30 junho, 2017

Corte de verbas deve forçar PF a suspender grandes operações

Carro com agentes da Polícia Federal escoltando o empresário Eike Batista chega ao presídio Aery Franco, no Rio (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)


Os problemas orçamentários da Polícia Federal não se limitam a suspensão da emissão de novos passaportes, conforme anunciado ontem pela instituição. A partir de agosto, a polícia deverá suspender grandes operações de combate a corrupção, inclusive parte das investigações relacionadas à Operação Lava-Jato, segundo disse ao GLOBO da cúpula da instituição. Com o corte de 44% no orçamento determinado pelo governo, a Polícia Federal não terá dinheiro para bancar passagens aéreas e diárias de policiais em viagens pelo país, entre outras despesas essenciais nas grandes operações.

"Em agosto param operações, para tudo. Não tem dinheiro para fazer mais nada", disse o delegado.

Segundo ele, trata-se da mais grave crise financeira da Polícia Federal. O delegado lembra que nas gestões passadas o governo chegou a falar sobre cortes nas verbas da PF várias vezes, mas em nenhum dos casos a ameaça foi concretizada. Mesmo com algumas dificuldades circunstanciais, a polícia teve condições de manter os principais serviços e levar adiante as grandes operações, algumas delas com prejuízos para setores do próprio governo. Agora a situação seria diferente.

Com a escassez de recursos, a polícia não tem como comprar passagens aéreas, pagar diárias ou mesmo bancar voos das próprias aeronaves. Sem isso, delegados não podem planejar grandes operações. Em geral, prisões, conduções coercitivas e buscas de provas dependem da mobilização de policiais em vários estados e não apenas de agentes e delegados do unidade sede da apuração. As missões interestaduais são uma tradição da polícia e tem por objetivo garantir o sigilo e a surpresa da própria ação policial.

"Sem deslocamento de policiais, não tem operação", afirma o delegado.

O orçamento da Polícia Federal é sugerido pela própria instituição. Mas a reserva de recursos depende exclusivamente do governo. Recentemente, o Ministério da Justiça anunciou um corte de 44% , ou quase meio bilhão, na verba prevista inicialmente para a PF. Se a previsão já era considerada baixa, o corte deixou a polícia sem fôlego para manter a máquina em pleno funcionamento. No começo do ano passado, o líder do governo do Senado, Romero Jucá (PMSB-RR) foi flagrado num conversa gravada dizendo que era preciso "estancar a sangria da Lava-Jato".

"A decisão sobre o orçamento da Polícia Federal é uma escolha do governo. No discurso, o governo diz que não quer interferir no trabalho da polícia. Diz até até que vai aumentar o número de adidos mundo afora. Mas na prática é bem diferente", diz o delegado.

A polícia explica ainda que a suspensão do passaporte é resultado de uma deliberação do governo e não de uma decisão interna da instituição. As verbas para a confecção de passaportes estão previstas em rubrica específica no orçamento. Ou seja, não há espaço para que o diretor-geral resolva, por conta própria, remanejar recursos de outros setores e mantenha a regularidade do atendimento ao público interessado em viagens ao exterior.

Para resolver o problema, o governo teria agora que mandar um pedido de verba suplementar ao Congresso Nacional e, a partir daí, recompor o orçamento para retomar o mais cedo possível a emissão dos passaportes. O presidente da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), Luiz Antônio Boundens disse que a paralisação deste tipo de serviço fere o direitos fundamentais das pessoas, sobretudo daquelas que querem viajar ao exterior.

"O Estado não pode limitar o direito de ir e vir das pessoas. Esse é um direito fundamental", disse Boundens.

O sindicalista responsabiliza o governo e a própria administração pela falha. Segundo ele, a polícia errou ao não pedir um volume maior de recursos para a área de passaportes ano passado, quando o orçamento ainda estava sendo elaborado. Um dos diretores da polícia considera a crítica improcedente. Isto porque a própria polícia vinha avisando o governo sobre o risco da suspensão da emissão de passaporte desde o ano passado. Mesmo com o alerta, o governo nada teria feito para evitar o problema.

28 junho, 2017

Vale aprova reestruturação que pulveriza controle da empresa




Apesar de resistências de um grupo de minoritários e de participantes de fundos de pensão, a Vale aprovou nesta terça (27) sua proposta de reestruturação societária, que põe fim ao bloco de controle da empresa, hoje em mãos do Bradesco e de fundos de pensão. 

Em assembleia, os acionistas votaram sete propostas, que representam a primeira fase da reestruturação, anunciada em fevereiro com o objetivo de fortalecer a governança da companhia e permitir seu acesso ao Novo Mercado da bolsa de São Paulo. 

Com a aprovação, as ações preferenciais deixarão de existir, sendo convertidas em ordinárias (com direito a voto). Esse foi o tema que apresentou maior rejeição, com voto contrário dos detentores de 22% das ações. 

Os termos de conversão foram alvo de reclamação do fundo Capital Group, que tem uma fatia de 12% da mineradora. Em questionamento à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o fundo pediu adiamento da assembleia, mas o pedido foi negado na última sexta (23). 

Participantes da Funcef, o fundo de pensão dos empregados da Caixa Econômica Federal, também questionaram a operação na CVM. O pleito ainda está em análise. 

Agora, a Vale dá início ao prazo de 45 dias para que os detentores de um número mínimo de 54,09% das ações preferenciais aceitem aderir à conversão, na qual trocarão cada ação por 0,9342 ação ordinária. 

A proposta prevê ainda a incorporação da Valepar, controlada por Bradesco, Mitsui e os fundos Funcef, Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcesp (Cesp) à Vale, eliminando o bloco de controle da companhia. 

O acordo limita a 25% a participação máxima de um único acionista na empresa. O investidor que quiser ter mais do que isso terá que fazer oferta para comprar a fatia de todos os demais. 

Para acionistas, a medida reduzirá a possibilidade de interferência política na mineradora, que desde a privatização, há 20 anos, vem sofrendo pressões por nomeação de executivos e pela realização de investimentos. 

Embora haja focos de resistência entre os participantes –que temem a queda do valor das ações com o fim do prêmio de controle– os fundos veem na operação uma chance de levantar dinheiro com a venda das ações da mineradora, que era dificultada pelo acordo de acionistas. 

Para a Previ, por exemplo, a mudança era considerada essencial para viabilizar o pagamento de aposentadorias, já que seu principal plano, o Plano 1, é detentor de 15,5% do capital da Vale e estava "preso" ao bloco de controle. 

Com a mudança, boa parte das ações estará livre para negociação a partir de fevereiro de 2018.
A Funcef, que votou a favor da reestruturação, também conta com a possibilidade de venda de ações da empresa. O fundo é detentor de 12,8% da Litel, veículo pelo qual os fundos participam do controle da mineradora. 

A Petros diz que o novo acordo garante maior liquidez para seu principal plano, o Plano Petros do Sistema Petrobras, que concentra 80% do investimento na mineradora e hoje tem déficit no pagamento de dividendos. 

ENTENDA
 
Pela proposta, as ações preferenciais deixarão de existir, sendo convertidas em ordinárias (com direito a voto). E a Valepar, empresa detida por Bradesco e pelos fundos e que exerce o controle da mineradora, será incorporada pela Vale. 

Assim, não haverá mais um bloco de controle definindo os rumos da companhia, o que reduz também os riscos de ingerência política na gestão –hoje, o governo exerce influência por meio dos fundos e do BNDESPar, que também é acionista.

Pelo acordo, um investidor só poderá ter 25% do capital da Vale. Quem quiser ter mais precisará fazer uma oferta para comprar a fatia de todos os demais acionistas. 

A ideia é concluir o processo até o final de 2017. O acordo prevê um período de transição até 2020, no qual parte das ações ficam congeladas. 

ALÍVIO
 
A mudança na estrutura da Vale resolve um problema para os fundos, que estiveram às voltas com rombos bilionários. Hoje, Previ (dos funcionários do BB), Funcef (Caixa), Petros (Petrobras) e Funcesp (Cesp) detêm ações na Vale por meio da Litel –que por sua vez é sócia da Valepar. Com esse modelo, os fundos não podem vender ações a qualquer tempo na Bolsa. 

Para a Previ, a mudança era essencial para viabilizar o pagamento de aposentadorias. A fatia na Vale é o principal ativo do Plano 1, o maior de seus planos, que tem 15,5% do capital total da Vale. Tal fatia, porém, está "presa" no bloco de controle. 

Com a mudança, boa parte das ações estará livre para negociação a partir de fevereiro de 2018, diz a Previ. O restante estará livre em 2020. 

O Plano 1 teve rombo de R$ 13,9 bilhões em 2015, mas os resultados haviam sido revertidos até novembro de 2016. 

A Funcef, que tem 12,8% da Litel, também comemorou a possibilidade de ter opções para a venda de sua fatia, destacando em nota que metade das ações ordinárias poderá ser negociada na Bolsa após seis meses. 

FOLHA

16 junho, 2017

Jornalista Alexandre Garcia é hostilizado em voo

O comportamento covarde dos petistas está virando moda. Essa gente é ridícula.

Eles têm esse comportamento agressivo para se dizerem vítima. Completamente sem noção.

Isso é deprimente!!!

O comentarista político Alexandre Garcia foi hostilizado durante um voo. Ainda na fila para o embarque, o jornalista foi abordado por um manifestante com gritos de "golpista" e "eternamente golpista". 


O militante de esquerda filmou o momento em que provoca Garcia e publicou o vídeo na quinta-feira (15) em um canal do Youtube. De acordo com o jornal "O Estado de S. Paulo", os insultos ao jornalista ocorreram durante um voo da Gol entre Brasília e Confins, Minas. 


O manifestante entra na fila e fica logo atrás do âncora da Globo News. "Como é ser golpista? Fala pra gente aqui. Não é a rede Globo não. Aqui é no filter. Você pode falar que vamos publicar sem edição. Como é compactuar com o sistema?", diz. 


Acompanhado por uma mulher, o jornalista permanece o tempo todo de costas ignorando as ofensas enquanto segue normalmente para o seu voo. 


O homem embarca no mesmo avião e até entrar na aeronave continua os ataques. "Golpista! Quis a história que estivéssemos no mesmo voo, né? Vai chamar a polícia federal? Vai ter mi mi mi? Vai dizer que é ódio? Vocês que incentivam o ódio contra o PT, contra o PCdoB, contra a esquerda... A história não te perdoará, golpista", protesta.



O manifestante segue Alexandre Garcia e, mais uma vez, fica atrás dele na entrada do avião. Enquanto isso, canta os versos: "A verdade é dura, a rede Globo apoiou a ditadura". 


"Fica tranquilo, a gente só vai ficar aqui dizendo que a rede Globo apoiou a ditadura, tá? Terrorismo midiático que vocês fazem diariamente a gente não vai fazer", afirma o homem. 


"Eu estou tranquilão. Você está me ameaçando?", responde. 


O mesmo homem que hostilizou Alexandre Garcia havia invadido um link ao vivo da Globo News aos gritos de "Globo golpista". O jornalista se pronunciou sobre o ataque ao jornal "O Estado de S. Paulo". "Ele disse que o piloto poderia ter retirado o rapaz do avião, mas que ele não permitiu. "Não deixei e posso dizer que esse rapaz voou graças a mim. Me deu um poder que eu não tenho. Não dei muita importância". 


A jornalista e apresentadora Miriam Leitão também foi alvo de um ataque durante um voo da companhia Avianca no dia 3 de junho partindo de Brasília com destino ao Rio de Janeiro. Ela fez um relato sobre o caso que foi publicado em sua coluna na terça-feira no jornal "O Globo".

"Sofri ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Durante duas horas", disse ela. 


Alexandre Garcia se manifestou em sua conta do Twitter em apoio à colega. 

"Minha solidariedade à Miriam Leitão. Intolerância é o oposto do debate racional. Salve, Miriam!", escreveu. O âncora Chico Pinheiro também se posicionou: "Absurda e covarde a agressão relatada por Míriam. O ódio não constrói um país melhor".

14 junho, 2017

O ódio a bordo

por Míriam Leitão


Sofri um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo.

Sábado, 3 de junho, o voo 6237 da Avianca, das19h05, de Brasília para o Santos Dumont, estava no horário. O Congresso do PT em Brasília havia acabado naquela tarde e por isso eles estavam ainda vestidos com camisetas do encontro. Eu tinha ido a Brasília gravar o programa da Globonews.

Antes de chegar ao portão, fui comprar água e ouvi gritos do outro lado. Olhei instintivamente e vi que um grupo me dirigia ofensas. O barulho parou em seguida, e achei que embarcariam em outro voo.

Fui uma das primeiras a entrar no avião e me sentei na 15C. Logo depois eles entraram e começaram as hostilidades antes mesmo de sentarem. Por coincidência, estavam todos, talvez uns 20, em cadeiras próximas de mim. Alguns à minha frente, outros do lado, outros atrás. Alguns mais silenciosos me dirigiram olhares de ódio ou risos debochados, outros lançavam ofensas.
— Terrorista, terrorista — gritaram alguns.

Pensei na ironia. Foi “terrorista” a palavra com que fui recebida em um quartel do Exército, aos 19 anos, durante minha prisão na ditadura. Tantas décadas depois, em plena democracia, a mesma palavra era lançada contra mim.

Uma comissária, a única mulher na tripulação, veio, abaixou-se e falou:
— O comandante te convida a sentar na frente.

— Diga ao comandante que eu comprei a 15C e é aqui que eu vou ficar — respondi.

O avião já estava atrasado àquela altura. Os gritos, slogans, cantorias continuavam, diante de uma tripulação inerte, que nada fazia para restabelecer a ordem a bordo em respeito aos passageiros. Os petistas pareciam estar numa manifestação. 

Minutos depois, a aeromoça voltou:
— A Polícia Federal está mandando você ir para frente. Disse que se a senhora não for o avião não sai.

— Diga à Polícia Federal que enfrentei a ditadura. Não tenho medo. De nada.

Não vi ninguém da Polícia Federal. Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor, não chegou até a minha cadeira.

Durante todo o voo, os delegados do PT me ofenderam, mostrando uma visão totalmente distorcida do meu trabalho. Certamente não o acompanham. Não sou inimiga do partido, não torci pela crise, alertei que ela ocorreria pelos erros que estavam sendo cometidos. Quando os governos do PT acertaram, fiz avaliações positivas e há vários registros disso.

Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. 

Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias. Ameaçaram atacar fisicamente a emissora, mostrando desconhecimento histórico mínimo: “quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo”, berrou um deles. Ela foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas.

O piloto nada disse ou fez para restabelecer a paz a bordo. Nem mesmo um pedido de silêncio pelo serviço de som. Ele é a autoridade dentro do avião, mas não a exerceu. A viagem transcorreu em clima de comício, e, em meio a refrões, pousamos no Santos Dumont. A Avianca não me deu — nem aos demais passageiros — qualquer explicação sobre sua inusitada leniência e flagrante desrespeito às regras de segurança em voo. Alguns dos delegados do PT estavam bem exaltados. 

Quando me levantei, um deles, no corredor, me apontou o dedo xingando em altos brados. Passei entre eles no saguão do aeroporto debaixo do coro ofensivo.

Não acho que o PT é isso, mas repito que os protagonistas desse ataque de ódio eram profissionais do partido. Lula citou, mais de uma vez, meu nome em comícios ou reuniões partidárias. Como fez nesse último fim de semana. É um erro. Não devo ser alvo do partido, nem do seu líder. Sou apenas uma jornalista e continuarei fazendo meu trabalho.

(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)


 As feministas de plantão não se mobilizaram em defesa da Mulher Jornalista, Mirian Leitão, que faz, muito brilhantemente, o seu trabalho de levar a informação aos lares brasileiros.

O petismo cada dia demonstra seu ódio a quem o combate. Além da covardia da agressão de muitos contra apenas uma pessoa, há também a absurda insensatez de comportamento jogando a culpa das suas ações corruptas nas costas daqueles que cujo trabalho é  informar a população de incautos que, por ventura, ainda acreditam neles.


01 junho, 2017

Exclusivo: Ex-presidente da Previ Ricardo Flores é investigado

Resultado de imagem para Ricardo Flores, ex-presidente da Previ.A Polícia Federal abriu inquérito para investigar Ricardo Flores, ex-presidente da Previ. Flores também foi vice-presidente de crédito do banco estatal.



Ele será investigado por suspeita de lavagem de dinheiro na aquisição de um imóvel quando presidia o fundo de pensão dos servidores do BB.


A delegada Rúbia Pinheiro assina a portaria de abertura do inquérito, obtida por O Antagonista.


O pedido de investigação partiu do procurador Anselmo Lopes, responsável pela Greenfield e pela negociação do acordo de leniência com a JBS.


Autor: www.oantagonista.com
Fonte: www.oantagonista.com 

25 maio, 2017

Novos crimes podem anular benefícios em acordo de delação do grupo JBS

Governo encurralado


Danilo Verpa - 13.fev.2017/Folhapress
O acordo de delação de Joesley Batista pode ter seus benefícios anulados
O acordo de delação de Joesley Batista pode ter seus benefícios anulados


O acordo de delação de Joesley Batista pode ter seus benefícios anulados se as investigações sobre compra de dólares e venda de ações pelo grupo concluírem que houve crime nas operações, segundo três especialistas ouvidos pela Folha. 

O rompimento do acordo em caso de novos crimes está previsto em documento assinado por Joesley com aProcuradoria-Geral da República

Se isso ocorrer, ele terá de responder pelos novos crimes, mas as informações sobre corrupção reveladas pela empresa não são anuladas e continuam a ser apuradas em inquéritos da Polícia Federal.

A JBS é alvo de cinco investigações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regula o mercado financeiro, por ter comprado US$ 1 bilhão e vendido ações antes de o acordo de delação ter sido revelado pelo jornal "O Globo" na última quarta (17). 

A bomba política fez o dólar subir 8,15% na quinta-feira (18), a maior alta registrada em 18 anos. O US$ 1 bilhão comprado antes pelo grupo rendeu ao menos US$ 80 milhões (R$ 262,3 milhões).
No mês anterior à assinatura do acordo, o grupo vendeu R$ 328,5 milhões em ações. Desde a última quarta, as ações da JBS perderam 31% de seu valor na Bolsa. 

A CVM apura se foi cometido o crime de "insider trading", o uso de informações privilegiadas para negociar ações. Só nessas duas operações o ganho da JBS foi de R$ 364 milhões –R$ 114 milhões acima da multa de R$ 250 milhões. 

No cômputo geral, porém,os irmãos Joesley perderam R$ 7,8 bilhões neste ano, já que as ações do grupo desvalorizaram 42,3% no período. A família tem 44,15% das ações. 

AGRAVANTE
 
A advogada Sylvia Urquiza, presidente do Instituto Compliance Brasil, diz que há um agravante no caso de Joesley porque o empresário teria usado o próprio acordo para cometer crimes e lucrar. 

"É o caso de anulação porque houve uma ação premeditada. Todo mundo sabe que o dólar subiria e o preço das ações da JBS cairia com as revelações feitas pelos irmãos Batista", diz Walter Bittar, professor de direito da PUC de Curitiba e autor de livro sobre delação premiada. 

A aparente especulação, de acordo com Bittar, revela uma atitude contrária ao acordo de delação: "O acordo pressupõe arrependimento, lisura e o compromisso de ficar longe do crime. Nada disso foi respeitado no caso da JBS". 

O juiz federal Frederico Valdez Pereira, também autor de um livro sobre delação, diz que a eventual anulação não atinge os relatos sobre suborno. "Isso significa que a investigação e o processo penal devem prosseguir", afirma.

OUTRO LADO

A JBS informa em nota que "todas as operações de compra e venda de moedas, ações e títulos realizadas pela J&F [controladora da JBS], suas subsidiárias e seus controladores seguem as leis que regulamentam tais transações. Como já informado ao mercado, em relação às notícias veiculadas sobre operações de câmbio que teriam sido realizadas pela JBS, a companhia esclarece que gerencia de forma minuciosa e diária a sua exposição cambial e de commodities". 

De acordo com a nota, "a JBS tem como política a utilização de instrumentos de proteção financeira visando, exclusivamente, minimizar os seus riscos cambiais". 







24 maio, 2017

Como Joesley comprava a boa vontade de fundos de pensão estatais

Em sua delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, relatou à Procuradoria-Geral da República como comprava facilidades junto ao os fundos de pensão estatais Petros, da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal, durante os governos do Partido dos Trabalhadores. Joesley afirmou aos procuradores que, para conseguir investimentos em suas empresas, pagou propina de 1% aos presidentes dos dois fundos e ao PT, que tinha influência nas decisões de abrir ou não os cofres de ambos, entre os anos de 2008 e 2015.

O valor a ser pago em propina foi acertado em 2008, quando o empresário montou um plano de expansão da JBS que previa a venda, por 1 bilhão de dólares, de 12,99% das ações da empresa a BNDES, Funcef e Petros.

Segundo o delator, o então presidente do fundo de pensão da Caixa, Guilherme Lacerda, alertou-o na época que seria necessário estreitar as relações com o PT. Foi quando, relata Joesley Batista, ele conheceu os ex-tesoureiros petistas Paulo Ferreira, réu na Operação Lava Jato, e João Vaccari Neto, condenado a mais de 30 anos de prisão pelo juiz federal Sergio Moro.

https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/192117-como-joesley-comprava-a-boa-vontade-de-fundos-de-pensao-estatais.html#.WSWGosm1tsY


23 maio, 2017

Morre José Branisso, vice-presidente Administrativo Financeiro da ANABB


Nota de pesar pelo falecimento de José Branisso, vice-presidente Administrativo Financeiro da ANABB

Branisso faleceu na madrugada desta terça-feira, 23/5

É com bastante pesar que a ANABB recebeu a notícia do falecimento de José Branisso, vice-presidente Administrativo Financeiro da Associação. Branisso faleceu na madrugada desta terça-feira, 23/5. O velório acontecerá ainda nesta terça-feira, a partir das 18h, na capela 5 do cemitério Campo da Esperança, em Brasília (DF). O enterro está marcado para quarta-feira (24/5), às 11h.  

O vice-presidente Administrativo Financeiro assumiu o cargo em janeiro de 2016 para uma gestão de quatro anos. Branisso era um profissional dedicado e tinha um grande conhecimento sobre o Banco do Brasil e a ANABB. Era conhecido por ter uma memória privilegiada.

Branisso era economista e advogado com pós-graduação em nível de mestrado pela USP. Foi presidente do Conselho Deliberativo da ANABBPrev. Foi diretor interino e gerente-executivo da Diretoria de Agronegócios e assessor da Presidência no Banco do Brasil. Foi conselheiro deliberativo do Instituto de Pesquisas Econômicas da USP, conselheiro fiscal da Ordem dos Economistas do Brasil, da Cosern, Celpe e da Cooperforte. Presidente do Conselho de Administração da Fiagosa. Diretor Administrativo e Financeiro da CoopANABB e coordenador do Conselho Consultivo Plano Previ I da Previ. Na ANABB, foi conselheiro deliberativo e presidiu o Conselho Deliberativo nas gestões (jul/1992 a dez/1992 e mar/1993 a dez/1995), integrou o Grupo de Assessores Temáticos (GATs) da ANABB e ocupou também o cargo de diretor de Atividades (dez/1990 a jul/1992).

Deixamos nossas mais sinceras condolências à família e amigos por essa inestimável perda.



 

18 maio, 2017

Notícia sobre gravações envolvendo Temer cai como uma bomba em Brasília





O presidente Michel Temer foi gravado por um dos donos do grupo J&F, proprietário do frigorífico JBS, falando sobre a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A informação foi dada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal "O Globo", e confirmada pela Folha
Temer ouviu do empresário Joesley Batista, da JBS, que ele estava dando a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, um dos operadores da Operação Lava Jato, uma mesada na prisão para que ficassem em silêncio. 
De acordo com o jornal "O Globo", Joesley levou um gravador para registrar o encontro, no Palácio do Jaburu, ocorrido em março deste ano. Funaro está preso, assim como Cunha, que manteve por anos relação próxima ao atual presidente dentro do PMDB. 
A divulgação do caso lançou o governo em sua maior crise, paralisou a discussão sobre as reformas e gerou questionamentos sobre a capacidade de sobrevivência do Executivo. 
No Congresso e em manifestações de rua, houve pedidos de saída do peemedebista e realização de eleições diretas. 
Pedro Ladeira - 12.set.2016/Folhapress
BRASÍLIA, DF, 12.09.2016: EDUARDO-CUNHA - O deputado afastado Eduardo Cunha se defende em sessão na Câmara dos Deputados, que decide se seu mandato será cassado. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha

O Planalto confirmou o encontro com Joesley, mas negou as afirmações do empresário. Nota divulgada nesta quarta (17) diz que Temer "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio" de Cunha e que não participou nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça. 
Joesley afirmou na delação ter pago para Cunha R$ 5 milhões após a prisão dele, em outubro do ano passado, em um "saldo de propina" remanescente que possuía. 
AÇÃO CONTROLADA
 
O processo de delação dos executivos da JBS teve pela primeira vez acompanhamento eletrônico de cédulas de dinheiro, filmagens e gravações, no que se costuma chamar de ação controlada, forma excepcional de investigação policial. 
Esse tipo de ação ocorre quando um criminoso, réu ou suspeito aceita coletar provas para a polícia, com a supervisão direta, apoio tecnológico e eventual intervenção das autoridades policiais no processo. 
A coleta de provas faz parte do acordo de delação, no qual o investigado terá benefícios, como um tempo menor de prisão ou mesmo a extinção da pena. 
INTERMEDIAÇÃO
 
Mastrangelo Reino - 13.ago.2009/Folhapress
SAO PAULO, SP, BRASIL, 13-08-2009:O dep federal Rodrigo Rocha Loures dentro da cabine de um Gulfstream 450 na Labace, principal feira de avioes executivos e helicopteros do mundo. (Foto: Mastrangelo Reino/Folha Imagem, ILUSTRADA) ***EXCLUSIVO MONICA BERGAMO***
O deputado federal Rodrigo Rocha Loures, que teria sido filmado com mala de R$ 500 mil

A delação aponta também que Temer destacou o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para intermediar interesses do grupo empresarial no Cade, órgão de defesa da concorrência. 
Desde 2011, ele trabalha com o presidente, quando Temer foi eleito vice na chapa de Dilma Rousseff. Rocha Loures, na época, era chefe de Relações Institucionais da Vice-Presidência. 
Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista, do grupo JBS. 
Joesley e seu irmão Wesley foram ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin para selar um acordo de delação premiada na última quarta (10). 
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. A quantia foi entregue posteriormente a um primo do tucano, em ação filmada pela PF. 
A delação da JBS também menciona o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como contato da companhia com o PT. 
A JBS esteve na mira de investigações da Polícia Federal em diferentes frentes desde 2016. Na sexta-feira (12), a PF deflagrou operação sobre supostas irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES. O juiz responsável, Ricardo Leite, de Brasília, negou um pedido de prisão contra os donos da empresa. 
A empresa teve forte expansão, inclusive fora do Brasil, a partir da década passada e se tornou em uma das principais doadoras de campanhas. 
REAÇÕES
 
O presidente começou a esboçar na noite desta quarta estratégia para evitar que o caso desestabilize sua gestão e afete a votação de reformas defendidas pelo governo. 
Em uma tentativa de reação, Temer se reuniu logo depois com ministros, políticos aliados e com o núcleo de comunicação do Planalto para preparar um posicionamento público. 
A ordem era, por enquanto, minimizar as acusações, passar um clima de normalidade institucional e defender que é necessário ainda aguardar a divulgação das eventuais gravações. 
Nos bastidores, contudo, assessores e auxiliares reconhecem que, caso os áudios venham a público, podem criar a pior crise enfrentada até o momento pela gestão peemedebista, que completou um ano na semana passada. 
A avaliação é de que isso pode desmantelar a base aliada e fomentar os partidos de oposição a pressionarem por seu impeachment, já que o episódio ocorreu durante o mandato presidencial. 
Pedro Ladeira - 25.abr.2017/Folhapress
Brasilia,DF,Brasil 25.04.2017 Presidente Michel Temer e recebido pelo presidente da camara Rodrigo Maia (dem-rj) para um almoco com governadores para tratar da reforma da previdencia. Na residencia oficial da camara. Ao lado deles os ministros Antonio Imbassahy (Secretaria de governo) e Henrique Meirelles (fazenda). Foto: Pedro Ladeira/Folhapress cod 4847
Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em Brasília

Aliado de Temer, Maia encerrou a sessão desta quarta, bateu boca com a oposição e deixou o plenário da Casa transtornado. 
"Não tem mais clima para trabalhar. Só isso", disse o presidente da Câmara ao deixar a Casa pelo cafezinho anexo ao plenário. 
AÉCIO E MANTEGA
 
Joesley e seu irmão Wesley foram ao gabinete do ministro do Supremo Edson Fachin para selar seus acordos de delação premiada. 
Segundo investigadores, o senadorAécio Neves (PSDB-MG) foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley e que a quantia foi entregue a um primo do tucano, em ação filmada pela PF. 
A delação, diz "O Globo", também menciona o ex-ministro da FazendaGuido Mantega como contato com o PT
MERCADO
 
Após a divulgação da existência das gravações envolvendo o presidente Temer, os papéis de empresas despencaram no mercado financeiro internacional. 
Fundo que tem como referência ações e títulos de empresas brasileiras negociados nos EUA (ETF do índice MSCI Brasil) iniciou uma derrocada a partir das 19h40 (quando a informação foi publicada pelo jornal "O Globo") e chegou a afundar mais de 11%. 
Um fundo similar, mas no mercado japonês, sofreu efeito semelhante. Até a conclusão desta edição, ele registrava queda de 9% 

Romério Cunha - 12.dez.2012/Vice-Presidência
Michel Temer e Joesley Batista, em inauguração de fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, em 2012
Temer e Joesley Batista, em inauguração de fábrica de celulose em Mato Grosso do Sul, em 2012

O QUE ACONTECE SE MICHEL TEMER DEIXAR A PRESIDÊNCIA?
 
Nos dois anos finais do mandato, a Constituição prevê eleição indireta em caso de dupla vacância, ou seja, queda do presidente e do vice por renúncia, afastamento ou morte. 
Quem assumiria a Presidência?
 
O primeiro na linha sucessória é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) –depois vêm o do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e a do STF, Cármen Lúcia. Maia teria 30 dias para convocar uma eleição indireta. 
Quem elegeria o novo presidente?
 
Os 513 deputados e 81 senadores, em sessão bicameral, com voto aberto e peso igual para todos. 
Quem poderia se candidatar?
 
A Constituição não especifica se as regras de elegibilidade (ser brasileiro, ter 35 anos ou mais, filiado a um partido etc.) se aplicam num pleito indireto. Alguns especialistas defendem que se siga o roteiro geral. Outros, que essas normas não valem aqui. Caberia ao Congresso definir. 
Magistrados poderiam virar presidente?
 
Para a turma que aponta buracos na Constituição sobre quem é elegível, sim. Numa eleição direita, só pode se candidatar quem se descompatibilizar do cargo seis meses antes do pleito. 
Diretas Já é algo possível?
 
Seria preciso aprovar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para alterar as atuais regras do jogo. Já há iniciativa afim no Congresso, de Miro Teixeira (Rede-RJ). 
Temer pode ser denunciado?
 
Sim, se a Procuradoria-Geral entender que houve crime no mandato atual. Mas a denúncia só chegaria ao STF com autorização de dois terços da Câmara (crimes de responsabilidade, caso de Dilma, também passam pelo Senado). O rito não é ágil. 


FOLHA