17 agosto, 2013

BIS alerta para risco de longevidade

 As autoridades de supervisão dos mercados financeiros decidiram agir para 
dar segurança no mercado de transferência de "risco de longevidade", que é
 o risco de planos de pensão públicos e privados terem de pagar pensões e
 aposentadorias por períodos mais longos do que previsto.

 
O fenômeno de maior expectativa de vida observado em vários países traz
 sérios desafios de política social e terá também grande impacto financeiro,
diz um fórum conjunto do Comitê de Basileia de Supervisão Bancária (CBSB),
 da Associação Internacional de Supervisores de Seguros (IAIS) e da 
Organização Internacional das Comissões de Valores (Iosco), reunido no
Banco internacional de Compensações (BIS).

 
Segundo o fórum, o "risco de longevidade" eleva a inquietação sobre a
 sustentabilidade de sistemas de aposentadoria globalmente. Considera que a 
ameaça é "significativa" em termos financeiros.

 
O grupo estima que cada ano adicional de expectativa de vida eleva entre 3%
e 4% no valor atual o passivo dos fundos de pensão. O montante global de
anuidades e pensões ligadas à exposição de risco de longevidade varia de 
US$ 15 trilhões a US$ 25 trilhões. Assim, um ano de longevidade subestima do 
pode aumentar os custos entre US$ 450 bilhões e US$ 1 trilhão.

 
Para administrar essa ameaça, fundos de pensão em vários países procuram 
cada vez mais transferir seus "riscos de longevidade". O fórum dos 
supervisores constata três tipos de transações que vêm sendo usadas, que 
diferem no risco transferido e no tipo de risco criado.

 
O primeiro é a "transação buy-out", pela qual os ativos e passivos de um 
fundo de pensão são transferidos para uma seguradora em troca de um prêmio
inicial. O risco total é diferido (investimento e longevidade, além de 
inflação no caso de planos indexados). No entanto, os aposentados ficam
 expostos ao risco de falência da seguradora.

 
O segundo tipo é a "transação buy-in", em que o fundo mantém seus ativos e
passivos, mas paga um prêmio inicial à seguradora para receber pagamentos 
periódicos que cobrem o desembolso com as aposentadorias. Nesse caso, a
transferência de risco é parcial, com apenas parte indo para a seguradora,
 enquanto o fundo de pensão continua sendo o responsável direto pelos
pensionistas.

 
O terceiro tipo de negócio é o "swap de longevidade", uma estrutura na qual
 pagamentos fixos periódicos são feitos para a seguradora ou resseguradora
em troca de um desembolso periódico baseado na diferença de longevidade. O
 fundo se mantém responsável pelos pensionistas e refém dos riscos de
investimentos.

 
Planos de pensão corporativos têm a maior parte dos "riscos de
longevidade". Para reduzi-los, várias companhias já decidiram fechar os
planos para novos empregados, ou garantir que os riscos de custos
adicionais dos planos sejam cobertos só pelos empregados.

 
O mercado de transferência de risco de longevidade ainda é um território
 pouco conhecido para analistas, acadêmicos e supervisores, diz o fórum
 conjunto. Até recentemente, virtualmente todo o mercado ocorria no Reino 
Unido, mas em 2012 ocorreram três transações em outros países: um acordo de
"buy-out" de US$ 26 bilhões entre a General Motors e a Prudential

 
Insurance, um de "swap de longevidade" de US$ 12 bilhões entre Aergon e o 
Deutsche Bank e outro "buy-out" de US$ 7 bilhões entre Verizon
 Communications e Prudential.

 
No entanto, apesar desses volumes importantes, eles ainda representam "uma
 pequena fração de um mercado com potencial de vários trilhões de dólares",
 relata o fórum.

 
Para o grupo, embora esse mercado ainda seja pequeno para apresentar 
preocupações sistêmicas imediatas, seu potencial e o crescente interesse de
 bancos de investimentos exige que o segmento seja seguro e regulamentado.
 Nesse cenário, as entidades supervisoras de bancos, seguradoras e de
distribuidoras de valores colocaram em discussão pública várias
 recomendações. Por exemplo, que os supervisores precisarão comunicar e 
cooperar no mercado de transferência de longevidade, e garantir que os
detentores desse tipo de risco tenham o conhecimento apropriado e
especialização para administrá-lo.

 
As três entidades preveem assim o estabelecimento de novos padrões,
 incluindo provisões e exigências de capital para o crescimento da 
expectativa de vida prevista ou não.


As autoridades deverão monitorar de perto os acordos entre empresas,
 bancos, seguradoras e mercados financeiros, incluindo o montante e a
natureza da transferência dos riscos de longevidade.

 
Os supervisores também deverão levar em conta que as transações de "swaps 
de longevidade" podem expor o setor bancários a mais riscos, e levando a 
transferência de riscos em cadeia.
 
Matéria encaminhada por: Aldo Alfano aldo@alfano.com.br
 
(Assis Moreira - Valor Online)*

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