02 março, 2015

'Trauma' do mensalão pode acelerar julgamento do escândalo na Petrobras

O processo sobre o esquema de corrupção na Petrobras, que deverá começar no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta semana, deve ter julgamento mais rápido do que o do mensalão, escândalo de maior repercussão da história recente do país. 

O mensalão tramitou no plenário do Supremo, com transmissão ao vivo, mas criou traumas no STF. Consumiu 64 sessões do plenário da corte e dominou por mais de seis meses a pauta do Supremo, impedindo o julgamento de qualquer outra matéria. Não à toa, após o julgamento, os ministros decidiram levar para as turmas todos os processos criminais, com exceção daqueles contra o presidente da República e os presidentes da Câmara e Senado. 

Devido a isso, há uma expectativa de que os processos relacionados à Lava Jato tramitem com mais celeridade. Além do julgamento nas turmas, o atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá apresentar nesta terça-feira (3), em vez de um único grande processo, diferentes peças sobre os participantes do esquema de corrupção na Petrobras. 

Com isso, não será necessário aguardar um desfecho comum para todos os acusados. Ao longo dos próximos anos, condenações e absolvições deverão acontecer esporadicamente, ao contrário do que ocorreu no mensalão. 

Caberá ao Supremo bater o martelo sobre políticos, detentores de foro privilegiado. Ainda assim, os processos deverão correr na Segunda Turma da corte, formada por apenas cinco ministros. 

Já empreiteiros, doleiros e ex-diretores da Petrobras serão julgados inicialmente na primeira instância. 

Ex-procurador-geral da República que elaborou a denúncia contra os suspeitos de participar do mensalão em 2006, Antônio Fernando de Souza prefere não comentar os métodos adotados no julgamento da Lava Jato, dizendo não conhecer os autos, mas defende que o resultado do mensalão -com 24 pessoas condenadas- atesta a eficiência de denúncia.
"Naquele caso, todos os suspeitos estavam realmente implicados um com outro. Por isso, a denúncia única teria mais consistência, como teve." 

SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS
 
O petrolão guarda algumas semelhanças e uma série de diferenças com o mensalão. 

Em comum, ambos têm participação de políticos, emissão de dinheiro para o exterior e pagamentos de propina. Além disso, a eclosão dos dois casos impactou as estruturas políticas do país e deu origem a CPIs no Congresso -duas no mensalão; e três sobre a Petrobras, por enquanto. 

A investigação que culminou na Operação Lava Jato levou para a cadeia grande parte do PIB da construção civil brasileira. O agora chamado petrolão, porém, ganhou força após suspeitos aceitarem um acordo com o Ministério Público para delatar comparsas e detalhar como era feito o esquema. 

O ex-procurador Fernando de Souza lembra que, embora menos propalada, as delações premiadas feitas durante o escândalo do governo Lula também foram importantes ao andamento do caso. Ele cita o caso do operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro, que aceitou colaborar e, em contrapartida, teve seu nome retirado da lista de denunciados. 

"Pouca gente fala, mas ele deu informações fundamentais, documentadas, que ajudaram muito na investigação do processo", argumenta. 

Confira, no quadro, as principais semelhanças e diferenças entre os dois processos. 

Editoria de Arte/Folhapress




Joaquim desgovernado

SÃO PAULO - O Brasil, na economia, na política, em suas instituições e nas suas dimensões territoriais e populacionais, está longe de ser um país nanico. A história tem castigado poderosos que o tomam por uma república de bananas, desprovida de cartilagem entre os ossos. 

As piores crises redundam, aqui, em retrações moderadas da produção. A contração anual mais acentuada em 30 anos foi de -4,4%, em 1990. Comparado por exemplo à economia argentina (-7% em 1989; -10,9% em 2002), o ritmo cardíaco do Brasil é muito mais estável.

Presidente que colheu o pior resultado econômico nas últimas décadas, Fernando Collor foi um desses aventureiros levados pelas circunstâncias a menosprezar os contrapesos da economia, das instituições e da política brasileira. O descomedimento foi punido com severidade. 

Levada talvez pelas circunstâncias a açular uma recessão inaudita em 20 anos, a presidente Dilma Rousseff começa a caminhar em campo minado. Seu ministro da Fazenda está desgovernado. 

Na vida pública, Joaquim Levy demonstrou competência enquanto esteve protegido por ministros, governadores e presidentes fortes. Sua apresentação solo, fruto do rápido esmaecimento da liderança da presidente da República, pode desencadear desastres, seja na economia, seja na política. 

Está apenas no começo o tarifaço nas contas de energia elétrica, que vai tirar dinheiro do bolso de praticamente toda a população. Não há muitos precedentes na história, após o Plano Real, de uma mudança de preços relativos da ordem de 50%, ou mais, num único ano. 

A reversão abrupta da política que subsidiava postos de trabalho vai alimentar a tendência ao desemprego. Um presidente forte, ciente do grau de maturidade do Brasil, imporia moderação à necessária agenda do ajuste recessivo. Mas o governo sumiu. Joaquim preside.



Gustavo Patu: O PAC acabou

BRASÍLIA - A Joaquim Levy não basta o papel de mero capataz de um remendo emergencial nas contas do governo. O ministro, é visível, entende que a recuperação da economia depende de sua credibilidade, e sua credibilidade depende de demonstrar o fim da era de previsões irrealistas, números maquiados e pacotes de muito apelo publicitário e pouca solidez técnica. 

O abandono da embromação econômica não se dará sem atritos. Em um pito público, Dilma Rousseff chamou de "infeliz" a declaração do titular da Fazenda segundo a qual o programa de desoneração tributária lançado no primeiro mandato da presidente é "grosseiro". 

Quem acompanhou a entrevista de Levy notou que sua preocupação, ao anunciar uma drástica revisão da iniciativa, era fazer crer que, agora, as decisões estão sendo tomadas com critério e conhecimento de causa: tabelas e gráficos apresentados descreveram em minúcias os custos e o impacto das medidas. 

Mesmo que o vocabulário empregado tivesse sido mais diplomático, o recado era claro. Muitos rapapés ao tratar da obra do antecessor, aliás, podem dar a impressão de que o ajuste em curso não passa de um recuo inevitável e temporário. 

Em seu discurso de posse, Levy atacou o patrimonialismo –a mistura entre interesses públicos e privados que pode descrever grande parte do intervencionismo petista na economia. De lá para cá, chamou de anacrônicas as regras do seguro-desemprego e previu uma retração da economia nacional, tendo de consertar depois as afirmações. 

O ministro pode começar a escolher as palavras para anunciar que o PAC (o Programa de Aceleração do Crescimento, de maternidade atribuída a Dilma) acabou. Suas obras de infraestrutura, indicou-se na semana passada, perderam o privilégio de ficar a salvo do corte de despesas –que, espuma marqueteira à parte, era a essência do programa.




Com manobra do PMDB, CPI deve focar apenas era petista

Operação Lava Jato

O PMDB da Câmara dos Deputados articulou uma estratégia nos bastidores com o presidente da CPI da Petrobras para isolar o PT na nova comissão e limitar os trabalhos de investigação aos governos Lula e Dilma (2005-2015), como quer a oposição. 

A operação do partido com Hugo Motta (PMDB-PB), eleito presidente da CPI na semana passada, visa desidratar os planos do relator da comissão, Luiz Sérgio (PT-RJ), de investigar desvios na estatal desde o período do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). 

Sérgio vai apresentar seu calendário de atuação na próxima quinta, mas na semana passada afirmou que seria importante levar a investigação para o período de FHC. 

O relator se baseia no depoimento do ex-gerente Pedro Barusco que, em sua delação premiada, afirmou à Polícia Federal que começou a receber propina entre 1997 e 1998, da empresa holandesa SBM Offshore.
                                                                 Editoria de Arte/Folhapress
Barusco também relatou que o esquema da Petrobras rendera ao PT entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013. 

Nos últimos dias, peemedebistas articularam com Motta um cronograma para a CPI, onde também ficou decidido que será criada uma sub-relatoria para tentar recuperar ativos da Petrobras no exterior. 

Entre os atos ilícitos no foco da CPI estão supostas irregularidades na venda de ativos da Petrobras na África. 

O presidente da CPI vai propor nesta semana a criação de quatro sub-relatorias para investigar objetos previstos no requerimento de abertura da CPI. 

Uma delas será para devassar contas de delatores do esquema da Petrobras, com a ajuda de uma empresa de investigação privada que será contratada pela comissão. 

Parlamentares dizem que, regimentalmente, o presidente da CPI pode indicar sub-relatores, sem precisar passar por votação, para apurar fatos determinados previsto na CPI, assim como ele é responsável por indicar o relator. 

No entanto, a criação dessas sub-relatorias e a restrição das investigações apenas às irregularidades ocorridas após 2005 podem ser contestadas, segundo os deputados.

Cabe recurso de partidos ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que de todo modo deve manter a decisão do colega de partido que comanda a CPI. 

A alegação de parlamentares ouvidos pela reportagem é que investigações da estatal sob a gestão tucana foge do escopo da CPI. 

A ementa do requerimento que criou a CPI diz que a finalidade da comissão é ''investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da empresa Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), entre os anos de 2005 e 2015''. O governo Fernando Henrique Cardoso terminou em 2002. 

ORÇAMENTO
 
A CPI também deve dispor de verbas ''sem limites'' para investigações. A ideia de membros da comissão é tentar mostrar que não será uma ''CPI de fachada'' que ficará a reboque da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e com risco de de repetir o modelo da comissão encerrada na legislatura passada. 

Em dezembro, a primeira CPI da Petrobras aprovou o relatório do petista Marco Maia (RS) pedindo o indiciamento de 52 pessoas. O documento não incluiu políticos nem a então presidente da estatal, Graça Foster. 

Junto à oposição, os peemedebistas também pretendem convocar todos os ex-diretores da Petrobras indicados pelo PT para prestar esclarecimentos sobre o esquema de corrupção na nova CPI.



GANHADORA DO PRÊMIO PONTUALIDADE ANAPLAB



PRÊMIO PONTUALIDADE ANAPLAB.

AURÉA MARANDUBA foi a associada ganhadora do Prêmio Pontualidade do último sábado, 28 de fevereiro de 2015. A sócia, da cidade de Juiz de Fora (MG), foi contemplada por manter as mensalidades da ANAPLAB em dia, e recebeu R$ 1 mil. O número da sorte foi 14.925.

Confira o resultado da extração nº 4949 da Loteria Federal do dia 28/02/2015:

1º Prêmio: 18.147
2º Prêmio: 44.606
3º Prêmio: 93.343
4º Prêmio: 25.908
5º Prêmio: 55.696

Sobre o Prêmio Pontualidade.
O Prêmio Pontualidade contempla 01 associado com sorteio de R$ 1 mil no último sábado de cada mês. O valor premiado é recebido integralmente, pois já tem o Imposto de Renda descontado e pago pela ANAPLAB.


Como participar.
Para concorrer, basta você manter suas mensalidades em dia para concorrer automaticamente. A ANAPLAB faz, mensalmente, o acompanhamento da extração dos números pela Loteria Federal e divulga o nome do ganhador (a). O número premiado se dá com a união dos 05 primeiros algarismos de cada prêmio sorteado. No caso de não coincidir totalmente, o prêmio é pago ao adimplente cujos cinco primeiros números da matrícula mais se aproximarem da extração da loteria federal, na configuração explanada acima.

Gratos.

EQUIPE ANAPLAB
 

Lista do petrolão finalmente será conhecida, mas caminho no Judiciário ainda é longo

Publicado em 2 de mar de 2015
Lauro Jardim, do Radar on-line, comenta a desastrada entrevista de Joaquim Levy na sexta-feira: "ainda bem que Dilma pareceu não perceber a volta do adjetivo rudimentar na discussão, poderia pensar que era provoção". Geraldo Samor, de VEJA Mercados, diz que os preços dos imóveis comerciais podem ficar convidativos. E Silvio Navarro, editor de Brasil do site de VEJA, fala sobre a entrega da lista com os nomes dos envolvidos no petrolão nesta terça-feira.


Janot sofre assédio de parlamentares e se queixa de imprensa

Às vésperas de apresentar ao STF (Supremo Tribunal Federal) os pedidos de abertura de investigação contra políticos envolvidos na Lava Jato, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem sido assediado por deputados e senadores que tentam confirmar se seus nomes estão na lista de indiciados. 

Janot e os 11 procuradores do grupo de trabalho passaram o final de semana revisando os pedidos de abertura de investigação que deverão ser enviados na terça ao STF. A expectativa é de que o número de políticos envolvidos fique em torno de 40. 

Nos últimos dias, têm chegado ao gabinete de Janot requisições para discutir projetos de interesse do Ministério Público que tramitam no Congresso ou pedidos de autorização para visitas de cortesia. 

Segundo a Folha apurou, mesmo sem revelar os nomes, procuradores que acompanham o caso disseram que boa parte dos políticos que pedem encontros estão na lista de futuros indiciados, mas Janot, alegando compromissos, não os tem recebido. 

Para os procuradores, as reuniões, na verdade, são somente um pretexto para tentar confirmar se seus nomes estão ou não na relação. 

Os compromissos de Janot, entretanto, não ficaram fora do universo político. Ele esteve reunido com o vice-presidente da República, Michel Temer, e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Os encontros não integravam a agenda do procurador. 

Oficialmente, com o primeiro ele tratou de verbas para viabilizar um aumento aos servidores do Ministério Público. Com o segundo, de sua segurança, uma vez que a Polícia Federal teria percebido aumento do nível de risco. 

A segurança pessoal tem preocupado Janot nos últimos dias. Ele diz que, em janeiro, sua casa foi invadida por bandidos que nada levaram além de um controle remoto do portão. Neste mês, a inteligência da PF detectou riscos de grupos promoveram atos para constrangê-lo. 

Entre as ameaças citadas estavam possíveis manifestações contra Janot em aeroportos, com a gravação de vídeos e divulgação na internet, e pichações em sua residência. 


Cleiton Borges/Folhapress
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot
 
PIADAS
Apesar das ameaças, quem acompanha Janot diz que ele não tem demonstrado nervosismo. Na última quarta (25), no STF, aparentou tranquilidade, fez brincadeiras e mostrou piadas no WhatsApp. 

Com pessoas próximas, porém, ele tem reclamado de alguns textos da imprensa, principalmente dos que insinuam que ele estaria protegendo alguma autoridade. 

Nessas conversas reservadas, Janot tem dito que, após a apresentação dos pedidos de investigação, o melhor seria que o ministro do STF Teori Zavascki não só derrubasse o sigilo dos processos mas também revelasse o conteúdo das delações premiadas. 

Pessoas próximas ao procurador disseram à Folha que todas as citações a políticos foram enfrentadas. Nos casos em que se tenha vislumbrado indício de crime, será pedida abertura de inquérito referente à situação. 

No caso de citações laterais ou que não indiquem delitos, os procuradores farão tal ponderação. A avaliação é de que, se as delações fossem abertas por Zavascki, as especulações sobre quem deveria ser investigado teriam fim. 

Os integrantes do grupo de trabalho acreditam que Zavascki deve derrubar o sigilo dos inquéritos, mantendo em segredo só pedidos de diligência que, se descobertos, podem frustrar resultados, como grampos telefônicos. A abertura das delações, no entanto, não deve ser feitas num primeiro momento.


Sobre esse Janot eu só tenho duas coisas a dizer: êh, êh!


Governo deveria se preocupar mais com as consequências da corrupção, diz MPF

O Ministério Público Federal divulgou uma nota neste domingo (1) dizendo reconhecer a legitimidade da CGU (Controladoria-Geral da União), que é um órgão do Executivo, em celebrar acordos de leniência com empresas envolvidas em caso de mal feitos. Ponderou, no entanto, que o governo deveria estar mais preocupado com as "consequências econômicas e sociais da corrupção" do que em garantir a reabilitação de companhias flagradas pela Operação Lava Jato

"Embora legítima a preocupação do governo com consequências econômicas e sociais, a maior preocupação deve ser com as consequências econômicas e sociais da corrupção praticada e em desenvolvimento - lembrando que houve práticas corruptas recém descobertas que ocorreram até dezembro de 2014. Conforme a experiência internacional demonstra, quanto menor a corrupção na sociedade, melhores são as condições para o desenvolvimento econômico e social", diz a nota.

As divergências sobre os acordos de leniência, uma espécie de delação premiada para empresas, têm se intensificado nos últimos dias. Por um lado, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, tem defendido tal possibilidade

O Ministério Público Federal, por sua vez, tem dito que eventuais acordos com a CGU – que podem evitar que as empresas fiquem proibidas de contratar com o poder público – podem ser prejudiciais ao interesse público. 

De acordo com a nota, como parte das investigações correm em segredo, os procuradores dizem que a CGU poderia fechar um acordo tendo como base delações das empresas sobre crimes previamente conhecidos pelo MPF, ou seja, que não representariam avanço para as investigações. 

Devido a isso um grupo de procuradores chegou a ir ao TCU (Tribunal de Contas da União) na semana passada e pediu que a corte impedisse qualquer tentativa de a CGU fechar eventuais acordos de leniência no caso da Lava Jato. 

"Acordos de leniência, assim como os acordos de colaboração, só podem ser celebrados quando estiverem presentes três requisitos cumulativos: reconhecimento de culpa; ressarcimento, ainda que parcial do dano; e indicação de fatos e provas novos. Sendo necessária a comunicação de fatos novos e a entrega de novas provas sobre crimes, e estando a investigação dos fatos criminosos sendo desenvolvida, em parte, sob sigilo, é possível que a CGU tome, como novos, fatos e provas apresentados pela empresa que já estejam informados e comprovados na investigação", diz a nota. 

Por fim, o Ministério Público ainda aproveita a nota para rebater críticas de advogados da Lava Jato, que têm reclamado das prisões preventivas de réus alegando que as mesmas servem para pressionar os detidos a fazerem delações premiadas. 

"Dos 13 acordos de colaboração celebrados no âmbito da investigação da Lava Jato, 11 foram feitos com pessoas soltas e os dois restantes foram feitos com presos que continuaram presos, de modo que está desconectado da realidade o argumento de que prisões são feitas para forçar pessoas a acordos".



01 março, 2015

Crise política faz Dilma adotar pauta 'neutra' e engavetar propostas petistas

Deixa isso pra lá O núcleo político do governo Dilma Rousseff vai adotar uma pauta “neutra” e engavetar projetos mais identificados com o PT, como a regulamentação da mídia, nos próximos meses para evitar embates ideológicos no Congresso. Ministros avaliam que o perfil atual da Câmara e do Senado é refratário a esse tipo de pauta e que a melhor maneira de recompor a base aliada é priorizar uma pauta menos política e mais econômica, voltada para o setor produtivo, empresários e trabalhadores.

Alô, Janot A pressão sobre Rodrigo Janot por conta da lista dos implicados na Lava Jato não vem de hoje. Em novembro passado, José Eduardo Cardozo (Justiça) pediu que o procurador-geral da República recebesse diretores do Banco do Brasil para discutir as investigações.

Risco… Janot e outros procuradores se reuniram em 24 de novembro com representantes da área jurídica e analistas econômicos do banco, que foram expor graves consequências econômicas caso empresas envolvidas nos desvios da Petrobras fossem severamente punidas.

… sistêmico Munidos de relatórios expostos aos procuradores em PowerPoint, descreveram um cenário alarmista, em que, a depender do valor das sanções financeiras aplicadas às empreiteiras, o país teria o crescimento afetado e o efeito se alastraria para vários outros setores.

Instável Amigos do procurador-geral da República dizem que ele demonstra abatimento e ansiedade nos últimos dias com a pressão a que está submetido.

Acuado 1 Outro que passou o final da última semana tenso com o desfecho iminente da lista da Lava Jato foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Acuado 2 Antes confiante de que ficaria fora do rol, o peemedebista disse a aliados ter recebido sinais de que seu nome poderá ser incluído. Diante da hipótese, Cunha se mostrou colérico e disposto a se vingar no governo.

Pedra cantada Por mais que Dilma tenha mostrado indignação com a decisão da Moody’s de rebaixar a nota da Petrobras, ela já havia sido alertada por Graça Foster de que a decisão era inevitável.

Boa… Empenhado em ter Eduardo Cunha como aliado na negociação do ajuste fiscal, Joaquim Levy está aberto a discutir com ele as considerações que o presidente da Câmara fez sobre a MP que reduz o subsídio para as empresas que não pagam contribuição patronal, por causa da desoneração da folha.

… vizinhança O ministro tem dito que acha importante todos estarem bem informados para se posicionar. Por isso a Fazenda já tem prontos estudos sobre o assunto.

Luz do dia 1 Além de apresentar requerimento para a criação de três sub-relatorias na CPI da Petrobras, o PSDB incluirá o mesmo pedido entre as sugestões que o relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), solicitou aos deputados.

Luz do dia 2 O partido espera que o petista recuse a ideia, mas quer aproveitar o fato para reunir munição e dizer que o relator está travando o andamento das investigações já no início.

Reserva Parte da oposição chegou a articular a candidatura de Onyx Lorenzoni (DEM-RS) à presidência da CPI. O PSDB e o próprio DEM atuaram para demovê-lo da ideia para não se indispor com o estratégico PMDB.
APODE0103PAINEL
Vai ter bolo De um parlamentar do PSB sobre a possibilidade de entrada de Marta Suplicy no partido: “Ela faz aniversário em março. A lista da festa vai dizer se o coração dela virou socialista ou se ainda continua petista”.

TIROTEIO
Não sabia que a Ravenna prescrevia cortar PAC, Fies, Minha Casa Melhor, Pronatec… Só que quem emagrece é o PIB, não a presidente.

DE RODRIGO MAIA (DEM-RJ), deputado federal, ironizando a dieta seguida por Dilma Rousseff, que determinou novos cortes para atingir a meta fiscal.

CONTRAPONTO
Vela para são Pedro
Em sessão na Câmara paulistana, na quinta-feira, o presidente do PT, vereador Paulo Fiorilo, mostrou vídeo de uma comissão extraordinária da Casa em que o engenheiro Nelson Luiz Nucci, ex-diretor de Planejamento da Sabesp, comentou a crise hídrica de 2007.

Segundo o engenheiro, disse Fiorilo, a estatal criou três grupos de trabalho para lidar com o problema: o de comunicação, outro técnico e um “de oração”, comandado por Gesner Oliveira, então presidente da estatal.

–E, segundo o próprio professor, o grupo que deu certo foi o de oração! –concluiu o petista.



Em encontro da cúpula do PSDB, Aécio Neves defende protestos contra Dilma

Novo governo

 
A cúpula nacional do PSDB foi convocada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um encontro nesta sexta-feira (27), em São Paulo. Presidente nacional da legenda, o senador Aécio Neves (MG) deixou o encontro defendendo as manifestações contra o governo Dilma Rousseff e criticando as últimas medidas da petista. 

"Com essas últimas medidas o governo da presidente Dilma está mudando o slogan que seu marqueteiro criou anos atrás. Acho que o 'Brasil, um país para todos' está virando cada vez mais o 'Brasil, o país da mentira'", disse Aécio. 

"A presidente da República, com a medida provisória anunciada hoje, mais uma vez desdiz, contraria tudo aquilo que afirmou durante a campanha eleitoral: que não haveria aumento de impostos e supressão de direitos", concluiu. O governo editou uma MP que reduz o benefício fiscal sobre a folha de pagamento. 

Os tucanos também saíram em defesa de FHC. Na última semana, a presidente disse que, se a corrupção na Petrobras tivesse sido investigada no governo do tucano, o chamado "petrolão" talvez não existisse. Já nesta semana, o relator da CPI da Petrobras, Luiz Sérgio (PT-RJ), pregou incluir a gestão de Fernando Henrique no escopo da investigação. 

"Eu soube agora que vão fazer uma CPI sobre a mudança da capital do Rio para Brasília e que foi o Fernando Henrique o responsável", ironizou o senador José Serra (PSDB-SP). Os tucanos decidiram embarcar na tática de combater os ataques a FHC com ironia e humor.

O próprio ex-presidente aderiu à onda de memes que tomaram a internet desde a fala de Dilma. Durante o almoço, o senador Cássio Cunha Lima (PB) tirou uma foto de FHC segurando um cartaz com os dizeres "Foi FHC" com uma nota de R$ 2 acima. 

'ENGODO'
 
Participaram do encontro com FHC, além de Aécio, Serra e Cássio Cunha Lima os senadores Tasso Jereissatti (CE) e Aloysio Nunes (SP). 

Ao sair, Aécio disse que as manifestações devem ser vistas como algo "natural" e atribuiu o descontentamento com o governo Dilma ao que chamou de "engodo" na campanha eleitoral. 

Aécio voltou a criticar o pronunciamento do ex-presidente Lula, esta semana, em ato de defesa da Petrobras no Rio. O mineiro classificou como "lamentável" o teor das declarações do petista. 

Lula disse que Dilma precisa levantar a cabeça e dizer "eu ganhei a eleição", além de afirmar os petistas "também sabem brigar", "sobretudo quando o Stédile (João Pedro Stédile, presidente do MST) colocar seu exercito na rua". 

"Lamentável o pronunciamento do ex-presidente. Em nada contribui para que o Brasil supere esse quadro, que é grave", afirmou. 

Para o tucano, as manifestações de todos os setores da sociedade devem ser vistas como "naturais" na democracia. Ele disse ainda que os protestos que estão sendo organizados contra o governo são "legítimos", mas não partidários. 

O tucano também não quis condenar a manifestação de militares, que, em nota, criticaram a fala de Lula, dizendo que o Brasil só tem "um exército" para defendê-lo. 

"Nós vivemos numa democracia. E numa democracia todos os setores da sociedade têm o direito de se manifestar", afirmou. 

LAVA JATO
 
O tucano, no entanto, não quis se estender quando questionado sobre as ameaças ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Disse que o natural é que as instituições ofereçam proteção quando há esse tipo de suspeita. 

Já quando questionado sobre boatos de que estaria na lista de políticos investigados na operação Lava Jata, Aécio foi direto: "piada". 

"Confio que o Ministério Público saberá agir de forma adequada e isenta. Felizmente as instituições continuam funcionando no Brasil", afirmou sobre a repercussão das investigações.




Tucanos respondem críticas de petistas com ironia nas redes sociais

Poucas vezes quatro senadores tucanos deram uma demonstração tão enfática de que sabem trabalhar juntos. 

Cassio Cunha Lima (PB) deu a ideia. Aécio Neves (MG) escreveu o cartaz: "Foi FHC". José Serra (SP) sacou uma nota de R$ 2 do bolso. Estava amarfanhada. Tasso Jereissati (CE) tirou então uma cédula novinha da carteira e entregou-a ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 

FHC posou rindo para a fotografia, divulgada em seguida na internet como uma resposta irônica ao ataque sofrido há uma semana, quando a presidente Dilma Rousseff afirmou que a corrupção na Petrobras deveria ter sido investigada em seu governo. 

Foi, provavelmente, o momento mais leve do longo almoço em que o ex-presidente e a cúpula de seu partido no Senado discutiram os rumos do país. À mesa nesta sexta-feira (27), ainda que em tom ameno, os tucanos projetaram um cenário sombrio. 


Reprodução/Instagram/cassiocl_
Imagem com o ex-presidente FHC publicada no Instagram pelo senador Cassio Cunha Lima
Imagem com o ex-presidente FHC publicada no Instagram pelo senador Cassio Cunha Lima

"Daqui a seis meses, vamos sentir saudade da economia como está hoje", afirmou Serra, segundo um dos presentes. FHC contou que esteve recentemente com o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e resumiu suas impressões, deixando no ar a sensação de que Fraga prevê um "colapso econômico". 

Os tucanos chegaram a um consenso sobre os movimentos que pedem o impeachment de Dilma: defenderão as manifestações, mas sem envolver o partido. "Quanto mais populares, mais fortes serão os protestos", opinou Aécio, segundo um participante do almoço. Serra e FHC manifestaram preocupação. 

Eles concluíram também que, em caso de impedimento da presidente, haverá cobranças para que o PSDB colabore com o novo governo. 

Na avaliação dos tucanos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem procurado manter distância das medidas econômicas impopulares tomadas por Dilma e trabalha para reagrupar o movimento trabalhista, de olho nas eleições presidenciais de 2018. 

As investigações da Operação Lava Jato também foram debatidas no almoço. "Quando a lista for divulgada, será o começo do fim", disse Serra, numa referência aos nomes dos políticos que deverão ser alvo de inquéritos. Para ele, o envolvimento de nomes de diversos partidos, somado ao desajuste econômico, engrossará o caldo de uma grave crise institucional. 
Imagem publicada no Instagram pelo senador José Serra (PSDB-SP)

Na saída, Aécio disse aos repórteres que o partido não teme o envolvimento de nomes ligados ao PSDB no escândalo. No caminho para o carro, o mineiro posou para selfies com admiradores. 

Dentro do carro, Serra pegou seu telefone e postou outra mensagem irônica numa rede social, uma fotomontagem com o rosto de Fernando Henrique e a legenda: "Descoberto o líder da greve dos caminhoneiros... Foi FHC!" 

Reprodução/Instagram/_joseserra


FOLHA


Em comemoração dos 450 anos do Rio, Dilma fala em unir 'morro e litoral'

Na data de aniversário do Rio, a presidente Dilma Rousseff participou na tarde deste domingo (1) da inauguração do túnel Rio 450, parte do projeto de revitalização da zona portuária carioca. 

Dilma elogiou a transformação urbana em andamento na cidade do Rio e, além da mencionar a recuperação do centro, citou também a obra de expansão do metrô até a Barra da Tijuca, na zona oeste, que terá uma estação na favela da Rocinha, no bairro de São Conrado. 


Moacyr Lopes Junior/Folhapress
A presidente Dilma Rousseff, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Eduardo Paes durante inauguração do túnel Rio 450
A presidente Dilma Rousseff, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Eduardo Paes durante inauguração do túnel Rio 450   

"É preciso acabar com esta divisão entre o morro e o litoral. A cidade do Rio está construindo também sua unidade", disse Dilma, em discurso para poucos convidados em uma tenda montada perto do fim do novo túnel, na zona portuária. Ela não concedeu entrevista aos jornalistas presentes no local. 

O Rio 450 é túnel subterrâneo que se estende por 1480 metros de extensão e passa por baixo da zona portuária, onde antes havia na superfície o viaduto da Perimetral. 

A presidente chegou às 16h, na entrada do túnel, na rua Primeiro de Março, onde era aguardada pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ) e o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ). 

Após cortar a fita de inauguração na entrada do túnel, Dilma percorreu o trajeto num jipe aberto. 

Sob uma tenda branca, no fim do percurso, ela discursou para dezenas de vereadores da bancada governista e também para autoridades como Thomas Bach, atual presidente do Comitê Olímpico Internacional. 

Da zona portuária, a presidente seguiu para o Palácio da Cidade, sede oficial da prefeitura do Rio.