06 fevereiro, 2015

Bendine 'cai para cima' e pode não agradar mercado

Petrolão Praticamente fora do Banco do Brasil desde o final do ano passado, o presidente da instituição Aldemir Bendine, que agora irá presidir a Petrobras em substituição a Graça Foster, trabalhava para permanecer no governo, possivelmente indo para o BNDES ou alguma outra estatal de prestigio. 

Bendine tem trânsito no mercado financeiro, especialmente entre os grandes bancos, mas é considerado mais um politico do que um executivo técnico. Tem pouco conhecimento de finanças. 

Por outro lado, preservou a boa governança e relativa transparência do Banco do Brasil. 

Soube se cercar de executivos competentes nas áreas importantes como financeira, gestão de recursos, varejo, seguros, cartões e grandes empresas e investimentos (atacado). 

Coleciona sucessos como a abertura de capital da BB Seguridade, braço de seguros da instituição que levantou R$ 11 bilhões na Bolsa, impulsionou na internacionalização do banco, além da ofensiva na redução dos juros ao consumidor, no início do primeiro mandato do governo Dilma. 

Várias vezes afirmou que a função do banco público não era dar lucro como nas instituições privadas, o que pode lhe custar caro na Petrobras num momento que se espera uma recuperação na credibilidade. 

Após o anúncio de seu nome à frente da estatal, as ações da companhia desabaram mais de 6%. 

Nos últimos meses, Bendine sofreu forte desgaste no governo. Conforme a Folha revelou em outubro do ano passado, durante a gestão de Bendine, o Banco do Brasil concedeu empréstimo a Val Marchiori, socialite e amiga do executivo, no valor de R$ 2,7 milhões a partir de uma linha subsidiada pelo BNDES, contrariando normas internas das duas instituições. 

Marchiori tinha restrição de crédito por não ter pago empréstimo anterior ao BB e também não apresentava capacidade financeira para obter o financiamento, segundo documentos internos do BB obtidos pela Folha

Bendine nega qualquer participação na concessão do empréstimo. 

RECEITA
 
A Folha também revelou em agosto do ano passado, que Bendine foi autuado pela Receita federal e teve de pagar multa de R$ 122 mil para se livrar de questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio pessoal e um apartamento pago com dinheiro vivo em 2010. 

O executivo foi multado por não comprovar a procedência de aproximadamente R$ 280 mil informados em sua declaração anual de ajuste do Imposto de Renda. Na avaliação da Receita, o valor de seus bens aumentou mais do que seus rendimentos declarados poderiam justificar. 

Bendine entrou no radar da Receita Federal em 2010, quando a Folha mostrou que ele comprara um apartamento no interior de São Paulo pelo valor declarado de R$ 150 mil, pagos integralmente em espécie. 

Ao justificar a legalidade da transação imobiliária, ele informou que declarou à Receita possuir R$ 200 mil em dinheiro vivo em casa, guardados desde 2009. 

Depois de questionar formalmente o executivo, a Receita decidiu multá-lo em novembro de 2012. Ele não contestou a autuação e pagou o auto à vista. Bendine diz que não discutiu com a Receita a origem dos recursos usados na compra do apartamento e diz que o auto de infração resultou de um mero erro em sua declaração à Receita. Mesmo depois de identificar o erro, ele não retificou a declaração. 

MOTORISTA
 
O executivo também foi citado em um depoimento do ex-motorista do Banco do Brasil Sebastião Ferreira da Silva, 69, que afirmou ao Ministério Público Federal que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando de Bendine. 

O depoimento do motorista, ao qual a Folha teve acesso, gerou a abertura de um procedimento de investigação contra o executivo, em junho do ano passado, por suspeita de lavagem de dinheiro. 

Bendine nega as acusações, classificadas por ele de "absurdas". 



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