07 fevereiro, 2015

Análise: O 'Titanic político' da presidente Dilma

A Petrobras, que foi uma das maiores e mais prestigiosas companhias de petróleo do mundo, considerada a joia da coroa da indústria brasileira, está se transformando no 'Titanic político' da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

A ironia da história é que a ex-guerrilheira e economista Rousseff irrompeu com força na política exatamente conduzida pelo petróleo.

Depois de ter se afiliado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma entrou no primeiro governo Lula como ministra de Minas e Energia, com responsabilidade direta sobre a Petrobras. Dali deu o salto para ministra da Casa Civil, substituindo José Dirceu, que acabou na prisão arrastado por outro escândalo de corrupção: o chamado mensalão, que consistia, em resumo, na compra de votos de deputados.

Rousseff também foi presidente do conselho de administração da Petrobras. E foi ela quem colocou à frente da maior empresa pública da América Latina sua amiga e antiga colaboradora Graça Foster. A intenção, segundo se disse então, era conferir um caráter mais técnico e menos político à empresa. Já suspeitaria, então, ou saberia de fato, que a Petrobras havia se transformado em fonte de receitas ilegais do PT e de vários partidos políticos afins, à base de manobras corruptas e subornos?

Agora, três anos depois, diante das evidências de um escândalo que fez a petroleira perder 60% de seu valor, pressionada pela oposição, a opinião pública e os mercados, Rousseff decidiu destituir Foster junto com toda a cúpula diretora.

Tarde demais? Ninguém é capaz de profetizar, porque tanto a Polícia Federal quanto os juízes continuam implacavelmente interrogando e levando à prisão ex-altos funcionários da Petrobras e de outras grandes empresas acusadas de ter organizado juntos o grande festim de corrupção em torno da empresa, calculado em US$ 4 bilhões.

A interrogação é se o drama da Petrobras, com uma das equipes técnicas mais invejadas do setor e com uma gloriosa história a suas costas, atualmente à deriva, poderá salvar-se com a simples substituição do capitão do navio, ou se acabará arrastando a própria presidente, não por acusações de corrupção, mas pela responsabilidade que exercia e exerce sobre a empresa.

Se a gangrena que corrói a Petrobras for tão grave quanto parece, sua história será sem dúvida semelhante à do Titanic, que afundou junto com seu capitão.

Talvez por isso Rousseff tenha tido dificuldade para encontrar o substituto de Foster. Os técnicos que poderiam segurar o timão sabem como funcionam as grandes empresas e temem encontrar surpresas desagradáveis depois de assumir o comando.

Outra incógnita é se Rousseff, que tem fama de intervencionista, deixará as mãos da nova equipe moverem o bisturi com total liberdade e assim devolverem à Petrobras sua independência técnica e comercial, sem a mão oculta da política a utilizá-la para fins poucos republicanos.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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