08 junho, 2016

PREVI – o que nos espera na linha do horizonte?



Sabemos que a ganância não tem limites e são muitas as aves de rapina que há muito se beneficiam dos fundos de pensão em nosso país. Por isso mesmo, uma centena deles foi pulverizada nessas últimas décadas e ficou tudo por isso mesmo. Afinal, quem ainda se recorda dos fundos: Banerj, BASA, Ferroviários, Banespa, Aeros, Aerus, entre tantos outros? A lista é longa mas o brasileiro parece não ter memória, ou interesse, para tais ‘detalhes’, não é mesmo? E no caso da nossa PREVI, os desvios milionários mais recentes aconteceram com as inversões na Sete Brasil e na Invepar.

Também está comprovado, pelos seguidos fatos, que as torneiras da corrupção sempre estiveram abertas para a iniciativa privada nas contumazes relações promíscuas do governo com o setor privado. E no cenário atual, devemos observar que os fundos de pensão, a Petrobras, a Eletrobras e a CEF estão entre os últimos ativos a serem utilizados pelo governo que se encontra, segundos os alardeados fatos, em elevado grau de carência de recursos.

Assim, segundo notícias recentes, o governo tem pressa na aprovação de um Projeto de Lei que o habilitará a contar com mais uma saída para a ‘eventual’ hipótese de custear parte de suas necessidades financeiras pois a aprovação desse PL facilitará, havemos de concordar, o gerenciamento do governo, também, sobre os fundos de pensão que são considerados por ele, o governo, como: “É mais meu, do que seu”.

E se esse projeto for aprovado, como desejam, ficaremos, associados, dependentes e pensionistas, limitados a meros 33% dos votos, em qualquer decisão sobre o nosso fundo de pensão. Isso sinaliza a vitória do patrocinador (leia-se: governo federal!) nas futuras decisões nos fundos de pensão. E, em tal configuração, além do ‘Voto de Minerva’, o patrocinador contará com confortáveis 66% do poder de decisão.

Ainda mais constrangedor é que a nossa participação na Diretoria Executiva, atualmente em 50% (os colegas eleitos por nós!), cairá para zero %, o que significa que 100% dos votos dessa DE serão do domínio do patrocinador.

Tal contexto, inviabiliza a nossa participação nas decisões e, assim, o nosso patrimônio - mais de 158 bilhões de reais (a segurança da manutenção das nossas aposentadorias, dos nossos dependentes e dos pensionistas) - ficará à mercê dos mesmos agentes gananciosos de sempre.

Curiosamente, nessas últimas décadas, muitas mensagens veiculadas por meio da Internet alertavam ao nosso público-alvo – e a tantos outros dirigentes de nossas associações - sobre a continuada e crescente ganância das aves de rapina sobre os fundos de pensão.  Mas, essas ações e iniciativas, pelas atuais evidências, não redundaram em nada de positivo.

Por isso, os dados exibem que nessas referidas décadas mais de uma centena de bilhão de reais foi confiscada, em formatos e maquinações diversas, do nosso fundo de pensão. Só o BB, depois do acordo BB x Previ, de 1997, retirou do nosso fundo de pensão, em valores corrigidos, em magistral trabalho feito pelo colega Ruy Brito, mais algumas dezenas de bilhões de reais.

Mesmo assim, a maioria dos nossos colegas sequer demonstrou que percebeu ou se incomodou com esses aberrantes fatos e ocorrências.

Portanto, parece que só nos resta esperar o desenrolar dos acontecimentos. Afinal, segundo a mídia, os gestores do país, desde sempre, sinalizam o desejo de sanear a nossa economia para, em prima instância, ‘honrar’ os pagamentos (lucros astronômicos propiciados pelas maiores taxas de juros do mundo) dos 'investidores' estrangeiros que, na verdade, sempre se utilizaram do Brasil como um grande e enriquecedor cassino para o crescimento de suas riquezas pessoais.

Assim, pelo elenco dos fatos listados, tão acintosamente corriqueiros e tão repetitivos, em nossa história política e econômica, não podemos vislumbrar qualquer solução na linha do horizonte. Parece, pois, que só nos resta rezar.

Norton Seng
(BSB, 07.06.2016)

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