23 janeiro, 2017

Entrevista com o Presidente da CASSI



O presidente da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI), Carlos Célio de Andrade Santos, fala sobre a importância da aprovação do plano de sustentabilidade pelo Corpo Social e os benefícios que as medidas constantes do Memorando de Entendimentos vão trazer. Entre eles, a manutenção do pagamento em dia dos prestadores de serviços, o aprimoramento da governança corporativa e a melhoria de processos de trabalho. 

Carlos Célio define que este é "um novo tempo". Ele salienta a importância da participação dos colaboradores nesse processo e ressalta ainda a qualidade dos profissionais da CASSI. "É fundamental considerar o conhecimento que a própria organização e seus funcionários detêm. Acredito em um trabalho construído em conjunto pelos nossos profissionais e consultores", avalia o presidente.
Confira na entrevista a seguir a expectativa do presidente para o futuro da CASSI.


CASSI:Ao longo dos últimos cinco anos, a Instituição apresentou déficit financeiro, que se agravou em outubro de 2016, com o fim das reservas livres do Plano de Associados. Com a aprovação pelo Corpo Social do plano para sustentabilidade, receitas extraordinárias estarão disponíveis até dezembro de 2019. Elas serão suficientes para custear as despesas do período?
Carlos Célio: Essas receitas extraordinárias devem ser suficientes, mas isso depende muito do comportamento e sobretudo do controle das despesas futuras. Também é importante lembrar que a principal fonte de recursos do Plano de Associados continua sendo o custeio ordinário, ou seja, de 3% dos associados e de 4,5% do Banco do Brasil. A contribuição extraordinária, adicional e temporária até dezembro de 2019, de 1% dos associados e o ressarcimento do Banco do Brasil, que também tem caráter extraordinário, são fundamentais para superação das dificuldades no curto prazo. Nesse período de três anos, nosso objetivo é conseguir manter em dia o pagamento aos prestadores, enquanto implementamos projetos voltados para assegurar e fortalecer a sustentabilidade do Plano de Associados e da CASSI. São projetos estruturantes, que permitirão trabalhar tanto a questão de receita, mas principalmente ampliar os mecanismos de controle das despesas, sempre com foco na manutenção da qualidade da assistência.

CASSI: E quais são esses projetos, presidente?
CC: Os eixos dos projetos, em linhas gerais, já constam do Memorando de Entendimentos. Eles envolvem questões de gestão e governança corporativa e da operação da CASSI, como regulação e negociação com prestadores. Eles não terão caráter restritivo, mas indicarão as linhas de atuação que precisam ser melhor trabalhadas. Serão definidos quais projetos devem ser executados, quais são os prioritários e quais não são. Todo esse processo de desenvolvimento dos projetos será apoiado em trabalho de consultoria especializada e deve ser previamente aprovado pela CASSI. 

CASSI: Além das propostas validadas pelo Corpo Social para a reestruturação financeira do Plano de Associados, o que a CASSI está fazendo para controlar melhor as despesas?
CC: Não estamos de braços cruzados. O nosso dia a dia de trabalho já é direcionado a solucionar as questões que envolvem a operação da CASSI. O tempo médio de internação e as despesas com materiais e medicamentos, por exemplo, são fatores críticos para nós. Internação é um ponto bastante expressivo dentro da despesa de qualquer operadora de saúde e a CASSI tem se dedicado muito para aperfeiçoar o controle destes itens. 

CASSI: O que interfere na sustentabilidade da CASSI em longo prazo?
CC: Todos os planos de saúde estão sujeitos às variações de mercado. Questões como o crescimento econômico do País, renda per capita, condições de saneamento básico, avanços tecnológicos, a elevação dos custos em saúde acima dos índices inflacionários e a infraestrutura de hospitais nos grandes centros e no interior, são algumas das muitas variáveis que não estão sob nosso controle. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) constantemente edita resoluções normativas ampliando coberturas e estabelecendo novas obrigações relacionadas ao funcionamento das operadoras. As atualizações periódicas do Rol de procedimentos em saúde, por exemplo, incluem novos procedimentos a serem cobertos, incorporam novas tecnologias e medicamentos de cobertura obrigatória. Tudo isso requer um esforço permanente sobre as variáveis que estão sob a nossa governabilidade, como forma de buscar os melhores resultados a partir da adoção de medidas que visem a preservação e a ampliação dos mecanismos de controle do custo assistencial, evitando assim a necessidade de apresentar uma conta muito alta aos nossos patrocinadores.
CASSI: Dentre as ações previstas no Memorando de Entendimentos, está a contratação de uma consultoria. Existe previsão de quando a consultoria começa a trabalhar?
CC: Quando você vai ao mercado e traz uma consultoria para te apoiar, ela vem para contribuir com metodologia de análises e de trabalho e, principalmente, com boas práticas do mercado. Porém, é fundamental saber considerar o conhecimento que a própria organização e seus funcionários detêm. Há uma série de vantagens de se trabalhar com uma consultoria. Entretanto, não existe receita pronta e que resolva todos os nossos desafios. Acredito em um trabalho construído em conjunto pelos nossos profissionais e consultores. Temos uma estimativa de em 60 dias concluir a contratação da consultoria, o que está sendo conduzido pelo Banco do Brasil. 

CASSI: Uma vez contratada a consultoria, qual o tempo previsto para a conclusão dos trabalhos?
CC: Serão necessários, aproximadamente, quatro meses entre diagnóstico e planejamento, mais dois meses para aprovar as ações a serem realizadas e mais doze meses para implementação dos projetos. Estimamos que em um ano e oito meses teremos o trabalho concluído. 

CASSI: Quando o senhor acredita que os primeiros resultados vão ser perceptíveis?
CC: Isso dependerá muito da abrangência dos projetos que serão desenvolvidos. Alguns processos podem ter um tempo de maturação maior, mas a partir do segundo semestre deste ano já é possível começar a capturar alguns resultados positivos. 

CASSI: Como a CASSI fará a prestação de contas aos associados e aos parceiros do projeto: BB e entidades representativas dos funcionários e aposentados?
CC: Estamos definindo, em conjunto com o Banco do Brasil e com as entidades representativas dos funcionários, o cronograma e o formato dessa prestação de contas. A CASSI já conta com uma rotina de elaboração de relatórios mensais, semestrais e anuais. Mas a ideia não é simplesmente apresentar esses relatórios. A proposta é uma divulgação mais específica, alinhada ao cronograma e à execução desses projetos. 

CASSI: CASSI: Depois de dois anos, tempo em que a CASSI trabalhou com contingenciamento orçamentário, foi aprovado o orçamento para o ano de 2017. O que se pode esperar na fase pós-contingenciamento?
CC: Com o contingenciamento, decorrente do orçamento que não fechava, praticamente todas as alçadas de despesas foram parar no Conselho Deliberativo. Saindo do contingenciamento, as alçadas retornam à Diretoria Executiva e às Unidades. É importante lembrar que nós temos um orçamento a ser cumprido e precisamos estabelecer prioridades. E uma das prioridades é o investimento na formação e na capacitação dos profissionais da CASSI.

CASSI: Com a aprovação do projeto de sustentabilidade, o senhor acredita que se inaugura um novo tempo? E quais são os seus planos para o futuro da CASSI?
CC: Não tenho a menor dúvida que estamos inaugurando um novo tempo. Eu, particularmente, acho que trabalhar com essa lógica de projeto é a melhor forma de obter resultados consistentes e relevantes. É saber claramente o objetivo a ser atingido, com o recurso definido e disponível e no prazo estabelecido. Ressalto que iniciamos a revisão do planejamento estratégico e aprovamos uma peça orçamentária inicial, que também deverá ser revisada. É um novo tempo e eu diria que estamos diante de uma pauta bastante intensa, complexa, mas propositiva e boa de trabalhar. 

CASSI: Qual mensagem o senhor gostaria de deixar para os nossos associados e também para os colegas da CASSI?
CC: Gostaria de agradecer por todo o trabalho feito até aqui. Continuo contando com o comprometimento dos nossos colaboradores para que a CASSI tenha muito mais do que outros 73 anos. É muito importante o trabalho de cada colega, em cada Unidade, em toda a empresa, para que tenhamos sucesso e para que sejamos sempre bem avaliados pelas quase um milhão de vidas que temos sob nossa responsabilidade. Aos associados, quero agradecer pelo voto de confiança ao aprovar, de forma bastante expressiva, a contribuição extraordinária, reforçando ainda mais nosso compromisso de que não faltarão esforços em resposta a esse voto de confiança, sempre com o propósito de cumprir a missão da CASSI: "Assegurar ações efetivas de atenção à saúde por meio de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação, para uma vida melhor dos participantes".

http://www.cassi.com.br/images/hotsites/jornalonline/entrevista-presidente.htm




Um comentário:

  1. NOTA
    Era só o que faltava: CUT quer cargo no conselho do BB

    https://jornalivre.com/2017/01/23/era-so-o-que-faltava-cut-quer-cargo-no-conselho-do-bb/

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