27 fevereiro, 2015

Exclusivo: Renato Duque foi solto a pedido de Lula

No contexto da Operação Lava Jato, uma das perguntas que permaneciam sem resposta era por que Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, foi solto por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal -- e, depois, teve novo pedido de prisão preventiva negado por obra do mesmo Teori, que convenceu Gilmar Mendes e Carmen Lúcia a segui-lo na decisão. Afinal de contas, está mais do que provado que Renato Duque, homem de José Dirceu e do PT, era um dos principais engenheiros do propinoduto que sangrou a estatal.

O Antagonista apurou com três fontes de alto escalão, para chegar à resposta. Renato Duque não está livre por falha de argumentação do juiz Sergio Moro e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como pensam alguns. Esse foi apenas o pretexto. Renato Duque está livre por causa de Lula.

A prisão de Renato Duque, em novembro do ano passado, fez com que a sua mulher entrasse em desespero. Sem poder contar com José Dirceu, pato manco depois do mensalão, ela recorreu a Paulo Okamotto, o faz-tudo de Lula. Para acalmá-la, Okamotto afirmou que a situação se arrumaria num curto espaço de tempo, mas ela lhe disse que não cairia nessa conversa. Que, se fosse necessário, teria como reunir provas suficientes para provar que Lula sabia e participara do esquema do petrolão.

Diante da ameaça, Okamotto disse a Lula que ele deveria encarregar-se da questão pessoalmente. Lula encontrou-se com a mulher de Renato Duque e tentou persuadi-la de que o seu marido ficaria na prisão menos do que se imaginava. Em vão. Ela voltou a afirmar que implicaria o ex-presidente no escândalo, se Renato Duque não fosse libertado rapidamente.

Acuado, Lula pediu ajuda a um ex-ministro do STF de quem é muito amigo. Ele se prontificou a socorrer o petista. O melhor caminho, disse o ex-ministro do STF a Lula, era procurar Teori Zavascki. Foi o que o amigo de Lula fez: marcou um encontro com Teori Zavascki, para lhe explicar como era urgente que Renato Duque fosse solto, porque, caso contrário, Lula seria envolvido "injustamente" num escândalo de proporções imprevisíveis para a estabilidade institucional. Teori Zavascki aquiesceu. Avisado pelo amigo ex-ministro do STF, Lula comunicou à mulher de Renato Duque que tudo estava resolvido

Foi assim que Renato Duque, passados pouco mais de quinze dias após a sua prisão, viu-se do lado de fora da carceragem da Polícia Federal em Curitiba.


Acuado, ele pediu ajuda a
um ex-ministro do STF

O antagon!sta


Recado do governo petista: mãos ao alto, isto é um assalto

Publicado em 27 de fev de 2015
Governo aumenta impostos sobre a folha de pagamento e a Aneel dá uma canetada que vai significar reajuste de energia a partir de segunda-feira. Tudo reflexo da política econômica de Dilma Rousseff.
 
Enquanto isso os caminhoneiros continuam bloqueando estradas. Em Brasília, Janot quanto mais se explica, mas complica. Acompanhe as principais notícias desta noite com Joice Hasselmann e a equipe de VEJA


Janot, a esfinge: camarada ou precavido?

Publicado em 27 de fev de 2015
O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, quer ajudar a enfraquecer a Lava Jato de fato e proteger poderosos? Ou está trabalhando com cautela para não dar munição aos bandidos? Entenda.


Ministro da Justiça vira vizinho de ativista pró-impeachment de Dilma

A administração do flat em que o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, vive em SP, com seus pais, detectou a presença de moradores ligados à organização de movimentos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Depois que um deles participou de um panelaço na frente do prédio, a confusão está instalada: outros vizinhos defendem a expulsão do militante, fundador do "Revoltados Online". 


EU DAQUI NÃO SAIO
 
O morador, Marcello Reis, postou um vídeo no Facebook acusando o síndico do prédio de tentar expulsá-lo. "Síndico do prédio onde mora o Cardozão e eu Marcello Reis, me ameaça que vai me expulsar do prédio, por causa do panelaço ao ministro da Justiça", escreveu ele. As imagens de Reis mostram o interior do edifício e revelam inclusive o andar em que vivem Cardozo e seus familiares. O síndico não foi encontrado para comentar. 



FOLHA

Já dá para ouvir o 15 de março

"Soc, poft, pow! Coxinha. Golpista!" 

Eis o som presente do mar futuro de gente nas ruas no próximo dia 15. Ali vão as onomatopeias e vitupérios produzidos pelos milicianos petistas contra pessoas comuns, que pagam impostos e estão cansadas de ser roubadas. Pois é... Os companheiros acham que chegou a hora de nos pegar na porrada. 

Na segunda, enquanto Lula e seus "tontons macoute" faziam um ato "em defesa da Petrobras", no Rio –o que supõe distribuir sopapos didáticos para ensinar a essa brasileirada o valor do patriotismo–, a Moody's anunciava o rebaixamento da nota da estatal. Bastava que caísse um degrau para passar do azul para o vermelho, do grau de investimento para o especulativo. Mas a agência empurrou a empresa escada abaixo: a queda foi logo de dois –e ainda com viés negativo. 

A presidente Dilma Rousseff, com a clarividência habitual, atribuiu a decisão "à falta de conhecimento". É verdade. A agência, o mercado e todo mundo desconhecem, por exemplo, o balanço da empresa. O que se dá como certo é que o governo indicou uma diretoria para o exercício da contabilidade criativa, com Aldemir "Hellôôô" Bendine à frente. A crise, no Brasil, também é brega. 

A realidade ganhava, assim, traços de caricatura, de narrativa barata, de roteiro de filme de segunda linha. Enquanto Lula, o grande sacerdote do modelo que levou a Petrobras ao desastre, oficiava na ABI mais uma de suas missas macabras, disparando contra elites imaginárias, a empresa passava a arcar com mais um custo das forças malignas que ele conjurava. Havia pouco, Paulo Okamotto, o sócio do Babalorixá de Banânia, explicara em entrevista como o partido lida com as empreiteiras: "Funciona assim: 'Você está ganhando dinheiro? Estou. Você pode dar um pouquinho do seu lucro para o PT? Posso, não posso.'" 

Das expressões ou palavras que criei para definir esses seres exóticos, "petralha" é a mais popular, mas não é a de que mais me orgulho. Gosto mesmo é de "burguesia do capital alheio", que é como chamo os companheiros desde meados da década de 90, antes ainda de sua ascensão, quando fingiam ares de resistência. 

Sempre me impressionou a facilidade com que se insinuavam nas estruturas do Estado e das empresas privadas e passavam a ser beneficiários do esforço de terceiros. Voltem lá a Okamotto. Jamais lhe ocorreria indagar se os empresários podem dar um pouco do seu risco ao PT. O partido se apropria é de uma parte do lucro. A expressão que criei serve para designar o petismo, mas poderia definir a máfia. 

O modelo entrou em colapso. Se Dilma será ou não impichada, não sei. Como escrevi nesta Folha, golpe é rasgar a lei e a Constituição democraticamente pactuadas. O que dá para saber, e isto é certo, é que a pantomima petista chegou ao fim. O custo é imenso. E vai cobrar a fatura de gerações, podem escrever. As ruas vêm aí, e Lula, o irresponsável da segunda-feira, com seus milicianos, nada pode fazer pela governanta. Ao contrário: é ele, hoje, quem a desestabiliza. 

A presidente tem de se escorar no braço de Eduardo Cunha e repetir Blanche DuBois, a doidona de "Um Bonde Chamado Desejo", quando decide seguir pacificamente para o hospício, em companhia de um alienista: "Seja você quem for, eu sempre dependi da boa vontade de estranhos".



A CPI das Empreiteiras

BRASÍLIA - O que esperar de investigadores bancados pelos investigados? Esse é o perfil dos deputados que comandarão a CPI da Petrobras, instalada nesta quinta-feira e condenada a apurar pouco, ou quase nada, sobre a corrupção na estatal. 

O presidente da comissão, Hugo Motta (PMDB-PB), teve 60% de sua campanha financiada pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Odebrecht, ambas citadas no escândalo. 

O relator, Luiz Sérgio (PT-RJ), recebeu 40% de seus recursos das construtoras OAS, Queiroz Galvão, UTC e Toyo Setal. As três primeiras estão com executivos na cadeia. A quarta era dirigida por um réu confesso do esquema, que já prometeu devolver R$ 40 milhões desviados. 

O conflito de interesses é evidente, mas os dois deputados dizem não ver nada de errado. Alegam que as doações foram registradas na Justiça Eleitoral, como determina a lei. O argumento foi endossado por integrantes da oposição, que também receberam ajuda das empreiteiras. 

"Você não pode ser punido por aquilo que a lei prevê. A doação não é sinônimo de propina, de corrupção", disse Carlos Sampaio (PSDB-SP). 

Não é disso que se trata, e sim dos interesses por trás de deputados que deveriam investigar com independência. "Quem contrata a orquestra escolhe a música", resumiu Chico Alencar (PSOL-RJ), um dos poucos a protestar contra a escalação da CPI. 

A escolha de Luiz Sérgio ainda afronta o Código de Ética da Câmara, que proíbe os deputados de relatar assuntos "de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral". 

A boa notícia é que o corpo mole dos políticos deve ser insuficiente para atrapalhar as investigações de verdade, conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. 

Os deputados encenarão um teatro na CPI, mas terão que enfrentar a pressão das ruas no Conselho de Ética, por onde passarão os inevitáveis processos de cassação de mandatos.



O procurador que sabe demais

A história um tanto nebulosa das ameaças ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, confere ao ambiente político, já tão carregado de nuvens negras, um ar que oscila entre a dramaticidade e a incredulidade. Em qualquer caso, grave.


Tais ameaças teriam sido detectadas pela área de inteligência do governo e justificado ao menos um encontro do ministro da Justiça com o procurador, sem constar previamente da agenda e sem pauta específica. As circunstâncias e os personagens embaralham ainda mais o drama.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, já é protagonista desde que se enrolou para explicar um encontro fora da agenda com um advogado da UTC, empreiteira que está no centro da Operação Lava Jato. E o procura-dor-geral da República está para entregar, vejam vocês, a lista dos políticos envolvidos no maior escândalo da história, o da Petrobrás.

Uma dedução lógica, portanto, é que Cardozo pode muito bem ter ido até Janot para tratar de Lava Jato, quem sabe dar uma espiada na lista, quem sabe até demonstrar satisfação pela inclusão de uns, aborrecimento pela de outros. Mas tudo isso são ilações.

Na primeira versão, oficial, o encontro foi para tratar das medidas anticorrupção, aquelas que o governo anuncia de 15 em 15 dias, quando não tem muito a acrescentar ao script. Na segunda, extra oficial, foi para tratar da tal ameaça contra Janot, que estaria agora com o esquema de segurança reforçado. Mas... livre para conversar também com o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, um dos partidos mais enrolados.

Cardozo e Janot são pivôs da queda de braço que ocorre nos bastidores entre o governo e empreiteiras envolvidas na Lava Jato. A estratégia do governo para a Lava Jato é tentar fechar uma confissão conjunta de cartel das empreiteiras, tanto nas delações premiadas na Justiça quanto nos acordos de leniência com a Controladoria-Geral da República.

Nessa hipótese, sonho do Planalto e do Instituto Lula, as investigações seriam encerradas com a incriminação das empreiteiras, sem atingir PT, PMDB, PP, as campanhas e os governos de Lula e Dilma. A corrupção seria das empresas, não de um esquema político para eternizar o PT no poder.

Até aqui, a versão de um (mais um...) cartel de empreiteiras vem sendo corroborada pelo site do Ministério Público e pelo trabalho do juiz Sérgio Moro, que exclui os políticos das delações para não entregar os desdobramentos para o foro privilegiado, o Supremo Tribunal Federal.

Resta saber, portanto, quais serão os próximos passos de Moro e do MP a partir da divulgação da lista de políticos do agora ameaçado Janot. E até que ponto os empreiteiros e os executivos trancafiados estão dispostos a ceder e o quanto vão resistir à pressão inclusive, ou principalmente, das famílias. Essa pressão de mulheres e filhos é para que entreguem todo mundo, ponto final.

Nunca se deve menosprezar, porém, o "poder de convencimento" (com ironia, por favor) das canetas e dos governos. As empreiteiras reclamam que BNDES, BANCO DO BRASIL e Caixa Econômica Federal fecharam as torneiras não apenas para elas, mas para seus conglomerados. Faz uma diferença fenomenal, ou melhor, bilionária. A construtora Odebrecht, por exemplo, é apenas um pedaço do Grupo Odebrecht. Se uma quebrar, sobrevive-se. Se for a outra, é o fim do mundo.

A pressão é para que os empresários e seus executivos assumam a tese de cartel e deixem os responsáveis políticos em paz. Mas não dá nem para apostar nisso e o governo dormir tranquilo, porque a qualquer hora alguém pode botar aboca no trombone e explodir toda a estratégia de Lula,Dilma,governo. Logo, há muito mais em jogo e muito mais gente sob ameaça do que apenas Janot. Se é que ele efetivamente está.

As circunstâncias e os personagens Cardozo e Janot embaralham mais o drama

Estadão >ELIANE CANTANHÊDE

De "mãe do PAC", Dilma vira madrasta

Publicado em 27 de fev de 2015
O governo decidiu emagrecer o PAC por decreto. É a primeira vez, desde que foi criado, que o Programa de Aceleração do Crescimento sofre cortes. São os efeitos colaterais da gastança e irresponsabilidade do governo petista.


Lula diz a senadores que Dilma deveria admitir erros e propor corrigi-los

Os erros são dela Em conversa na manhã desta quinta-feira com senadores do PMDB, Lula disse que Dilma Rousseff deveria ir a público para reconhecer que cometeu erros na condução do governo nos últimos anos e apresentar propostas para corrigi-los. O ex-presidente disse, segundo dois aliados, que essa seria a forma de escapar da crise de popularidade da presidente, amenizar a rejeição que enfrenta principalmente na classe média e evitar que manifestações pelo impeachment ganhem corpo.

Canteiro Lula também reclamou do atraso no lançamento da terceira etapa do PAC. Disse não entender por que o programa não foi apresentado, apesar de estar pronto desde a campanha.

Goela… Na véspera, o ex-presidente enquadrou o PT e disse que o partido tem o dever de se engajar na aprovação das medidas de ajuste fiscal.

… abaixo Argumentou que, se a economia não entrar nos eixos, o projeto político petista e a eleição de 2018 estarão em risco.

Quem sabe Nas andanças do petista por Brasília sobrou também para Aloizio Mercadante (Casa Civil). Lula acha que ele “mais fala do que escuta” e defende protagonismo maior de Jaques Wagner (Defesa), pela habilidade em conversar e compor.

Muy amigos De acordo com dois peemedebistas, Lula criticou a gestão de Nicolás Maduro na Venezuela, comparou-o a Hugo Chávez e brincou: “Agora não posso nem pisar lá para dar palestra”.
 
Nada mudou No encontro que tiveram há dez dias, Dilma já havia dito a Lula que se incomodava de saber de suas críticas pela imprensa.

Tô indo Em busca de recuperação, Dilma vai intensificar a agenda de viagens no início de março, ancorada pelo Minha Casa Minha Vida e pelo Pronatec.

Sotaque O governo ainda quer marcar nas próximas semanas um grande evento em São Paulo para melhorar a imagem da petista no Estado.

Mágoa No café com Lula, o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) reclamou de a Petrobras ter abandonado em definitivo o projeto da refinaria Premium I, no Maranhão.

Spoiler José Eduardo Cardozo (Justiça) e Rodrigo Janot negam que tenham conversado sobre a lista de políticos da Lava Jato no encontro que tiveram, mas nesta quinta-feira o ministro informou a Dilma que a apresentação dos nomes ficou para a semana que vem.
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Incomoda De um membro do governo, diante da nova polêmica sobre reuniões fora da agenda de Cardozo: “Ele perdeu peso, mas continua a se mover como um elefante numa loja de cristais’’.

Aqui, não Membros do governo relatam que não partiu da Polícia Federal, subordinada a Cardozo, o alerta sobre risco à segurança do procurador-geral da República.

CPF Relator dos casos da Lava Jato, Teori Zavascki sinalizou a colegas do STF que deve retirar totalmente o sigilo dos pedidos de abertura de inquérito contra políticos. Com isso, devem ser revelados os nomes completos dos possíveis investigados e o andamento dos processos.

Caladão Entre as medidas a serem adotadas por Janot para aumentar sua segurança, às vésperas de apresentar pedidos de investigação contra políticos, está mudar o número do celular.

Curinga O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu pela indicação de Clodoaldo Pelissioni, secretário dos Transportes Metropolitanos, para a presidência do Metrô.

TIROTEIO
Levy parece secretário do Tesouro, e não ministro da Fazenda. Só fala de corte, não de meios de voltar a crescer. Falta um animador.

DE LINDBERGH FARIAS (PT-RJ), senador, que defende que governo aja “como Lula fez na crise de 2008″, pois “o maior risco a ser enfrentado é a recessão”.

CONTRAPONTO
Austeridade alimentar

Kátia Abreu (Agricultura) e Joaquim Levy (Fazenda) se reuniram nesta quinta-feira (26) para começar as discussões sobre o Plano Safra, de financiamento a agricultores. A ministra, que está na dieta Ravenna, levou seis chocolates “para adoçar a boca” do colega e alertou:
–São afrodisíacos e energéticos!

Levy riu. Ao longo da reunião, o titular da Fazenda comeu dois chocolates e, no fim do encontro, guardou os outros quatro no bolso.

Um auxiliar de Kátia brincou, diante da cena:
–Até quando tem estoque, o ministro não gasta…



Radar: de reunião em reunião, Lula ouve lamentos e cobranças


Publicado em 27 de fev de 2015
No Radar On-Line, com Lauro Jardim, de reunião em reunião, Lula ouve críticas e mais críticas em relação a presidente Dilma Rousseff. Marco Antonio Villa avalia o nó político no Brasil e afirma: "sem o PT no governo, o país pode se desenvolver". Geraldo Samor, em VEJA Mercados, fala sobre a montanha-russa em que se transformou a vida das empresas de educação na Bolsa. No Nordeste, Dilma engana os pobres e espanca o idioma mais uma vez. A analise é de Felipe Moura Brasil.

Desenvoltura de Lula torna Dilma subpresidente

Marcello Casal/ABr
Nas últimas 72 horas, Lula substituiu Aécio Neves no papel de líder da oposição. Fez três aparições, uma no Rio e duas em Brasília. Em todas elas apontou para os calcanhares de vidro de Dilma Rousseff. Com isso, diminuiu um governo que já havia começado por baixo. 

E converteu a inquilina do Planalto numa espécie de subpresidente da República.

Numa noite, no Rio de Janeiro, Lula enfiou dentro de um discurso em “defesa” da Petrobras, uma crítica ao acanhamento de sua afilhada: “A Dilma tem de levantar a cabeça e dizer: ‘Eu ganhei as eleições’.'' Na noite seguinte, em Brasília, queixou-se aos senadores do PT da incapacidade do governo de explicar à plateia os objetivos das medidas econômicas que enviou ao Congresso.

Na manhã subsequente, ainda na Capital federal, reclamou da desarticulação política do Planalto num café da manhã com as raposas do PMDB do Senado. E tomou as dores do vice-presidente Michel Temer, excluído por Dilma do grupo de conselheiros da República, o G6, hoje 100% feito de ministros do PT.

Os políticos governistas vêem a volta de Lula à Presidência da República com grande otimismo, como se as coisas finalmente retornassem ao seu devido lugar, ainda que temporariamente. Embora sem trono, o rei do petismo exerce o poder de fato no Brasil.

Em verdade, o trono é o último lugar em que Lula deseja ser visto. Como eminência parda, ele maneja os fios de sua marionete e usufrui de todos os privilégios que o poder propicia. Com a vantagem de não ter de dar expediente no Palácio do Planalto.

Admita-se, para efeito de raciocínio, que o objetivo de Lula fosse o de socorrer Dilma. Para ficar no mais óbvio, poderia reconhecer que foi ele, não a madame, quem loteou as diretorias da Petrobras, entregando-as a prepostos corruptos de partidos com fins lucrativos.

Ao silenciar as próprias culpas, o presidente acidental deixa a impressão de que opera freneticamente para ajudar a si mesmo, escondendo suas pegadas embaixo de um discurso em que os ataques à ex-supergerente se misturam a declarações de guerra à oposição elitista e estocadas na mídia golpista. São ingredientes que não ornam com um plano de resgate da pupila. Combinam mais com uma plataforma pessoal para 2018. Como se não bastasse criticar a criatura, o criador antecipa o debate sucessório.



Janot pedirá só abertura de inquéritos contra políticos

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) apenas aberturas de inquéritos –e não fazer denúncias diretas– contra os políticos suspeitos de participar do esquema de corrupção na Petrobras. 

A informação foi confirmada à Folha por três pessoas que têm acesso a investigadores da Operação Lava Jato. 

A partir das delações e das provas colhidas em buscas e apreensões, procuradores avaliaram que, em alguns casos, havia elementos suficientemente robustos para a apresentação direta de denúncias contra alguns políticos. 

Entre esses casos estava o do senador Fernando Collor (PTB-AL). Em 2014, policiais encontraram no escritório do doleiro Alberto Youssef oito comprovantes de depósitos para Collor, que somam R$ 50 mil. Todos feitos em dinheiro vivo em maio de 2013. 

Collor negou manter relação com o doleiro. 

No entanto, após a formação de um grupo de trabalho na PGR (Procuradoria-Geral da República) para finalizar as peças que serão enviadas ao STF (Supremo Tribunal Federal), surgiram divergências sobre a conveniência de apresentação direta de denúncias. 

Alguns ponderaram que o mais seguro para o processo seria pedir a abertura de inquéritos, complementar as investigações e, posteriormente, fazer as denúncias. Foi o que prevaleceu.

Com isso, Collor, que poderia enfrentar uma denúncia direta na Justiça, terá contra si um pedido de abertura de inquérito. Caberá ao ministro do STF Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato, autorizar ou não. 

Inquéritos ou denúncias não significam culpa. O julgamento final cabe ao STF. 

Segundo interlocutores, Janot quer manter um ''padrão linear'' para as peças que tratam das autoridades. A ideia seria dar o tratamento mais isonômico possível para evitar eventual acusação de exploração política do caso. 

Outra questão diz respeito à linha de corte para solicitação de inquérito. Políticos que aparecem lateralmente, citados por delatores que "ouviram dizer", devem ficar de fora do alvo da PGR. 

A lista de políticos suspeitos deverá ser divulgada na terça, dia 3.