02 abril, 2014

Não vai ter Copa?? Uma das organizadoras do principal comitê de protesto fala de seus planos ao DCM

Criado em 2011 para discutir a preparação de São Paulo para receber a Copa e avaliar os impactos do megaevento, sobretudo na questão das moradias, o Comitê Popular da Copa expandiu-se para todas as cidades sede. Criou-se assim a ANCOP, Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa. Desde então o grupo vem acompanhando e apoiando a resistência dos movimentos sociais das comunidades atingidas e viu a pauta dilatar-se em virtude das violações, processos de exclusão social e arbitrariedades.


A lista de reivindicações do Comitê se expandiu e hoje inclui, entre outras coisas: revogação das áreas exclusivas que constam da Lei Geral da Copa e que prejudicam ambulantes, comércio local e até artistas de rua; garantia de assistência à população de sem-teto que vem sendo subtraída das ruas de grandes cidades pela política higienista; não instalação dos tribunais de exceção no entorno dos estádios; arquivamento imediato dos projetos de lei que tramitam no Congresso com a finalidade de criminalizar manifestações, movimentos sociais e que tipificam o crime de terrorismo.


Para Marina Mattar, do Comitê Popular da Copa SP, engana-se quem acredita que não há mais sentido em protestar contra a Copa do Mundo. “Agora que todas as maldades já foram feitas, de que adianta?’, é o que ela me pergunta. “Ainda há sim muito a ser feito e não só agora, mas até mesmo depois da Copa. Afinal, como ficarão as pessoas removidas em virtude das obras?”.


Segundo Marina, já ocorreram 150 mil remoções. Entre a Copa e a Olimpíadas, serão 250 mil. “Não é um simples tira daqui e coloca ali. As pessoas têm vínculo com o bairro, existe a escola dos filhos, o trabalho, a vida construída ali. Isso quando, na melhor das hipóteses, ocorre a realocação. Na última Copa na África do Sul, milhares de moradores de rua de Johannesburgo foram recolhidos e enviados para um campo similar ao de refugiados a 30 quilômetros de distância e lá estão até hoje”, diz Marina.

“Se as baianas sucumbissem a essa postura conformista, não venderiam seu acarajé em frente ao estádio da Fonte Nova como fazem há décadas, por exemplo. A luta reverteu essa imposição da zona de exclusão que prejudica ambulantes, o comércio local e até artistas de rua”. Produtos sem “carimbo” da Fifa precisam ficar para além do raio de 2 quilômetros em torno dos estádios, que é o perímetro em que apenas atividades oficiais do evento e comércio autorizado poderão atuar.


No momento em que entrevistava Marina, ocorria um protesto há menos de 3 quilometros dali, o IV Ato Contra a Copa. Pergunto por que não estavam participando. Marina explica a posição atual do Comitê. “Não é que não iremos para a rua. O Comitê já foi muito para rua, estamos há 3 anos na luta. Só não queremos ser a única voz, nem o guarda-chuva dos demais movimentos. Uma parte desse movimento ‘Não vai ter Copa’ (que era quem encabeçava o protesto naquela hora) surgiu de um debate-bola que fizemos em Itaquera. A gente vê com bons olhos essa disseminação de outras iniciativas que questionam a Copa. 
Como será em junho não é possível responder agora, as coisas mudam muito.”


Não há nada de positivo na realização da Copa?, pergunto a Marina. “Não somos contra o futebol ou contra torcedores, nada disso. Estamos preocupados com o impacto nas cidades. Se não há nada de positivo? Há, mas para alguns poucos. Por isso questionamos, Copa para quem? O legado será para quem? As empreiteiras, por exemplo, estão felizes da vida.”


Mas nada é tão ruim que não possa piorar. A Fifa promete acionar na justiça as cidades que não realizarem as Fan Fests, evento com telões e shows que ocorrerão durante as partidas (incomoda algumas cidades o fato de terem que arcar com parte dos custos. A Fifa fornece telão e som, mas a segurança e o pagamento de artistas, por exemplo, compete às prefeituras. O evento é gratuito). Está aí mais uma briga para o comitê.

Fonte: DCM

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