08 setembro, 2014

Economistas de Dilma, Marina e Aécio debatem sobre medidas para o país voltar a crescer

Controle da inflação e autonomia do Banco Central foram alguns dos pontos polêmicos


BRASÍLIA - Economistas representantes dos três melhores colocados na disputa pela presidência da República discutiram as ideias para a área econômica. No debate, num seminário da Associação dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), os pontos mais polêmicos foram como voltar a crescer, controlar a inflação e se o Banco Central deve ou não ter autonomia para impor a política de controle de preços. Um outro encontro entre especialistas dos três principais partidos que disputam a eleição já havia ocorrido no Rio.

Para os economistas responsáveis pelo programa do PSB e do PSDB, o BC deveria ser autônomo e livre de pressões políticas para definir a taxa básica de juros (Selic). Alexandre Rands (economista da campanha de Marina Silva) contou inclusive que foi colega do presidente do BC, Alexandre Tombini, e o classificou como um ótimo economista, mas que não tomou as decisões corretas.
 
— Ele não fez aquilo que ele sabe que deveria — atacou Rands.
 
Já o economista Márcio Pochmann, da campanha da presidente Dilma, foi direto em sentido contrário. E disse que o país não tem condições de dar autonomia ao BC.
 
— O Brasil não tem maturidade democrática. É um retrocesso democrático — frisou, completando: — É retirar do povo a decisão de como deve atuar o Banco Central.

Pochmann falou ainda que não pode deixar essas decisões na mão de “tecnocráticos” com “cabeças de planilha”. Ele ainda defendeu a criação de mais bancos públicos. E disse que há uma “forte névoa que aliena os analistas” e culpou a imprensa por não retratar fielmente a situação da economia brasileira.
 
O economista listou conquistas do governo do PT. Disse que o Brasil é um dos poucos países que conseguiram diminuir pobreza e desigualdade simultaneamente. E que construiu uma base política que negou o neoliberalismo. E alertou que sem essa base política não há como governar a nação.
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— Fazer proposta de reformas sem base no Congresso é ventania. Somente o medo pode nos impedir de dar um passo mais ousado.
 
Ele falou que a definição da equipe econômica será tomada depois das eleições e não para agradar os interesses do mercado financeiro.
 
Mansueto Almeida, economista do PSDB, criticou a falta de transparência, a qualidade dos gastos públicos e o atraso do repasse do Tesouro Nacional para 
Caixa Econômica Federal com objetivo de maquiar as contas públicas. Disse que o país não tem como ampliar as despesas sociais sem voltar a crescer.
 
— A gente não tem dinheiro para ter a mesma saúde da Finlândia ou a mesma educação da Inglaterra. Para isso, a gente tem de crescer. Sem crescimento, não dá para gastar com o social.
 
Ele ainda atacou a atual política econômica:
 
— Esse excesso de intervenção não foi feito por maldade, mas a série de incentivos setoriais não trouxe mais crescimento. Não tem mágica.
 
Já Alexandre Rands criticou a obsessão do governo atual pelo aumento da demanda agregada. E disse que a solução para a economia é educação. Ele apresentou um estudo próprio em que compara o atraso do Brasil em relação aos países desenvolvidos. E concluiu que a diferença é o nível de escolaridade.
 
— O atraso relativo do Brasil é o capital humano, ou seja, o baixo investimento em educação no Brasil. Para isso é preciso de um interesse maior do estado. A prioridade é uma só: investimento em educação — garantiu o economista antes de defender o aumento de salário para ter professores mais qualificados.
 
Ele também criticou a intervenção direta da presidente Dilma Rousseff na economia. Disse que ela é efetivamente é a ministra da Fazenda, do Planejamento e de vários outros ministérios e comanda todos com mão de ferro. Para finalizar, Rands ainda lembrou o escândalo de compra de votos do PT conhecido como mensalão.

Faltou ao debate o presidente do Banco do Brasil, Adelmir Bendine. A presença dele tinha sido confirmada para a abertura, segundo organizadores do evento. No entanto, o executivo, alvo de denúncias recentes na imprensa, o executivo do BB enviou um representante, que justificou que Bendine não poderia estar presente por ter assumido compromissos anteriormente.

Fonte: O Globo

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