24 fevereiro, 2016

O Preço de um Alento

“Além disso, aguarda-se que a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil-ANABB, sob nova direção, saia da ambiguidade em que sempre esteve e faça algo, inclusive apurando o que de verdade existe sobre o envolvimento da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil-PREVI, nos escândalos do governo”

“Infelizmente, o Brasil caminha noutra direção e, por isso, o caos se avizinha. Não há crescimento econômico, o desemprego estrutural continua fazendo vítimas, o descalabro atinge a educação, saúde, estradas, saneamento básico; Os conflitos no campo se generalizam por negligência e falta de vontade política na efetivação de uma reforma agrária que não consegue sair do papel.”

Esses dois primeiros parágrafos parecem ser discursos da oposição ao atual governo. Mas não.   São da oposição ao governo neoliberal e privatista de FHC e seus aliados. São trechos de um livro de autoria de Lúcio Flávio V. Lima, sob o título de “A AGONIA DE UM POVO – Nacionalismo x Gobalização” (1999), crítica ao governo tucano, muito bem embasada, no qual há um depoimento de Fernando Amaral Baptista Filho, nome sempre presente há muitos anos em nossa rotina diária com a ANABB, PREVI, CASSI e BB. Ambos, Lúcio Flávio e Fernando Amaral são das fileiras do BB.

Nós, ativos e aposentados integrantes dos fundos de pensão, temos um fantasma a nos perseguir e nos atemorizar, que é a drástica depreciação dos seus ativos na Bolsa, decorrente do aparelhamento político das empresas estatais, com as respectivas administrações tendo livre  acesso aos seus recursos financeiros para abastecer interesses particulares de políticos e de partidos. A corrupção, esse monstro que sempre existiu desde outros governos, assume atualmente proporções escandalosamente gigantescas. Soma-se a isto, a crise econômica com forte presença de um ingrediente político pernicioso, para o qual interessa os efeitos da crise, valendo da máxima do “quanto pior, melhor”. Sem dúvida, há por trás disto uma arquitetura de interesses maiores que ambos os lados políticos já não conseguem  e nem se preocupam em ocultar.

De um lado, um projeto de permanência no poder que está se esgotando por conta da impossibilidade de ocultar os efeitos devastadores dos assaltos e desvios de recursos cometidos sob as mais diversas e ardilosas formas de corrupção contra o Tesouro, as estatais, os fundos de pensão, a Previdência e a Saúde Pública, e onde mais houvesse recursos acessíveis.

Do outro lado, uma oposição com um projeto de retorno ao poder, que conta com os favores do  tempo que fez a maioria do eleitorado esquecer o rastro entreguista da privataria tucana no período de 1995 a 2003, com FHC.

Durante seus mandatos, o esforço do governo tucano foi dedicado a privatizar as estatais estratégicas e cobiçadas pelo poder econômico nacional e predominantemente internacional. Sistema Telebrás, Vale do Rio Doce, não ficando de fora nem mesmo o Banespa. É um fato que por maior que fosse o esforço estatal, pela sua estrutura complexa e limitada capacidade técnica, não conseguiria atender plenamente a crescente demanda nacional pelos benefícios dos seus produtos e serviços que o desenvolvimento da nação exigia. Inclusive pela demanda internacional para o caso da Vale. Privatizar era preciso, mas de forma estratégica, a preservar os interesses nacionais maiores, e nossa dignidade. E isto não aconteceu. Quando não se entregou as empresas a preço vil,  vendeu-se a preço financiado pelo nosso próprio Tesouro, e a juros reles. Não temos o direito de ser inocentes a ponto de faltar a certeza de que políticos tucanos também se locupletaram  fartamente com esses “bons negócios” para o nosso Brasil.

Hoje, não faltam críticas grosseiras aos que votaram em Lula, e em particular, aos colegas do Banco. Não se lembram, porém, da irresistível pressão que se exercia no sentido de privatizar o Banco do Brasil, começando pelas severas restrições às suas áreas de atuação, restrições estas que partiam dos próprios ministros das áreas econômicas. Naqueles tempos, fomos tomados por um grande temor pela privatização e suas consequências para nós e para a Nação. Não tínhamos outra opção viável para preservar o Banco do Brasil. Não quero com esta consideração, dar justificativa  a essa “ideocracia “ que veio a se instalar no País, e que a História Contemporânea já demonstrou seu fracasso político, administrativo e econômico, e suas consequências sociais, em diversas partes do mundo.

Não pode cair no esquecimento a torpe e engenhosa tentativa de criar uma nova imagem da empresa que era motivo de orgulho nacional, e ainda é, apesar da devastação moral e econômica a que está sendo submetida pela corrupção que a assola, e pela suspeitosa queda brusca do preço do petróleo. O que FHC não conseguiu fazer com Petrobrax, o atual governo está fazendo, como um tiro no pé, graças à ganância voraz dos seus políticos que arruinaram a empresa orgulho nacional. Essa profusão infindável de denúncias de corrupção, os grandes rombos abertos na sua estrutura econômica e financeira, a queda do preço do petróleo, aguçam o apetite privatista. Segundo informações de O Globo, recursos da ordem de US$6 bilhões poderão ingressar na Petrobras pelos canadenses Brookfiel e o Canadian Pension Plan Investiment, e é esperado também um grande aporte de dinheiro chinês. Este anúncio, e mais o comportamento da OPEP com a alta do preço do petróleo, já foi o suficiente para melhorar um pouco a cotação das ações da Petrobras nas Bolsas.

E para nós da PREVI, especialmente do PB 1, assim como os integrantes dos demais Fundos de Pensão, que estamos vendo uma grande fatia dos nossos ativos depositados na Petrobras desabarem, levando junto nossa confiança no futuro, temos que aceitar, por fim, o aumento da presença do capital privado para viabilizar a continuidade da Petrobras e recuperar sua rentabilidade, da qual muito dependemos. É o preço que temos de pagar por esse alento.

Bolsa em 23/02:  Petr3 = R$7,08 ; Petr4 = R$4,92
Petr3 = ON (ordinária nominativa, teoricamente dá direito a voto)
Petr3 = PN (preferencial nominativa, não dá direito a voto)
 
As dividas da Petrobras para com os Bancos, serão transformadas em ações, conforme notícias nas páginas de economia dos jornais. De credores, passarão a ser sócios.

BB = R$26 bilhões, Caixa R$11 bilhões e BNDES R$50 bilhões


Abraço
Roberto Abdian



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