14 setembro, 2014

Medo faz Marina evitar viagens de jatinho



Na ensolarada manhã de sábado (6), em São Paulo, a candidata do PSB à Presidência da República entrava pela primeira vez em um avião de oito lugares desde o acidente que há um mês matou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. 


"O piloto me falou sobre o bom tempo, mas não adiantou. Continuo pedindo a Deus que nos proteja e rezando muito. Mas, na hora que o avião balança, perco a compostura", disse a candidata. 


Lembrar do acidente que matou o ex-companheiro de chapa ainda faz Marina pedir alguns instantes antes de falar com a voz embargada. 





"Não foi fácil assumir o lugar do Eduardo. A gente tinha planejado que ia caminhar junto até começar o programa eleitoral, depois a gente ia se dividir, cada um para um lado [do Brasil], e ele ia crescer nas pesquisas, participar dos debates. Ele estava preparado. Aí você, em 45 dias, tem que fazer tudo isso... não é sozinha, mas é um lugar que eu já tinha entregado a ele", afirmou Marina à Folha


Faltavam três dias para completar um mês da morte de Campos quando ela viajou ao Rio, cidade de onde partiu o avião que levava o ex-governador e mais seis pessoas a Santos (SP), local da tragédia. 


Sentada na última cadeira de um voo comercial —"estatísticas de acidentes aéreos mostram que quem se senta no fundo tem mais chances de sobreviver"— Marina olhava inquieta pela janela. O coordenador de comunicação da campanha, Nilson Oliveira, ia ao lado. "Ele é mais valente", brincou a candidata. 


Pouco antes do pouso, houve uma pequena turbulência. Durou vinte segundos. Marina descruzou as pernas, abaixou o encosto da poltrona, onde segurou firme, de olhos fechados. 

Foi Nilson quem a socorreu. Segurou sua mão até que o chocoalhão cessasse totalmente.

O sofrimento a cada viagem vem desde 1994, quando uma turbulência "muito, mas muito forte" atingiu o monomotor em que viajava de Rio Branco a Brasileia, no Acre. Desde 13 de agosto, porém, o medo piorou e Marina precisa ser acalmada diariamente por amigos e assessores. Um deles, inclusive, comprou um livro com cálculos para lhe dizer que "é quase impossível um avião cair". 

E não foi só o pavor de Marina que cresceu. Sua campanha também tomou outras proporções há um mês. A candidata decidiu que só viaja de jatinho em último caso. De resto, circula nos aeroportos em meio ao assédio dos eleitores e a um esquema de segurança bem reforçado. 

Chega ao aeroporto geralmente uma hora antes da decolagem, em uma van escoltada por ao menos quatro carros. Os candidatos ao Palácio do Planalto têm direito à segurança da Polícia Federal. 

Marina aguarda a chamada dos voos nas salas VIP reservadas para autoridades. 

No avião e nos corredores, muitas fotos e pedidos de autógrafo —motivo que fez Marina ganhar de integrantes da própria equipe o apelido de "Beyoncé da Amazônia", em referência à popstar americana e à origem da candidata. Ao saber da alcunha, Marina se divertiu: "O pessoal está excessivamente generoso. Não tenho tantos atributos".

 
Uol

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