22 fevereiro, 2016

Falta coragem para reformar a previdência (3)

Data: 22/02/2016 Veículo: ZERO HORA - RS Editoria: NOTICIAS Página: 24
Assunto principal: PREVIDENCIA




O governo anunciou na semana passada que, dentro de 60 dias, enviará ao Congresso Nacional suas intenções para uma reforma na Previdência, mas não adiantou exatamente o que proporá. Em vez disso, o ministro do Trabalho e da Previdência, Miguel Rossetto, afirmou que o Executivo buscará consenso em relação a temas complexos, como a diferença de regras para a aposentadoria entre homens e mulheres. Mesmo com toda essa cautela, as reações foram negativas, especialmente por parte das centrais sindicais e de parlamentares da própria base aliada, que não querem assumir o desgaste político decorrente das mudanças. 

É uma ilusão imaginar que haverá consenso num tempo tão complexo. Por isso, está mais do que na hora de o governo enfrentar resistências e fazer uma proposta coerente, objetiva e moderna de reforma previdenciária. Sem mudanças nas regras, a sustentabilidade do sistema ficará comprometida em pouco tempo, pois os déficits já vêm se acumulando. Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, o número de trabalhadores ativos já não sustenta mais o contingente de inativos. 

Evidentemente, como o próprio governo faz questão de ressaltar, a mudança terá que respeitar os direitos adquiridos e incluir uma regra coerente de transição para os trabalhadores que estão ingressando no sistema. Mas é impossível fazer essa omelete sem quebrar os ovos: haverá perdas e desgaste político decorrentes das alterações. Tanto o governo quanto o parlamento terão de contornar as resistências, de preferência com diálogo, mas também com a firmeza que o momento exige.
 
 
 

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