
Os defensores das empreiteiras buscavam algum tipo de ajuda do governo para soltar os 11 executivos que estão presos há meses.
Tiveram, no entanto, como resposta palavras vagas, do tipo "fiquem tranquilos, o Supremo vai acabar soltando eles", segundo a Folha ouviu de um dos advogados que esteve com o ministro.
Um advogado que participou de outro encontro disse que Cardozo foi mais
assertivo. Ele relata que o ministro disse que governo usaria seu poder
para ajudar as empresas no STF (Supremo Tribunal Federal), STJ (no
Superior Tribunal de Justiça) e na Procuradoria Geral da República.
Pedro Ladeira - 02.fev.2015/Folhapress | ||
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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot (à esq.), conversa com o ministro José Eduardo Cardozo |
O ministro é o principal interlocutor de Rodrigo Janot, o
procurador-geral, que dirige o órgão responsável por acusações na
Justiça.
O Supremo e o STJ vão julgar o mérito de pedido de habeas corpus desses
executivos nos próximos meses. Pedidos de liminar para que eles fossem
libertados já foram negados pelos dois tribunais.
Os advogados, no entanto, passaram a enxergar uma espécie de janela de
oportunidades com a decisão, tomada na última terça (10), de uma turma
do Supremo de manter livre o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato
Duque.
Um dos encontros do ministro, com o advogado Sergio Renault, que defende
a UTC na esfera civil, ocorreu no dia seguinte à decisão do STF,
conforme a revista "Veja".
A revista relata que Cardoso prometeu a Renault que a situação dos
presos pela Lava Jato "mudaria de rumo radicalmente" porque
oposicionistas também seriam envolvidos na apuração. A Folha não obteve confirmação da versão divulgada pela "Veja".
A situação dos 11 presos, ainda de acordo com advogados, teria mudado
com a decisão recente do STF e pela primeira vez há a perspectiva de que
sejam soltos. Parte dos advogados não acredita, porém, que o ministro
tenha influência no tribunal, apesar de o PT ter indicado sete
ministros.
Dizem acreditar que o Supremo tomará a decisão de libertar os executivos
porque a jurisprudência da corte prevê que os réus defendam-se em
liberdade. Um ministro, Marco Aurélio Mello, já criticou as prisões.
OUTRO LADO
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) confirmou que teve o encontro
com o advogado Sergio Renault, mas nega ter tratado da Lava Jato. Disse
que eles estiveram na antessala de seu gabinete e a conversa durou dois
minutos.
Em nota, Cardozo também disse que é sua obrigação legal receber
advogados. A assessoria do ministro confirmou que outros advogados de
investigados na Operação Lava Jato estiveram com ele, mas afirmou que
não dispunha dos nomes.
Renault disse que foi ao ministério para encontrar o também advogado Sigmaringa Seixas, ex-deputado pelo PT, com quem almoçaria.
Eles negam que tenham tratado da Lava Jato com o ministro da Justiça.
"Não conversei nem conversaria sobre isso. De jeito nenhum", afirmou
Renault à Folha.
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