26 setembro, 2016

Escândalo após escândalo, PT definha na terra natal de Palocci

Na juventude, Palocci militou na Libelu (Liberdade e Luta), grupo que defendia ideias trotskistas. Mais tarde, foi um dos fundadores do PT. Em 1988, foi eleito vereador em Ribeirão Preto (SP). Em 1990, virou deputado estadual. Na foto, Palocci, primeiro a esquerda, e outros deputados do PT em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo

Escândalo após escândalo envolvendo seu maior ícone, Antonio Palocci, o PT de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) viu sua votação definhar nas últimas eleições e, neste ano, nem candidato à prefeitura lançou. 


É a primeira vez que isso ocorre desde a década de 80, justamente quando Palocci começou a despontar na política local. 

Palocci foi preso temporariamente nesta segunda (26) na 35ª fase da Operação Lava Jato. 

Eleito vereador em 1988, ele não cumpriu o mandato -o que passou a ser rotina em sua carreira política- e renunciou quando venceu a eleição para deputado estadual, dois anos depois. 

Em 1992, disputou a Prefeitura de Ribeirão pela primeira vez, renunciando ao mandato de deputado. Voltaria a vencer a eleição municipal em 2000, ainda no primeiro turno. Não fez seu sucessor em 1996, mas a disputa foi ao segundo turno. 

Vivia o auge de popularidade na cidade e, em novembro de 2002, renunciou para comandar a equipe de transição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Depois disso, o PT nunca mais chegou sequer ao segundo turno na cidade. Em 2004, seu vice, Gilberto Maggioni, que assumiu o governo após a renúncia, amealhou 25,74% dos votos (62.356) e ficou atrás do eleito, Welson Gasparini (PSDB), e do segundo colocado, Baleia Rossi (PMDB). 

O escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, em 2006, resultou na demissão de Palocci do Ministério da Fazenda, e a votação do partido nunca mais passou de 15% na cidade. 

Em 2008, o candidato Feres Sabino, por exemplo, obteve 23.839 votos, ou 8% dos válidos. 

Um novo episódio envolvendo Palocci resultou na entrega do cargo na Casa Civil, em junho de 2011, após a Folha revelar que ele multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e 2010, quando era deputado federal e manteve, paralelamente, uma consultoria privada. 

No ano seguinte, o PT lançou o juiz aposentado João Gandini como candidato, mas mais uma vez a votação ficou abaixo da expectativa: 45.655 votos, 15% dos válidos. 

Sem um nome forte em seus quadros, o PT desistiu neste ano de lançar concorrente. A escassez de recursos financeiros foi outro motivo apontado para a decisão. 

Com isso, o partido apoia o sindicalista Wagner Rodrigues (PC do B) na disputa. A depender das últimas pesquisas, também não conseguirá sequer ir ao segundo turno. 

O candidato, que foi levado a depor coercitivamente na operação Sevandija, obteve 1% das intenções de voto conforme pesquisa Ibope divulgada no último dia 15. 

SUSPEITA
 
Antes mesmo de escândalos envolvendo seu nome no primeiro escalão do governo federal, Palocci viu sua rápida segunda gestão à frente da Prefeitura de Ribeirão -23 meses- se notabilizar por uma licitação sob suspeita. 

O governo do petista abriu processo licitatório para comprar 41.787 cestas básicas que exigiam, em sua composição de produtos, a presença de uma lata de molho de tomate com ervilha, fabricado à época por apenas uma empresa. O caso foi parar na Justiça. 

Juscelino Dourado, também preso temporariamente agora na Lava Jato, foi secretário (Casa Civil e chefia de gabinete, entre outras funções) dos governos de Palocci em Ribeirão Preto. 

A operação cumpriu, nesta segunda-feira (26), mandado de busca e apreensão num imóvel da família de Palocci em Ribeirão Preto. Os documentos apreendidos serão levados à PF em Curitiba. 

FOLHA



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