26 fevereiro, 2016

Presidente da Associação de Funcionários do Banco do Brasil acusa fundo de pensão de atuar de acordo com os interesses do PT

Caros consortes, 

Sendo hoje uma sexta-feira quero deixá-los com uma matéria objeto de reflexão para o fim de semana. 

A matéria data de 30 de abril de 2005 e versa sobre os danos e avarias do governo petista em denúncia feita por Valmir Camilo então Presidente da ANABB, um mês antes do mensalão quando a casa caiu e Pizzolato, que era Presidente do CD da PREVI, foi destituído e no Mensalão foram envolvidos BB, Previ, Daniel Dantas, Visa Net etc. Portanto, suponho que se explica o ódio dos petistas por Valmir Camilo, que infelizmente, não se candidatará às Eleições PREVI 2016.


Conselheiro diz que denunciará ação da Previ 

JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL 

O presidente da Associação Nacional de Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), Valmir Camilo, diz que pretende denunciar ao Ministério Público Federal e aos congressistas os dirigentes da Previ, fundo de pensão dos funcionários do BB. Camilo, que também é conselheiro da Previ, acusa os demais dirigentes de estarem gerindo a Previ de acordo com interesses do governo e do PT.

Em entrevista à Folha, ele afirmou que presidente da Previ, Sérgio Rosa, e os demais conselheiros ligados ao PT vêm fechando negócios sem prestar explicações aos participantes da Previ. O objetivo seria arrecadar mais recursos para a campanha petista nas eleições do próximo ano.

Além disso, diz ele, dirigentes do fundo estariam agindo, ao lado do PT, em favor da Companhia Vale do Rio Doce (CRVD), em que a Previ tem participação. Isso estaria acontecendo em detrimento da Brasil Ferrovias, outra empresa na qual a Previ é sócia.

Ele também critica a atuação no setor de telecomunicações. "[A disputa da Previ com o banqueiro Daniel] Dantas é uma cortina de fumaça para encobrir essa relação espúria do PT com os italianos [Telecom Italia]. Está na cara que aí tem dinheiro grosso, de campanha", afirmou Camilo.

A Previ é acionista da Brasil Telecom e liderou os fundos de pensão na disputa com o grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. Até a última quinta-feira, quando fechou um acordo com a Telecom Italia, Dantas acusava os fundos de pensão de jogarem acompanhados dos italianos contra o Opportunity na disputa pelo controle da operadora. Em entrevista concedida dois dias antes do anúncio do acordo, Camilo seguiu pelo mesmo raciocínio.

"O Dantas tinha um acordo, [eu sei] porque estava lá. Ninguém me contou. A Previ ia comprar a Embratel e fez um acordo com o Opportunity", disse. "Os fundos iam aparecer como donos da Embratel, e o Dantas ficaria administrando a fixa [Brasil Telecom] escondido." Para Camilo, os atuais dirigentes estão embarcando na briga das teles "de gaiatos".


Logística

O presidente da Anabb questiona também a reestruturação societária da Brasil Ferrovias, companhia em que a Previ é sócia majoritária. Na avaliação de Camilo, o negócio vem sendo conduzido para beneficiar Vale do Rio Doce.

"Por que o PT faz questão, se ele tem quatro vagas no Conselho da Vale, de tirar todos os técnicos da Previ de lá e botar quatro militantes do partido? Ele [PT] vai operar a Vale junto com o Bradesco, sem que a Previ possa saber", afirmou durante a entrevista à Folha.

Questionado como a Previ não saberia, uma vez que o presidente do fundo também é presidente do Conselho de Administração da Vale, Camilo respondeu: "Mas ele [Sérgio Rosa] não está a serviço da Previ. Estaria a serviço de quem? É inadmissível que existam quatro vagas no conselho administrativo de uma empresa que representa 15% dos ativos da Previ e todos [os conselheiros indicados pelo fundo] sigam a mesma linha de pensamento político, sem nenhum técnico."

Alertado pela Folha da gravidade das acusações, Camilo afirmou estar tranqüilo. "Eles [os dirigentes ligados ao PT] sabem que [as provas] existem", disse.

"Se eles não têm responsabilidade, por que eu vou ficar segurando esse rojão? Eles estão operando o sistema, pô!", disse Camilo.


Fiscalização

O presidente da Anabb informou também que procurou o presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão, para relatar problemas na Previ.

"A coisa não funcionou", disse. "Qual é a capacidade que o Rossano tem hoje de chamar o Sérgio [Rosa] lá e enquadrá-lo? Nenhuma." O presidente do BB assumiu o cargo definitivamente há menos de um mês. Segundo fontes da instituição, nenhuma prova de má gestão da Previ foi apresentada a ele por Valmir Camilo.

Na avaliação do presidente da Anabb, o sistema de fundos de pensão sofre com uma fiscalização viciada.

"O secretário [de Previdência Complementar, Adacir Reis, era assessor do ministro [da Secom, Luiz] Gushiken. Esse setor está sendo operado pelo Gushiken. As pessoas administrando [os fundos de pensão] estão nas mãos dele e quem controla e fiscaliza também. Qual é a garantia dos participantes?", indagou.


Prejuízo

Quanto a possíveis prejuízos aos associados da Previ, Camilo disse crer que faltará dinheiro para o fundo de pensão no futuro. Isso porque a entidade estaria usando uma base de cálculo que não corresponde à realidade.

"Esse superávit [que a Previ registrou em 2004], a gente sabe que é coisa de mercado. A Previ trabalha com uma tábua de mortalidade que não resiste no tempo. Joga a reserva atuarial lá para baixo, não é? E ainda sobra superávit", disse o presidente da Anabb. "O fundo tem de trabalhar com dados reais ou vai faltar dinheiro no futuro. Eles não estão encarando essa discussão."

Por conta de declarações do presidente da Anabb à imprensa, o senador José Jorge (PFL-PE) apresentou um requerimento na última quarta-feira convidando o presidente da Previ e Valmir Camilo para se explicarem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

"Fui eleito [para o conselho da Previ] com eles [dirigentes ligados ao PT]. Foi feito um acordo de eleição [para dirigentes da Previ] no ano passado. [O tempo passou] e estou aqui [no conselho da Previ] há um ano. Um ano sem fazer nada, nada, nada", afirmou Camilo. "Estou esperando ser convidado para ir ao Congresso e debater com parlamentares, começar uma discussão. O PT não pode continuar operando os fundos de pensão como ele está operando. Fizeram um acordo para ficar na moita. Eu rompo o acordo. Não vou ficar na moita, não. Não cumprem nada com a gente", afirmou.





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