo (1º) o voto dos demais 509 colegas, em eleição secreta. 


Apontado como favorito, Cunha precisa convencer, especialmente os governistas, que não será um presidente com viés oposicionista.


Apesar de liderar a bancada do PMDB, principal aliado na coalizão de Dilma Rousseff, o Planalto tem forte resistência ao seu nome por, entre outros motivos, ele ter liderado a rebelião legislativa contra o governo em 2014. 

Na ocasião, ministros chegaram a ser convocados em série no Congresso. Entre as razões da insatisfação, a velha reclamação de falta de diálogo com o Planalto e o não atendimento dos pleitos por cargos e verbas. 

Cunha nega que sua eventual gestão abalará a governabilidade, embora não esconda o ressentimento pela atuação de ministros palacianos a favor de Chinaglia. 

Na avaliação de alguns, pesa ainda contra Cunha a bandeira da renovação e da ética, que costuma ser pregada pelos novos deputados. Dos 513 que tomam posse no dia 1º, 198 estreiam no Legislativo. 

Citado no esquema de corrupção da Petrobras, Cunha será alvo de um pedido do Ministério Público ao Supremo Tribunal Federal para ser investigado. Ele nega ligação com o caso. 

Do lado petista, Chinaglia tenta se descolar do rótulo de palaciano tendo em vista o desgaste que o governo vive na Casa -os mesmos que motivaram a rebelião de 2014. 

Deputados costumam repetir que o sentimento anti-PT que esteve presente na eleição se reproduz na corrida pelo comando da Câmara. 

Há ainda reclamações de que Dilma atuou para enfraquecer o papel do Congresso e não cumpriu acordos para liberar verbas de emendas de deputados ao Orçamento. 

Presidente da Casa em 2007 e 2008, Chinaglia ficou conhecido pelo estilo duro de se relacionar com colegas. 

Considerado azarão, mas com densidade maior que a de Alencar, Júlio Delgado tenta minimizar o rótulo de "caçador" de deputado. O apelido faz referência ao fato de ele ter relatado os processos de cassação dos petistas José Dirceu, envolvido no mensalão, e André Vargas, por ligação com presos do esquema de corrupção na Petrobras. 

Alinhado com a oposição, ele justifica que não tem prazer na tarefa, mas responsabilidade com a Casa. E diz apostar nos novos deputados: "Meu trabalho principal é de convencimento dos novos, que trazem das ruas esse sentimento de mudança".
Editoria de Arte/Folhapress


FOLHA

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