23 agosto, 2015

O Perigo está lá dentro

Prezados,

O colega Ronaldo Nieto faz algumas análises sobre alocações na renda fixa e variável dos Planos 1 e Futuro da PREVI.

Envio a vocês para que tomem conhecimento, reflitam e sugiram…. O que faremos?

Att
Isa Musa de Noronha



PREVI – O PERIGO ESTÁ LÁ DENTRO.....
O longo efeito da ̈mão invisível ̈. Invisível pode ser, mas não suas ̈digitais ̈! 

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 Observando as alocações na renda fixa e variável dos Planos 1 e Futuro vemos que os percentuais são praticamente inversos, enquanto as rentabilidades menores ficam para o Plano 1 (vide imagem), não por acaso. 



Na renda variável, no ano passado, apenas a diferença de rentabilidade, ou melhor, a diferença no percentual de perdas entre os dois planos (1,82%), aplicada aos recursos nesse segmento do Plano 1 atingiria a cifra de R$ 1,7 bilhão. Esse montante seria suficiente para pagamento durante aproximadamente dez anos dos compromissos que a Patrocinadora resgatou na PREVI no ano passado, com os pagamentos relativos aos benefícios dos participantes fundadores da PREVI e obrigações por demandas trabalhistas, entre outras, no total de R$ 185 milhões. 

A nossa ousadia na renda variável é tamanha que no Plano 1 o limite de alocação por emissor (Cia Aberta com registro na CVM) não poderia exceder o limite de 10% dos Recursos Garantidores (art.41, inciso III, alínea ̈b ̈), estabelecido na Resolução CMN no 3.792, de 24.09.2009 e estamos com 20,25% no caso da VALE (participação direta e Litel) , ou seja, com o teto extrapolado em mais de cem por cento. 

De longa data, vamos empurrando essa situação sob as mais variadas justificativas e a complacência das autoridades reguladoras posto que atende aos anseios da ̈mão invisível ̈. Há outros dezesseis casos de desenquadramento no segmento variável, basicamente ligados a limites de concentração por emissor (participação no capital total e/ou votante) que mesmo não significativos, também não devem ser considerados desprezíveis. Até o Plano CAPEC extrapolou o limite de alocação por emissor estando ao final do ano em 20,14%, no caso do Banco BTG Pactual, motivado por perdas segundo a PREVI. 

Por outro lado, a alocação que mantemos com destemor em torno de 60% na renda variável no PB1, quando a média dos demais fundos de pensão girou ao redor de 18%, persiste a bem mais de dez anos, e sempre estamos nos propondo a ajustá-la a níveis aceitáveis, livrar-nos um pouco dessa autêntica ̈camisa de força ̈ que nos tira a mobilidade nas alocações dos investimentos nos segmentos de maiores rendimentos, e que consultaria melhor nossos interesses no PB1, em dadas circunstâncias. 

Talvez reconhecendo os alertas recebidos pela excessiva exposição no segmento, a PREVI segundo informa iniciou estudos com participação de consultoria externa visando ̈assegurar que a proporção de investimentos no segmento de renda variável esteja adequada à realidade do mercado e compatível com as práticas internacionais do setor ̈, acredito que nada ou muito pouco vai ser feito na prática pelo efeito da ̈mão invisível ̈ que sabemos existir, embora não possamos ver, somente perceber suas digitais. Pouco podemos fazer a esse respeito e por isso o sentimento de impotência, desamparo que graça entre significativa parcela de participantes e que nos leva conviver com a frustração de sucessivos déficits em nosso plano de previdência, a espera de que algo de extraordinário venha ocorrer e mude tudo isso. É a esperança. 

Aceitarmos essa situação com passividade e permitirmos que os nossos legítimos interesses continuem sendo relegados a segundo plano, estamos apenas dando tempo ao tempo para aguardar a chegada de conta bem mais salgada, caso o panorama não se altere profundamente.

Não devemos ter a expectativa de que a ̈mão invisível ̈ vá assumir a parte exclusiva que lhe cabe em caso de eventual insucesso na estratégia adotada, mandará alguém dizer que a culpa é da conjuntura e outros que tais, coisas ̈bem inteligentinhas ̈ recheadas de ̈justificativas técnicas bem adequadas ̈, próprias para ̈convencer-nos ̈ a assumir a parte que não nos cabe ou não deveria ser nossa. Lembrar-nos até dos tempos felizes que recebemos metade do extraordinário conquistado a duras penas apenas pela ̈sábia ̈ otimização dos investimentos. Seria bem sábia mesmo, se outros fundos de pensão não tivessem também obtido resultados extraordinários nos mesmos períodos, e com muito menor exposição aos riscos. 

Mas no momento, é só olharmos para o lado para percebermos o que está ocorrendo com outras EFPCs, tão grandes ou até maiores que o nossa quanto ao número de participantes, nos ajustes dos déficits existentes, penalizando milhares de participantes pelas inauditas gestões que romperam todas as barreiras de prudência e práticas de governança. 


A PREVI embora detenha muito boa reputação(*) em sua gestão corporativa, poderá por motivos bem diversos, inclusive estatutários, já expostos neste comentário e em outros, convocar-nos a contribuir, e isso nada mais é do que o longo efeito da ̈mão invisível ̈. Podemos até fazer de conta que não a percebemos, mas sem dúvida, se ocorrer e vamos torcer que não, sentiremos a pressão de sua digitais. 

(*) TINHA boa reputação. Neste momento atas são destruídas e tudo fica sem explicações ou punições. Se um Diretor desaparece até com atas pode dar sumiço em coisas muito mais graves) 

Os recursos garantidores são até o momento suficientes para cumprirem os compromissos com os benefícios de aposentadorias e pensões do plano PB1 segundo último dado atuarial existente, porém suas reservas adicionais que se constituem como capa de proteção e segurança estão no meu entender sendo consumidos em velocidade muito acima do razoável: 19 bilhões de 2013 ao primeiro semestre de 2015, basicamente por perdas na renda variável. 

A PREVI encerrou no ano passado com R$ 162 bilhões de ativos totais no PB1, cuja rentabilidade foi de R$ 4,2 bi, tendo sido pagos R$ 8,39 bilhões em benefícios de sua responsabilidade. Na gestão foram consumidos R$ 317milhões em despesas administrativas. 

Vemos que o efeito da ̈mão invisível ̈ está sendo bem longo e causa enorme impacto nos recursos do PB1, fechado, maduro e até então em equilíbrio. (Análises do colega Ronaldo Nieto Mendes) 


3 comentários:

  1. Prezada Leopoldina,
    Está aí um fato relevante a ser levado às duas CPIs em andamento. A atenção que for dada
    nos mostrará o grau de seriadade com que a a questão dos Fundos está sendo tratada.

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  2. Caro Anônimo23 de agosto de 2015 23:21,

    A CPI dos Fundos era a oportunidade que faltava. Depois de batalharmos tanto não podemos deixar escapar a oportunidade de denunciar tudo que esses criminosos nos surrupiaram, a hora deles chegou.
    Há um fato novo que precisa ser tratado com o maior rigor que o tal sumiço da ata, mas esse não está tão "invisíl" assim.

    Grande abraço.

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  3. Quem inutilizou a ata ? Por que ? Em nome da tão cantada em verso e prosa transparência, haveremos de saber ? E aquele relatório de consultoria ? Não seria divulgado ?

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