29 setembro, 2016

INFORMATIVO DO MANDATO > Diretoria de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes





“Insanidade: é fazer as coisas sempre do mesmo jeito e esperar resultados diferentes.” Albert Einstein 

Caros colegas e amigos, 

Iniciamos nosso mandato na CASSI, em junho/16, no pior momento da história da entidade, preservando os princípios defendidos e as concepções de sistema de saúde integrado que vem sendo implementadas. Quaisquer mudanças substantivas para melhorar a gestão dependerão de uma equipe técnica profissional comprometida com a entidade, governança, investimentos estruturantes (RH, tecnologia, processos internos, programas assistenciais, educação em saúde, comunicação e novos produtos mercadológicos), cujo foco deverá priorizar ações estratégicas, que visem o ponto de equilíbrio de um plano de saúde: sua sustentabilidade. 

Nesse aspecto, fizemos mudanças importantes ao formar uma equipe de trabalho capaz de dar as respostas aos grandes desafios encontrados na entidade. A Diretoria de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes envolve desde as negociações com os prestadores (cerca de 35.000), planos de saúde (regulação do acesso) e a área de relacionamento com associado/participante (Central-SP - 0800). Pilar que responde por um número considerável de funções estratégicas, que move a vida da entidade. Estamos ainda, colocando a “casa” em ordem, reavaliando, aperfeiçoando os processos internos, projetos inacabados, regularizando pendências e cobrando do Banco responsabilidades. Caso do PAS (Programa de Assistência Social – 2010/2016) no valor de R$ 5.553 milhões já recebido pela CASSI em julho/16. Implantação da TISS 3.0 (Troca de Informações de Saúde Suplementar) junto com as áreas intervenientes, conforme exigência da Agência Nacional de Saúde (ANS). Além disso, aprovamos a inclusão do parente 4o grau no CASSI Família, conforme RN (Resolução Normativa) no 355 de 12.09.2014 da ANS. 

Não faremos as mesmas coisas que não funcionaram no passado. Traremos formas inovadoras de enxergar a gestão de maneira sistêmica. Por meio dessa visão, que vem a construção de uma boa governança, interagindo com todos os funcionários da Sede, gestores das Unidades, os Conselhos de Usuários e, principalmente, com a Presidência, Diretoria de Administração e Finanças e Diretoria de Saúde e Rede de Atendimento, buscando encontrar e efetivar soluções ao cotidiano da CASSI. 

O debate dentro da entidade deverá estar a serviço das boas ideias voltadas às práticas de políticas sociais na área de saúde, onde devemos estabelecer um clima de confiança, motivação e compromisso mútuo no enfrentamento das dificuldades. A experiência construída na minha formação na área de saúde, aliada aos 15 anos vividos nos Conselhos de Usuários, tem contribuído para buscar alternativas factíveis de resolver os problemas vividos pela CASSI no presente, que tem relação com o passado e caminhos que seguiremos para entregar uma entidade melhor no futuro. 

Ao longo de seus 72 anos de vida, a CASSI percorreu diversos momentos, que resultaram em 9 (nove) reformas estatutárias. Tratando problemas estruturais investindo num modelo sanitarista. Enxergar a nossa principal entidade como um efetivo sistema de saúde que necessita de capacidade ( nanceira e gestão) para ofertar uma assistência de qualidade, frente aos custos crescentes, promovendo saúde, prevenindo adoecimentos, por meio de uma atenção primária resolutiva e um sistema de serviços integrados, interferindo, favoravelmente, no cotidiano das pessoas, tornou-se um grande desa o. 

Um dos equívocos nessa trajetória recente foi não ter rediscutido o modelo de custeio da entidade em 2012, quando o balanço daquele ano registrava um dé cit operacional (R$ 45 milhões) já incluindo Receitas Extraordinárias (RE) no valor de R$ 120 milhões e com tendência de agravamento. À série histórica de RE (2011-2015), envolvendo o Benefício Especial Temporário (BET) + coparticipações retroativas, somaram-se R$ 440 milhões. Por essa razão os dé cits não atingiram valores ainda mais elevados, perante um custeio de 7,5% congelado há duas décadas e as receitas salariais sem acompanhar as despesas médico-hospitalares. 

A aceleração dos custos, que tem como uma de suas forças expansivas o modelo de pagamento por procedimento de um modelo de internação hospitalar – “conta aberta” – em que ocorre a cobrança de cada item consumido, insumos como OPME (órteses, próteses e materiais especiais) e MAT/MED (materiais e medicamentos), sem políticas de regulação efetivas desse mercado contribui para tornar o sistema de saúde insustentável. O incentivo econômico é direcionado para maior consumo e não para a maior e ciência. Esse reflexo é observado no comportamento dos planos de saúde, onde a cada 5 (cinco) anos os valores médios de contribuição dobram de preço. Algo impagável ao longo do tempo.

O índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH), principal indicador utilizado pelo mercado de Saúde Suplementar como referência sobre o comportamento de custos, registrou alta de 19,3% nos 12 meses encerrados em dezembro de 2015. Já a inflação, medida pelo IPCA, cou em 10,67% no mesmo período. 

Um dos dilemas do setor saúde é a elevação da expectativa de vida numa perspectiva de viver melhor diante dos avanços dos custos na saúde em tecnologias, onde nos diversos casos, os procedimentos ao sistema são feitos de forma acrítica e sem avaliação de seu custo-efetividade. Já estamos rediscutindo, junto à ANS, necessidade de diferenciar planos de autogestão dos planos de mercado (seguradoras) com suas normas regulamentadoras, multas e taxas produzidas aos planos de autogestão (sem ns lucrativos), desfocada das dimensões continen- tais do Brasil, com grandes diferenças regionais. Precisamos regular o mercado da saúde, inserindo os custos médico-hospitalares e estabelecendo a justeza do realizado e do cobrado. Importante destacar que as autogestões oferecem cobertura mais ampla do que os outros planos de mercado e possuem maior percentual de população acima de 60 anos. 

Temos construído agendas, via audiências públicas, fazendo com que esse debate de esfera política, seja ampliado pela UNIDAS (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde), parlamentares, Ministério Público, ANS e Ministério da Saúde. Mas, precisamos também tratar a nossa situação nanceira no âmbito da gestão e do corpo social, para que possamos ofertar uma assistência ampla, nacional, com programas sociais e solidária. Nesse aspecto, camos um ano e meio, em que as negociações com a CASSI não trouxeram propostas avançadas e o tempo conspirando contra as necessidades da entidade em pagar seus compromissos, além do contingenciamento do orçamento por quase dois anos, diante do aumento dos serviços, sem contratações e melhorias nas estruturas físicas, tecnológicas e de recursos humanos. Enquanto isso, a CASSI avolumando seu dé cit, que chega em torno de R$ 40 milhões mês. 

Não há soluções de nitivas na saúde e as saídas não passam pelo campo do individualismo. Precisamos encontrar o melhor caminho frente à realidade de momento, perante à real situação da entidade, levanto em conta a correlação de forças para obter do Banco uma proposta melhor, as mudanças no campo político-econômico, a crise no sis- tema de saúde sem prazo para terminar, com planos de saúde quebrando, o tempo que a CASSI tem para continuar honrando seus compromissos e a importância de termos um plano de saúde dessa magnitude, que atende mais de 700 mil vidas. Contexto que tenho dialogado com as Unidades, Conselhos de Usuários, demais entidades, colegas da ativa e aposentados. 

A campanha salarial, desde ano, foi construída numa conjuntura complexa, onde a crise não atingiu o setor que mais lucra no País: os bancos. Mais uma vez, os bancários de agraram uma greve por tempo indeterminado, frente a in- transigência da FENABAN, que não considera os altos lucros, em função do trabalho dos bancários e das condições impostas no cumprimento de metas. Tenho clareza que todas as conquistas obtidas, por nós, foi fruto de muita luta e greves históricas. A pauta reivindicatória que norteou as campanhas salariais continuará em evidência na busca de direitos que foram retirados de forma unilateral pelo Banco (interstícios 12% e 16% para 3%), o anuênio, perdas salariais acumuladas da era FHC, melhorias das condições de trabalho e isonomia. O ganho real conquistado a partir de 2004, resultado de muito barulho e paralisações. Situações que re etem, também, na vida nanceira da CASSI, quando buscamos melhorias nos salários dos funcionários e elevar o nosso PCS. A campanha salarial, desde ano, virou uma queda de braço, onde a FENABAN não sinaliza a possibilidade de repor a in ação e traz, no seu pacote de maldades o famigerado abono salarial, situação vivida por nós na década de 90, onde tivemos o maior arrocho salarial da história do BB. Devemos rechaçar a política de abonos pelos efeitos malé cos que traz para o funcional- ismo e a CASSI. Os bancos projetam novas reestruturações e redução de funcionários. E a greve já se arrasta com 23 dias de mobilização. Porém, não podemos deixar de retomar as tratativas sobre CASSI, diante da gravidade e da urgência que o tema impõe. 

As recentes negociações BB x CASSI foram retomadas em 18.07.16 até chegarmos no dia 05.09.16 com uma nova proposta. Investimentos a serem realizados pelo próprio banco e pelos associados, totalizando um incremento na arrecadação de receita de aproximadamente R$ 40 milhões mensais, até dezembro de 2019, além de contratação de consultoria especializada para avaliação dos projetos estratégicos estruturantes. A proposta cita o incremento de arrecadação que será custeado da seguinte forma:
Associados – por meio de uma contribuição mensal extraordinária de 1% (R$ 17 milhões) sobre os salários e benefícios; 

Banco do Brasil – pelo ressarcimento mensal extraordinário de R$ 23 milhões, reajustado anualmente, e pela contratação e pagamento de despesas com a empresa especializada de consultoria.
Ficam preservados o plano de associados (ativa e aposentados), o princípio da solidariedade e os programas assistenciais. O referido rateio será temporário. 

O cenário atual precisa ser mudado com ações de curto, médio e longo prazo, reavaliando todas as áreas (Sede e Unidades), a complexidade do sistema de saúde e investimentos estruturantes. Para isso, precisaremos que os dé cits sejam cobertos para que se dê uma oportunidade para nossa principal entidade voltar a ter uma vida normal. E termos a compreensão que milhares de colegas se encontram necessitando do amparo dessa entidade e não podemos correr os riscos de suspensão dos atendimentos. 

A CASSI é maior que todos nós!
Abraços fraternos, 

Humberto Almeida
Diretor de Planos de Saúde e Relacionamento com Clientes 


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