11 janeiro, 2018

Resposta de Isa Musa ao artigo de Maílson da Nóbrega para a Revista Veja

De: FAABB Federação [mailto:faabb@hotmail.com] 
Enviada em: terça-feira, 9 de janeiro de 2018 10:39
Para:
 

Assunto: MAÍLSON OUTRA VEZ??????

Prezados,

         Na revista Veja, edição de 10/01, n°2564, Maílson da Nóbrega volta a atacar o Banco do Brasil. Respondi à Revista
Transcrevo a matéria daquele economista e a minha resposta:

“Por um outro Banco do Brasil
A privatização será benéfica ao país e aos seus funcionários

Por Maílson da Nóbrega

O Banco do Brasil é a estatal mais emblemática do país. Nasceu em 1808 como banco privado para emitir moeda, uma necessidade criada pela chegada da família real ao Brasil e pela abertura dos portos.

O primeiro BB quebrou em 1829. Emitiu mais do que o lastro. Segundo Pandiá Calógeras, por erros atribuíveis “quase que exclusivamente ao governo, por causa dos empréstimos dispensáveis que solicitara, ou melhor, impusera”.
O segundo BB surgiu em 1853 focado em crédito. Nasceu da fusão do Banco do Brasil — criado pelo barão de Mauá em 1851 — com o Banco Comercial. Manteve-se sob o controle privado.

O terceiro resultou da fusão do segundo BB com o Banco da República do Brasil, em 1905. Com a Carteira de Redescontos, criada por lei de 1920, descontava seus empréstimos nele mesmo, algo inédito. Começava sua grande ascensão, sob o controle crescente do governo.

A Carteira de Crédito Agrícola e Industrial (lei de 1937) seria sua principal marca. Novas funções, inclusive de banco central, lhe foram atribuídas: o monopólio do câmbio, o controle e o financiamento do comércio exterior, a fiscalização bancária e a de depositário de recursos dos bancos.

Na lei que criou o Banco Central (BC, de 1964), o BB constou como o principal instrumento da política de crédito oficial via Orçamento Monetário, uma estimativa dos balanços anuais do BC e do BB.

Nasceu a “conta de movimento”, que supriria automaticamente o BB de recursos pelo BC, permitindo-lhe conceder “empréstimos sem limite”. Nos anos 1970, o BB virou o oitavo banco do mundo, mais pela forma de expandir seus empréstimos do que pelo porte da economia.

O BC atuava como banco de desenvolvimento, em esquema similar ao do BB, e geria a dívida pública. Um departamento do BB executava o Orçamento da União.
Nos anos 1980, fortes pressões inflacionárias tornaram a situação insustentável. Entre 1983 e 1984, estudos da Fazenda preconizavam abolir a “conta de movimento”, as atividades de desenvolvimento do BC e o Orçamento Monetário. Sugeriam a criação da Secretaria do Tesouro Nacional, para que esta assumisse as funções fiscais do BC e do BB.

As medidas foram aprovadas entre 1986 e 1988. O BB foi autorizado a atuar como qualquer outra instituição financeira. Malograram os temores de que ele não venceria os desafios.

Em 1995, o BB iniciou sua transformação. Diversificou operações, sofisticou a base tecnológica e ganhou eficiência. Arca, ainda, com o ônus de ser estatal. Tem sede em Brasília. Muda frequentemente a administração e a estratégia. Sofre o custo da fiscalização do Tribunal de Contas da União e da subordinação à Lei de Licitações.
A saída é a privatização. O BB está pronto. Poderá premiar funcionários por geração de negócios e produtividade, como ocorre em bancos privados. Livre do jugo do governo, aumentará a competição no mercado bancário e ampliará o papel de apoio ao desenvolvimento do país.

Surgirá um banco mais competitivo. O quarto Banco do Brasil da história será mais forte e promissor.”



Escrevi à Veja, uma resposta a Maílson da Nóbrega. Não sei se vão publicar na seção de Cartas a Redação.

Eis minha resposta:

Por que não se cala, Mailson!

Por Isa Musa de Noronha

De uma coisa o governo Temer tem sido pródigo! A capacidade de desenterrar velhas múmias da política econômica do passado. Agora é Maílson da Nóbrega,  ministro da Fazenda de Sarney, que fantasmagoricamente salta das páginas de Veja apregoando “Por Um Outro Banco do Brasil”. (Veja 2564, de 10/01/2018). Maílson apenas continua com sua saga contra o Banco do Brasil. Economista de pífia história no governo, ao assumir o Ministério da Fazenda em janeiro de 1988, Maílson afirmou que não descuidaria em nenhum momento, do controle da inflação, que não haveria nenhum pacote econômico ou "medidas heroicas", e que tentaria renegociar a dívida externa brasileira com os credores internacionais em condições tão favoráveis quanto às obtidas pelo México. Rapidamente, contudo, tornou-se claro que não seria capaz de cumprir nenhuma destas promessas. Nóbrega havia declarado que faria uma política econômica "feijão com arroz", sem "soluções miraculosas", realizando somente ajustes pontuais para evitar uma hiperinflação. Lançou o Plano Verão em 1989 e a inflação saltou para 1.972,9%. No primeiro trimestre de 1990, a inflação média mensal foi de 75,2%. Em seus 27 meses na Fazenda, conseguiu a façanha de gerar uma inflação acumulada de 120.249,7%.

O Banco do Brasil tem sido o alicerce de sucessivos governos. Corretamente serve ao país para manter a estabilidade da política econômica em épocas de crise. Exemplo de sua atuação salvadora foi no combate aos efeitos da crise internacional, desencadeada em 2008, quando o governo decidiu estimular a atividade dos bancos públicos – especialmente o BB, colocando crédito às grandes empresas e aos consumidores, sustentando muito bem o país naquela crise que veio de fora.

O Banco do Brasil tem história na economia nacional. Principal instrumento de fomento do governo, não pode ser descartado por nenhum governo, seja esse de direita ou de esquerda. Muito menos por um governo transitório, ilegítimo e altamente impopular.


Isa Musa de Noronha – Presidente da FAABB
 

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