A bandeira com que o presidente da Câmara incita e pretende explicar a
agitação da Casa contra o governo e o reformismo de costumes é, apenas,
um rótulo inverdadeiro para um conteúdo com ingredientes tóxicos.
E, no entanto, bem sucedido como ilusionismo, porque o governo não se
recuperou do seu pasmo e os demais alvos de Eduardo Cunha nem se deram
conta do que os espera.
A ideia difundida pelo deputado é de que a Câmara afinal assume a sua
parte na independência dos Três Poderes, como determinado pela
Constituição. Essa retardatária atitude estaria expressa na insurgência
com que o PMDB e evangélicos, componentes da bancada governista, levaram
o plenário a derrotar posições do governo.
E preparam-se para uma sucessão já programada de outras derrotas impostas. Mas o que tem isso a ver com independência da Câmara?
O PMDB e parlamentares evangélicos apoiavam o governo porque é próprio
de partidos e blocos, nas casas parlamentares, apoiarem governos. E
deixaram de apoiá-lo porque é próprio de blocos e partidos, sobretudo os
que se orientam pela busca de vantagens como o PMDB, mudarem de
posição.
Para uma aproximação da ideia propagada com êxito por Eduardo Cunha,
seria possível falar, aí sim, na independência de escolha do PMDB. Se
reconhecido que nem isso seria novo: os 30 anos de adesismo peemedebista
também foram escolha independente.
A adotar-se o argumento de Eduardo Cunha, já seria possível dizer que a
Câmara rebelde só mudou de senhor. A subserviência com que deputados e
bancadas, inclusive de adversários como o DEM, põem-se a serviço dele,
não é menor nem menos fisiológica do que se via na Câmara, em outro
sentido. De graça, agora?
São convicções adquiridas por cargos na Câmara, gabinetes e, acima de
tudo, dinheiro para as campanhas e participação no rateio de votos do
eleitorado evangélico, por influência de Eduardo Cunha.
A Câmara estava e continua como Poder independente, sem cerceamento algum. A maioria dos seus integrantes, não.
CIFRÕES
Ainda Eduardo Cunha, que é mesmo a figura da moda. Seu artigo na Folha
(15/2) responde, embora de modo indireto, à falta de explicação para
sua ida aos governadores, mais que aos deputados, na campanha para
presidir a Câmara.
Suas metas não param no bloqueio ao aborto e no fim do casamento.
Sob o rótulo de "discussão do pacto federativo", há a mudança na
divisão, entre governo federal e estaduais, do arrecadado com impostos e
outras obrigações. Os governadores empurram suas bancadas.
JULGAMENTO
O conceito que o ex-ministro Joaquim Barbosa divulga da magistratura
brasileira, incluída a que praticou no Supremo, é bem ruinzinho.
Se juízes não devem receber advogados, porque são procurados com a
intenção de corrompê-los, está implícita a dupla afirmação de que os
advogados são corruptores e os juízes correm risco diante deles. Fosse
assim, estaríamos melhor sem advogados e sem juízes.
AVISO
Esta coluna deixa de sair (ei, palmas por quê? não acabei a frase) nas próximas semanas.

FOLHA
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