27 janeiro, 2015

A presidente Dilma Rousseff justificou nesta terça-feira (27) as mudanças na economia anunciadas por seu governo recentemente, como necessárias e corretivas para "manter o rumo, preservando as prioridades sociais". A defesa integrou a primeira fala pública da presidente (leia a íntegra ) depois da posse do segundo mandato, em 1º de janeiro. 

"Os ajustes que estamos fazendo são necessários para manter o rumo, para ampliar as oportunidades, preservando as prioridades sociais e econômicas do governo que iniciamos há 12 anos atrás", disse, explicando que a estabilidade da economia é importante para o projeto social de seu governo. "As mudanças que o país precisa dependem muito da estabilidade e da credibilidade da nossa economia. Precisamos garantir a solidez dos nossos indicadores econômicos", afirmou. 

Dilma está reunida com seus 39 ministros e com o vice-presidente Michel Temer na Granja do Torto, residência de campo oficial da Presidência da República, em Brasília. Esta é a primeira reunião ministerial realizada no segundo mandato da petista. O último encontro do tipo foi feito em 2013, logo após a eclosão das manifestações. 

ECONOMIA
 
Na fala, Dilma prometeu seguir a política defendida durante a campanha presidencial: "Mostraremos que não alteramos um só milímetro do projeto vencedor das eleições".
A presidente disse que, na gestão passada, o governo federal "cumpriu o seu papel" ao absorver um possível impacto maior da crise e preservar o emprego e a renda do trabalhador. Ela afirmou, no entanto, que agora chegou-se a um "limite" para o que o governo poderia fazer. 

"Agora atingimos um limite para isso. Estamos diante da necessidade de promover um reequilíbrio fiscal para recuperar o crescimento da economia o mais rápido possível. 

Tomamos algumas medidas que tem caráter corretivo, ou seja, são medidas estruturais que se mostram necessárias em quaisquer circunstâncias", disse. 

Dilma afirmou ainda que o Banco Central tem tomando medidas para fazer o controle inflacionário no país. 

DIREITOS TRABALHISTAS
 
Dilma também aproveitou a reunião para defender as mudanças anunciadas no pagamento de benefícios trabalhistas e sociais. Para ela, as medidas adequam os benefícios a uma nova realidade. 

"Nesses casos, não se tratam de ajustes fiscais mas de aperfeiçoamento de políticas sociais para aumentar sua eficácia, eficiência e sua justiça. Sempre aperfeiçoamos as nossas políticas", explicou. 

Ela negou ainda que as medias representem redução dos benefícios trabalhistas. " Os direitos trabalhistas são intocáveis e não será o nosso governo, um governo dos trabalhadores, que irá revogá-los", disse. 

CORRUPÇÃO
 
Sem citar a Operação Lava Jato, Dilma defendeu novamente a Petrobras e afirmou que as empresas públicas e privadas envolvidas no esquema de corrupção com a estatal devem ser preservadas. 

"Temos que saber apurar. Temos que saber punir. Isso tudo sem enfraquecer a Petrobras e sem diminuir a sua importância para o presente e futuro do país. [...] Temos que punir as pessoas e não destruir as empresas", disse. 

Dilma voltou a dizer que o governo estabelecerá um pacto contra a corrupção no país em todas as esferas de governo e de poder, tanto no ambiente público quanto privado. 

CORTES
 
A presidente aproveitou a reunião para acalmar os ministros em relação aos cortes orçamentários das pastas. No início do ano, Dilma havia anunciado um corte temporário de R$ 22,7 bilhões em gastos não prioritários. 

"Quero alertar os ministros que as restrições orçamentárias exigirão mais eficiência no gasto. Vamos fazer mais gastando menos", disse. 

Criticada por passar mais de um mês sem dar entrevistas, a presidente retomou seu discurso pós-eleitoral por mais diálogo e pediu a todos os ministros que não se omitam e falem mais com a sociedade para divulgar e defender o seu governo. Ela falou por cerca de 30 minutos. Seu discurso foi transmitido pela TV NBR, canal público do governo federal. 

"Devemos enfrentar o desconhecimento, a desinformação sempre e permanentemente. Não podemos permitir que as falsas versões se criem e se alastrem. [...] Tragam a posição do governo à opinião pública. Sejam claros, se façam entender. Não podemos deixar dúvidas", disse aos ministros. 

Dilma chegou ao local da reunião de helicóptero com cerca de 20 minutos de atraso. A reunião estava marcada para começar às 16h. Ao chegar, ela cumprimentou todos os ministros individualmente e depois, já sentada em seu lugar, pediu que todos sejam sucintos em suas exposições. 


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