13 fevereiro, 2015

Cunha costura acordo para entregar ao PT a relatoria da CPI da Petrobras

Ricardo Della Coletta e Daiene Cardoso 

Sex, 13/02/2015 às 18:45
Depois de ter enfrentado duas semanas de consecutivas derrotas na Câmara, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu fazer um aceno ao governo e costura um acordo para entregar ao PT a relatoria da CPI da Petrobras. 

As negociações ocorreram nesta semana entre Cunha, o líder do governo José Guimarães (PT-CE) e o líder do PT, Sibá Machado (AC). Um interlocutor próximo ao peemedebista disse que o acordo está praticamente fechado e que as indicações devem ocorrer na semana após o Carnaval. 

Depois do feriado, Cunha vai procurar os líderes dos partidos que fazem parte do seu bloco de apoio e defender que o melhor é entregar a relatoria ao PT. A ideia é tirar o PT do isolamento em que se encontra na Casa, mas por outro lado deixar ao partido o desgaste que o posto naturalmente ocupa.

Entre os petistas ainda não há nome definido para o posto. Um dos cotados é Vicente Cândido (PT-SP), deputado da corrente interna petista majoritária Construindo Um Novo Brasil, a mesma do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Com o aceno, o presidente da Câmara também acaba por fortalecer Guimarães como interlocutor do governo e isola ainda mais o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT-RS), seu desafeto. Cunha se nega a aceitar Vargas como articulador do Palácio do Planalto.

Pela costura, a presidência da CPI deve ficar com um peemedebista. O convite foi feito nesta semana ao deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), derrotado por Leonardo Picciani (PMDB-RJ) por apenas um voto de diferença na eleição para a liderança da bancada. O parlamentar da Bahia, no entanto, recusou a oferta por considerá-la um prêmio de consolação. 

O grupo que saiu derrotado na disputa pelo comando da bancada culpa nos bastidores a interferência de Cunha pelo resultado. Para evitar que o "racha" se torne explícito, o presidente da Casa deve procurar Vieira Lima nos próximos dias e tentar convencê-lo a aceitar o posto. 

Requerimentos

A oposição já prepara uma lista de pedidos e convocações que serão protocoladas depois do Carnaval, quando a comissão será instalada. Hoje, o PPS informou que pedirá a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-ministro José Dirceu e das empresas onde atua como sócio. 

O anúncio do PPS ocorre após o depoimento do doleiro Alberto Youssef, onde ele acusa Dirceu e o ex-ministro Antonio Palocci de serem "as ligações" do lobista e operador de propina na Petrobrás Júlio Camargo com o PT. 

O partido já tem pronto os pedidos de quebra de sigilo de todas as empreiteiras e empresas fornecedoras da Petrobras que foram alvo da Operação Lava Jato. O partido vai protocolar os requerimentos de convocação e a quebra dos sigilos do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, e do ex-diretor de serviços da estatal, Renato Duque. 

O PSDB também prepara requerimentos à CPI e um dos primeiros alvos é o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. O tucano Otávio Leite (RJ) pedirá a convocação de Bendine e da direção da Alumini Engenharia, responsável pelas obras do Comperj.


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