02 fevereiro, 2015

Testemunhas falam sobre desvios na estatal

Com os depoimentos de delatores e testemunhas que serão prestados à Justiça Federal nas próximas duas semanas, a força-tarefa da Operação Lava Jato buscará fortalecer as denúncias contra os executivos de empreiteiras acusados pela prática de corrupção, cartel e fraudes em licitações da Petrobras.
Na fase judicial que começa nesta segunda-feira (2), serão ouvidas pelo juiz Sergio Moro testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público Federal nas ações penais apresentadas contra diretores das construtoras Camargo Corrêa, UTC, OAS, Mendes Junior, Galvão Engenharia, Engevix e Toyo Setal.
Entre os depoentes estão três envolvidos no caso que já assinaram acordos de delação premiada: o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e os executivos ligados à Toyo Setal Julio Camargo e Augusto Ribeiro Mendonça Neto.

Reprodução
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Eles serão convocados a detalhar qual o grau de envolvimento de cada um dos réus nos crimes contra a Petrobras apontados nas suas colaborações premiadas.
Também foi convocada a depor a geóloga Venina Velosa Fonseca, funcionária da Petrobras que afirmou às autoridades ter avisado a atual presidente da estatal Graça Foster sobre as irregularidades na petrolífera.
Fonseca trabalhou como gerente de Abastecimento à época em que Paulo Roberto Costa chefiava a área, e terá oportunidade de aprofundar suas afirmações sobre os delitos cometidos na Petrobras.

Alan Marques - 8.out.2014/Folhapress
A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, durante audiência na CPI mista da Petrobras
A ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, durante audiência na CPI mista da Petrobras
Também testemunharão ex-prestadores de serviços do doleiro Alberto Youssef , como o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa e Meire Poza, que conheceram o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro por dentro e já ajudaram os investigadores a entender partes da engrenagem criminosa.
Novidades no caso poderão surgir dos testemunhos de funcionários da Petrobras e das construtoras que também foram convocados a depor na maratona de audiências, que vai até o dia 13.
A fase de depoimentos de testemunhas de acusação é importante, uma vez que nas audiências o juiz da causa, os procuradores do Ministério Público e advogados dos réus podem fazer perguntas aos depoentes, o que permite esclarecer fatos alegados em juízo tanto pela Procuradoria como pelas defesas.
Os testemunhos prestados nessa etapa também conferem maior força às declarações feitas anteriormente nas delações e nos inquéritos, das quais podem participar policiais, procuradores e advogados. Há casos em que depoentes mudam suas versões dos fatos quando falam diretamente ao juiz da causa, sob o argumento de que antes sofreram coações de autoridades que os interrogaram.

FOLHA

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