15 fevereiro, 2015

Brasil está no centro das reclamações de empresas multinacionais

O Brasil se tornou fonte de preocupação em 2014 para boa parte das multinacionais atuantes no país, que se queixaram da economia fraca, aperto no crédito, inflação e câmbio durante a divulgação de seus resultados nas últimas semanas. 

Levantamento da Folha, feito a partir de teleconferências, identificou que 85 empresas estrangeiras citaram o Brasil em seus comentários. 


Editoria de arte/Folhapress

Do total, 54 apresentaram reclamações. Para 12 delas, a atual situação econômica do país não está impactando os resultados, enquanto 19 veem boas oportunidades no país. 

O setor de veículos se destaca entre as reclamações. Empresas como Daimler (dona da marca Mercedes), Volvo, GM, Ford e Scania apontaram a baixa demanda, o ambiente difícil para os negócios e o câmbio como obstáculos a um bom desempenho neste ano no país. 

Para as multinacionais, a alta do dólar prejudica a conversão dos lucros apurados em reais para a moeda norte-americana. Em alguns casos, também provoca um aumento de custos na moeda local. 

"Estamos acompanhando de perto o que está acontecendo com o real. Historicamente, não temos sido capazes de recompor isso totalmente com aumento de preços", diz Chuck Stevens, vice-presidente da GM. 

A expectativa de um ano ruim é mais forte entre as fabricantes de caminhões, preocupadas com o menor volume de recursos do PSI (programa que facilita a compra de caminhões) e a alta dos juros nas operações. 

"Depois dos subsídios, é a hora da ressaca. Estamos antecipando para este ano uma queda de 10%, aproximadamente", disse a analistas Wolfgang Bernhard, chefe da divisão de caminhões e ônibus da Daimler. Em 2014, o desempenho da unidade no Brasil já teve queda de 13%. 

O mau momento do setor automotivo, com queda de 16,8% na produção em 2014, também se refletiu na emissão de remessas de lucros e dividendos para as matrizes. 

No ano passado, o valor caiu 73%, para US$ 884 milhões, e foi o principal fator para a redução de 11% no total de remessas em 2014. 

O desempenho ruim abalou também fornecedores, como a Cummins, fabricante de motores. A receita da empresa caiu 17% no Brasil, devido à fraqueza no mercado de caminhões. Para este ano, a empresa vê um cenário ruim, com uma queda de 15% na produção de caminhões.

CRÉDITO
 
O aperto no crédito também afeta fabricantes de sementes e defensivos agrícolas. "Por anos, o governo tem apoiado a agricultura com a oferta de crédito, mas isso tem diminuído", diz John Ramsay, diretor da Syngenta. 

No mercado de consumo, a baixa confiança afeta os negócios. A Whirlpool, dona de marcas como a Brastemp, mencionou em teleconferência "incertezas na base de consumidores", após as recentes medidas econômicas. 

"A demanda por eletrodomésticos no Brasil continua desafiadora e apresentou uma queda no quarto trimestre", disse Keith McLoughlin, presidente da Electrolux. 

EFEITO PETROBRAS
 
Os desdobramentos da crise na Petrobras também assombram os fornecedores de equipamentos para a indústria de óleo e gás. 

A National Oilwell Varco, fabricante americana de sondas para perfuração, informou atrasos de pagamentos de alguns estaleiros. 

A Schlumberger, que também fornece serviços e equipamentos para petroleiras, comentou os cortes de investimentos da estatal. "Haverá desafios no Brasil neste ano", disse Paal Kibsgaard, presidente da empresa. 

Indagado sobre o ambiente de negócios no Brasil, diante dos problemas que enfrenta a Petrobras, Jeremy Akel, executivo do Bristow Group (firma de helicópteros que opera com plataformas), mostrou confiança no longo prazo. "Qualquer problema que eles tiverem será resolvido, e voltarão a investir para aumentar a sua produção".


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