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25 março, 2017

Por volta de contribuição, centrais oferecem oposição menor a reforma


25/03/2017 02h00


Centrais sindicais ofereceram ao presidente Michel Temer a abertura de negociações para apoiar as reformas da Previdência e trabalhista em troca de ajuda do governo para retomar a cobrança da contribuição assistencial —taxa paga por trabalhadores para financiar a atividade dos sindicatos. 


Dirigentes da Força Sindical, comandada pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), se reuniram na terça (21) com Temer e com o ministro Ronaldo Nogueira (Trabalho) para apresentar a proposta.

Os sindicalistas pediram que o presidente edite uma medida provisória ou apoie a aprovação no Congresso de um projeto que regulamente a cobrança da contribuição. 

Em troca, as centrais aceitariam reduzir suas resistências às propostas de Temer para alterar regras previdenciárias e trabalhistas. 


A contribuição assistencial é descontada pelos sindicatos dos trabalhadores da categoria que representam, mesmo dos não filiados. Em fevereiro, o STF proibiu a cobrança da taxa de trabalhadores não sindicalizados. 


O valor da contribuição é decidido por cada entidade em assembleias e convenções coletivas e usado para financiar as atividades sindicais. Além dessa taxa, as entidades cobram a contribuição sindical, que é obrigatória e equivale a um dia de trabalho. 


Centrais, sindicatos, federações e confederações arrecadaram R$ 3,5 bilhões com a contribuição sindical em 2016. Estimam que a taxa assistencial, cobrada à parte, representa até 80% do orçamento de algumas entidades. 


A Força diz ter o apoio da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) para as negociações. As quatro entidades representam 37% dos trabalhadores do país. 


"Se não houver a legalização da contribuição, os sindicatos fecham", disse o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves. 


Temer deve voltar a discutir o assunto com auxiliares nos próximos dias. O ministro do Trabalho disse ao presidente que o acordo com as centrais seria um passo importante para reduzir manifestações contra as reformas. 


A Força convocou protestos e paralisações para 28 de abril, mas indicou ao Planalto que está disposta a suspender os atos caso haja acordo. 


Auxiliares de Temer tratam a aproximação com cautela. Acreditam que o apoio das centrais aos dois projetos é inalcançável e que, ao ajudar na retomada da cobrança da taxa assistencial, o Planalto ajudaria a financiar opositores das reformas.

 
NO COFRE DAS CENTRAIS

R$ 3,5 bilhões
arrecadação em 2016 com a contribuição sindical

80%
fatia da taxa no orçamento de algumas centrais




06 outubro, 2016

Bancários devem votar fim da greve com aumento de 8% no salário

Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
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Homem cola cartaz indicando greve em agência bancária em São Paulo. Leia mais


Os bancários devem votar nesta quinta-feira (6) a proposta de aumento salarial dos bancos, que pode colocar fim à mais longa greve da categoria desde 2004, quando trabalhadores do setor público e privado passaram a negociar em conjunto. Nesta quinta, a paralisação da categoria chega ao 31º dia. 

A Fenaban (braço sindical da Febraban, entidade que representa os bancos) ofereceu, em rodada de negociação realizada nesta quarta (5), aumento salarial de 8% mais o pagamento de um abono de R$ 3.500. O vale-alimentação será reajustado em 15%, enquanto o vale-refeição e o auxílio-creche terão aumento de 10% neste ano.

Os bancos propuseram, ainda, que o acordo fosse por dois anos. 
Em 2017, os bancários terão aumento real de 1%. 

O acordo prevê também o abono de todos os dias parados dos trabalhadores, mas isso está condicionado à volta ao trabalho ainda na sexta-feira (7). 

A campanha salarial dos bancários se iniciou em agosto. Eles pediam reposição da inflação e mais um aumento real de 5%. Os empregadores ofereciam apenas 6,5% e mais o pagamento de um abono de R$ 3.000. 

Apesar da duração da greve, é a primeira campanha em anos que os trabalhadores não conquistam aumento real. Segundo a Fenaban, a maior parte dos trabalhadores já garantiria a reposição da inflação, com o pagamento do abono. Mas esse abono não é incorporado ao salário. 

No ano passado, os bancários haviam parado por 26 dias e receberam aumento real de 0,11%, o menor em seis anos. 

REPERCUSSÃO
 
No auge da greve, mais de 13 mil agências foram fechadas, o equivalente a 57% dos pontos de atendimento, segundo acompanhamento da Contraf (confederação que representa os trabalhadores do setor financeiro). 

No entanto, a maior parte dos serviços bancários já é realizada pelos canais eletrônicos de atendimento, o que diminui o impacto da greve sobre a população.
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Como são os benefícios dos bancários hoje

>> Piso salarial para cargos em escritório após 90 dias - R$1.976,10
>> Piso salarial para caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.669,45
>> Auxílio-refeição: R$ 29,64 por dia
>> Auxílio cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 491,52
>> Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 394,70
>> Participação nos Lucros e Resultados - 90% do salário + 2.021,79 (podendo chegar a 2,2 salários) e parcela adicional: 2,2% do lucro líquido dividido linearmente entre os trabalhadores, com teto de R$ 4.043,58

Proposta que pode ser aprovada nesta quinta (6)

>> Piso salarial para cargos em escritório após 90 dias - R$2.134,19
>> Piso salarial caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.883,01
>> Auxílio-refeição: R$32,60 por dia ou R$ 717,29 (mensal)
>> Auxílio cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 565,25
>> Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 434,17
>> Participação nos Lucros e Resultados - Regra básica: 90% do salário + 2.183,53 (podendo chegar a 2,2 salários) e parcela adicional: 2,2% do lucro líquido dividido linearmente entre os trabalhadores, com teto de R$ 4.367,07 






13 abril, 2016

SERVIDORES E CENTRAIS SINDICAIS DECIDEM ESTRATÉGIAS DA PARALISAÇÃO NACIONAL DE 13 E 14 DE ABRIL

SERVIDORES E CENTRAIS SINDICAIS DECIDEM ESTRATÉGIAS DA PARALISAÇÃO NACIONAL DE 13 E 14 DE ABRIL


Publicado em


Representantes de federações e confederações de servidores públicos das três esferas (federais, estaduais e municipais) e de oito centrais sindicais (CUT, CTB, Nova Central, Força Sindical, UGT, CSP/Conlutas, CGTB e Pública) estão reunidos, neste momento, para discutir as estratégias da paralisação nacional do funcionalismo civil e militar amanhã e na quinta-feira. O encontro acontece na sede nacional da CUT, em Brasília, no Setor Bancário Sul (SCS Quadra 01, Bloco I). Os protestos são contra o Projeto (PLP 257/2016) que refinancia as dívidas de Estados e municípios. Os servidores entendem que o documento retira direitos de milhares de trabalhadores, além de interromper a política de valorização do salário mínimo.

Amanhã, além dos atos unificados nos estados, no Distrito Federal, às 15 horas, os servidores se concentram em frente ao Ministério da Fazenda e marcharão até o Congresso Nacional, às 17 horas. Na quinta, paralisações totais em todo o país. Em Brasília, a concentração no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, às 9 horas; às 10 horas, lançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços Públicos. De acordo com os servidores, o Projeto de Lei prevê a obrigação do Estado de cortar, durante dois anos, vários direitos, dentre eles:


1) aumenta a contribuição previdenciária de 11% para 14%;
 
2) proíbe aumento de salário, inclusive de aposentados;
 
3) proíbe progressão na carreira;
 
4) proíbe concurso público e proíbe, também, chamar os já aprovados;
 
5) incentivo à demissão voluntária;
 
6) limita os direitos dos servidores estaduais a, no máximo, o que tem o servidor federal no Regime Jurídico Único;
 
7) acaba com os quinquênios e anuênios;
 
8) acaba com a licença prêmio;
 
9) proíbe receber em dinheiro as férias e as licenças não gozadas.
 
10) contratação só de terceirizados, etc.


 Colegas associados da CASSI essa matéria é mais um lembrete para quem ainda pretende votar nas Chapas 1 e 2 que têm alinhamento com o cruel e desumano governo petista corrupto.

Vejam a cara de pau de Dilma que ainda diz que tem honradez e que tem respeito pelo povo brasileiro. Se é essa a demonstração do respeito que Dilma diz pelo povo, o povo agradece e dispensa.




11 abril, 2015

Aécio Neves está disposto a participar de ato contra o governo Dilma

Protestos no Brasil



O senador Aécio Neves (PSDB-MG) está disposto a participar da manifestação marcada para domingo (12) que tem como foco a crítica ao governo da presidente Dilma Rousseff. O tucano sinalizou a aliados que deve estar presente no ato em Belo Horizonte ao lado de outros membros do PSDB de Minas. 

Na primeira manifestação, que ocorreu em março, Aécio optou por não comparecer para não ser acusado de "surfar" no movimento apartidário. Líderes do PSDB continuam divididos sobre a participação de Aécio. 

Alguns avaliam ser necessária a presença do senador para que o partido se firme como representante da insatisfação popular. 

O senador ainda não bateu o martelo porque, nos bastidores, teme que os atos estejam esvaziados, o que poderia vincular sua imagem a uma ação com menos força que a anterior. Além disso, o tucano teme ser acusado de pegar carona em um movimento que não tem vinculação política, como pregam seus organizadores. 

Como a manifestação em Belo Horizonte está marcada para a manhã de domingo, congressistas do PSDB também pressionam Aécio para que o senador compareça ao ato de São Paulo, que ocorre à tarde, onde diversos tucanos prometem estar presentes. 

Líder do PSDB, o senador Cássio Cunha Lima (PB) disse que o presidente do partido tem que estar presente porque "política não se faz longe da rua". "Ele agiu corretamente ao não participar do primeiro ato para não parecer oportunismo. Mas as pessoas estão exigindo a nossa presença. Não podemos perder esse momento." 

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a decisão mais sensata seria a de Aécio não participar dos atos políticos, uma vez que não há vinculação com nenhum partido e vários eleitores defendem a independência dos movimentos. "Acho que nós, políticos, não devemos ir para que o movimento seja espontâneo e apartidário. Qualquer envolvimento de partidos pode parecer oportunismo." 

Na primeira manifestação, no dia 15 de março, Aécio apareceu na janela de seu apartamento no Rio de Janeiro vestindo a camisa da seleção brasileira de futebol para sinalizar seu apoio ao movimento, mas não saiu de casa. 
 

22 março, 2015

PSDB acusa ministro da Comunicação de improbidade em representação


Protestos de março de 2015



O líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), protocolou uma representação no Ministério Público Federal contra o ministro da Comunicação Social Thomas Traumann, acusando-o de improbidade administrativa pelo uso do órgão para a promoção pessoal e eleitoral da presidente Dilma Rousseff. 

Sampaio se baseia em documento produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência e revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo", que faz uma análise sobre a comunicação desse segundo mandato. 

"Nesse mesmo documento, aparecem análises sobre as estratégias das campanhas da presidente Dilma de 2010 e 2014, além de propostas para "virar o jogo" eleitoral, dividindo responsabilidades, exclusivas da Pasta, com pessoas alheias à administração pública, como o PT, o Instituto Lula e blogueiros", diz nota divulgada pelo PSDB. 

"Pelo que se extrai do referido documento, em nenhum momento as ações da Secom visavam beneficiar o cidadão brasileiro, mas sim fazer com que a presidente Dilma se viabilizasse politicamente e eleitoralmente", afirma o líder do PSDB, na nota. 

A representação foi protocolada na Procuradoria da República do Distrito Federal, com o pedido de que seja aberto inquérito civil contra o ministro. 

CELULAR E PANELA
 
O documento da Secom diz que os "eleitores de Dilma e Lula estão acomodados brigando com o celular na mão, enquanto a oposição bate panela, distribui mensagens pelo Whatsapp e veste camisa verde-amarela". 

Em seguida, afirma que "dá para recuperar as redes, mas é preciso, antes, recuperar as ruas". 

O documento, que faz parte do trabalho de análise de conjuntura feito semanalmente pela Secom para a presidente da República, é dividido em três tópicos: onde estamos, como chegamos até aqui e como virar o jogo? 

Depois das críticas à comunicação do governo e à atuação do PT em defesa do governo, o documento anota em seu terceiro capítulo que "não será fácil virar o jogo", mas aponta que "a entrevista presidencial deste dia 16 foi um excelente início", avaliando que Dilma Rousseff falou "com firmeza sobre sue compromisso com a democracia", explicou de "forma fácil a necessidade do ajuste fiscal" e assumiu "falhas como a da condução do Fies". 

Segundo o texto, a "presidente deu um rumo novo na comunicação do governo", mas "não pode parar". 




18 março, 2015

Dilma ouviu as ruas? Compare falas da presidente antes e após os protestos

Como se não bastassem as crises econômica e política, a presidente Dilma Rousseff convive, desde o último domingo (15), com a pressão das ruas. Centenas de milhares de manifestantes protestaram no último final de semana em várias cidades do país contra seu governo e contra a corrupção, e já planejam novos protestos. O coro principal das ruas foi o "fora, Dilma". A possibilidade de um impeachment da presidente é descartada neste momento por lideranças políticas de governo e oposição. Com pouco mais de mais de três anos e sete meses de mandato pela frente, como o governo Dilma vai reagir? O UOL comparou o discurso da presidente em três temas: manifestações, ajuste fiscal e corrupção. Você acha que algo mudou?

17 março, 2015

Grupos já planejam novas manifestações para abril


Protestos de março de 2015





Os grupos que organizaram o protesto em Brasília que levou cerca de 45 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios neste domingo (15) começam amanhã a planejar novas manifestações para o mês de abril. 

Reportagem sobre discurso de Dilma no "JN" gera novo "panelaço" pelo país


A reportagem do "Jornal Nacional", da TV Globo, desta segunda-feira (16) sobre o discurso da presidente Dilma Rousseff ocorrido à tarde, em que ela comentou as manifestações contra o governo no domingo (15), gerou um novo "panelaço" em várias cidades do país.

16 março, 2015

Senadores avaliam que governo e classe política precisam fazer reflexão


O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE)
Senadores e líderes partidários repercutiram nesta segunda-feira (16) as manifestações que ocorreram em todo o país no último domingo (15), contra o governo e a corrupção. Em comum, as análises levam à conclusão de que há insatisfação generalizada da sociedade com a classe política como um todo, uma vez que os manifestantes não permitiram a participação de nenhuma representação partidária.

"Valeu a pena lutar pela liberdade, o país está mais forte que nunca", diz Dilma sobre manifestações


fonte: Pedro Ladeira/Folhapress

Falando sobre democracia, a presidente defendeu que é preciso respeitar as urnas, as ruas onde são feitas as manifestações livres e ouvir com atenção todas as vozes 

Líder diz que PT precisa de renovação, e governo, 'ouvir a voz das ruas'


Protestos de março de 2015



Resposta do governo a protestos foi um 'desastre', diz Cunha


Protestos de março de 2015




Grupos fazem ato contra o governo na Esplanada dos Ministérios em Brasília Leia mais sobre os protestos

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chamou de "desastrosa" a reação do governo às manifestações contra a administração da presidente Dilma Rousseff neste domingo (15). 

Amplitude é mais valiosa que quantidade de pessoas em atos, dizem analistas

  • Junior Lago/UOL
    Manifestantes se reúnem em São Paulo para pedir o impeachment da presidente Dilma Manifestantes se reúnem em São Paulo para pedir o impeachment da presidente Dilma
Ao menos 2 milhões de pessoas protestaram contra o governo federal neste domingo (15) em todos os Estados do país, além do Distrito Federal, segundo dados das PMs locais. Para especialistas ouvidos pelo UOL, entretanto, mais do que o número de pessoas, o que é importante de analisar é que as manifestações conseguiram ter uma grande amplitude nacional, o que dá força à voz das ruas.

Estou contaminada pela felicidade de uma significativa demonstração de União.

Apenas a quem interessar possa: eu estou muito feliz e orgulhosa do meu país!

Estou com meu pé esquerdo quebrado e não pude participar, nas ruas, nem com minha bike. No entanto, pela resposta da quantidade de visitas no meu blog que tem apenas 1.210 seguidores e que aos domingos não chega a mil, ontem passou dos cinco mil, o que me deixa mais feliz ainda, pois é um indicativo de que, assim como eu, aqueles que, por algum motivo, não puderam ir às ruas, também se interessaram em saber o que acontecia nas manifestações.

Aqui neste blog tem uma câmera instalada por onde acompanhei ao vivo o movimento de muitas cidades. Aqui em Fortaleza só pude acompanhar quando, em passeata, a manifestação chegou à Av. Beiramar porque na Praça Portugal não há câmera. 

Governo errou antes e depois dos protestos

Nos últimos dias, PT e Planalto tentaram desqualificar manifestações

Entrevista de ministros após os atos mostra discurso desafinado

Rossetto-Carodozo

Os ministros Miguel Rossetto (esq.) e José Eduardo Cardozo falam sobre os protestos
O governo da presidente Dilma Rousseff conseguiu errar antes e depois dos protestos deste domingo (15.mar.2015) em todo o país.

Nos últimos dias e semanas, o PT e o Palácio do Planalto trabalharam para tentar desqualificar previamente as marchas de protesto. Nas redes sociais, simpatizantes dilmistas classificavam os manifestantes de “elite branca”, “coxinhas”, “varanda gourmet” e “almofadinhas”. A crítica mais benigna dos governistas era que haveria pouca gente ou que apenas setores da classe média sairiam de casa no domingo.

A forte adesão de centenas de milhares de pessoas destruiu os argumentos petistas e do Planalto. Segundo o Datafolha, São Paulo teve a maior manifestação política (210 mil pessoas) desde as Diretas-Já, em 1984.

Passadas as marchas, a presidente Dilma Rousseff escalou dois ministros para falar com repórteres. Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça) apareceram para a entrevista com camisas sociais azuis, sem gravata, ternos desalinhados e semblantes de derrotados. Nessas horas, imagem é quase tudo.

Mas o conteúdo ainda foi mais desalentador para o governo. Um ministro (Cardozo) começou com uma fala mais humilde falando em respeito à democracia. O outro (Rossetto) começou classificando os manifestantes como eleitores que votaram contra Dilma Rousseff em 2014. Disse também que “não é legítimo o golpismo, a intolerância, o impeachment infundado que agride a democracia”. Mas como o ministro Rossetto sabe que todos os que foram às ruas queriam o impeachment e votaram contra Dilma?

Tudo somado, Rossetto e Cardozo não trouxeram em suas falas nada que pudesse minimizar o mau humor de brasileiros que estão protestando. Sem contar as velhas desculpas do tipo “o Brasil só melhora depois de uma reforma política”.

Para Cardozo, “a atual conjuntura aponta para uma necessária mudança no nosso sistema político-eleitoral (…) é um sistema anacrônico que constitui a porta de entrada principal para a corrupção no país. Então, é preciso mudá-la por meio de uma ampla reforma política”.

Ocorre que o governo federal é comandado pelo PT há 12 anos. Durante algum tempo, o presidente no poder (Lula) teve mais de 80% de aprovação popular. Mesmo assim, a administração federal petista não se sentiu compelida a promover uma reforma política. Dizer que agora tudo depende de leis mais rígidas e de uma reforma política é uma possível saída retórica. Mas a eficácia desse argumento é frágil.

Quem conversa com os assessores de Dilma Rousseff sente que o problema no momento parece ser a grande incapacidade do Palácio do Planalto de reconhecer o que está se passando na sociedade. E, em seguida, ter presença de espírito para fazer algum tipo de autocrítica para reconquistar uma parte da confiança perdida entre os brasileiros.

O país passa por um momento curioso do ponto de vista sociológico. A demonstração de indignação se transformou quase numa forma de relacionamento social. Os amigos vão ao restaurante, o garçom demora para atender e em segundos alguém está falando alto: “É um absurdo. O Brasil não dá mais. Nada funciona”. Pode-se gostar ou não dessa atitude, mas cenas assim estão se tornando cada vez mais comuns.

O pior para quem está no governo é não entender esse “zeitgeist”, esse espírito do tempo que parece estar tomando conta de parte da sociedade brasileira, sobretudo nos grandes centros urbanos.

As imagens da TV mostraram desde cedo no domingo mais de uma dezena de cidades com protestos de pessoas nas ruas. A TV Globo transmitiu vários flashes ao vivo. As TVs de notícias 24h (GloboNews, BandNews e RecordNews) ficaram quase 100% do tempo com imagens dos atos públicos.

País de tradição abúlica, o Brasil tem poucos episódios de grandes passeatas. Teve a direita em 1964. As Diretas-Já, em 1984/85. O impeachment de Collor, em 1992. As jornadas de junho de 2013, que protestaram contra quase tudo, principalmente contra a política tradicional.

Como se observa na história, o Brasil às vezes passa 10 anos ou mais entre um momento e outro de grandes protestos. Agora, essa distância parece estar se estreitando. Menos de 2 anos depois das marchas de junho de 2013 há um novo protesto generalizado. É um fato é raro.

O Brasil não é a Argentina ou outros países latinos nos quais é comum a população ir às ruas reclamar.

O que se passou neste domingo –sem fazer juízo de valor sobre determinadas propostas que apareciam nas faixas dos manifestantes– tem grande relevância política.

Goste ou não dos manifestantes, o governo Dilma às vezes demonstra não entender que a tessitura do grupo que foi às ruas neste 15 de março é muito semelhante à das massas que fizeram as Diretas-Já e o impeachment de Collor.

Sem uma reação melhor do que a entrevista dos ministros Rossetto e Cardozo será difícil a presidente Dilma se recuperar politicamente.



Protestos contra governo e corrupção reúnem mais de 1,8 milhão pelo Brasil, dizem PMs



Protestos de 15 de março pelo país

Manifestantes lotam a avenida Paulista, em São Paulo, em protesto que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Diversas cidades do país recebem neste domingo (15) manifestações contra o governo Leia mais Jorge Araújo/Folhapress

Cerca de 1,8 milhão de pessoas foram às ruas para protestar contra o governo federal e contra a corrupção neste domingo (15) em todos os Estados do país, além do Distrito Federal, segundo cálculos da Polícia Militar de cada Estado. Houve registro de incidentes em São Paulo e Brasília.


No começo da noite, o governo escalou os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) para comentarem os atos. Cardozo disse que o Brasil está longe do golpismo e prometeu lançar nos próximos dias medidas de combate à corrupção e à impunidade.




São Paulo foi o Estado com o maior número de participantes apesar de divergências. A PM informou que 1 milhão de pessoas se reuniram na região da avenida Paulista, no centro da capital paulista. Segundo o Datafolha, porém, foram 210 mil manifestantes. Se a soma de manifestantes pelo Brasil usar a contagem do Datafolha em São Paulo, e a das PMs locais nos demais palcos de protestos, o número de participantes cai para 1 milhão.




Durante o ato na avenida Paulista, cerca de 20 manifestantes de um grupo denominado "Carecas do Subúrbio", conforme escrito em suas camisetas, foram detidos. Com eles, foram encontrados rojões, bombas caseiras e soco inglês. Em Jundiaí (a 57 km de São Paulo) , a sede do Partido dos Trabalhadores (PT) foi incendiada no início da tarde.




Em Brasília, o protesto ocupou o Eixo Monumental, com cerca de 45 mil pessoas. Após o ato, houve confronto entre um pequeno grupo de manifestantes e a Polícia Militar em frente ao Congresso Nacional. Ao menos uma mulher ficou ferida e três pessoas foram detidas pela polícia. O grupo, segundo a PM, tentou se aproximar do Palácio do Planalto, cujo acesso ficou bloqueado durante todo o domingo.


No Rio de Janeiro, 15 mil pessoas ocuparam a faixa de areia e a pista da orla de Copacabana e caminharam em direção ao Leme. Em uníssono, eles gritam frases como "Fora Dilma", "o PT roubou" e "a nossa bandeira jamais será vermelha". Em Vitória (ES), 3.000 protestaram.


Na praça da Liberdade, em Belo Horizonte, 30 mil pessoas lotaram o local. Muitas usavam camisetas da seleção brasileira, enquanto outras pintaram os rostos em verde e amarelo e usavam apitos. Em Uberlândia, 15 mil foram às ruas.


Em Florianópolis, o protesto chegou a reunir 30 mil pessoas, mas a chuva forte espantou parte dos manifestantes. Ainda em Santa Catarina, Balneário Camboriú e Blumenau registraram 40 mil cada uma.


Em Porto Alegre, a Polícia Militar estimou que cerca de 100 mil pessoas participavam do protesto. Os manifestantes, que se concentraram no parque Moinhos de Vento, marcharam rumo ao parque Farroupilha. Em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, foram 10 mil pessoas. Outras 60 mil pessoas saíram às ruas em Caxias do Sul.


Em Goiás, cerca de 60 mil pessoas participaram do protesto em Goiânia. A concentração começou na praça Tamandaré e seguiu a avenida 85. Em Cuiabá (MT), foram 20 mil, mesmo número de Campo Grande (MS).


Em Salvador, os manifestantes marcaram encontro no Farol da Barra, onde 4.000 pessoas participaram do protesto pacífico. Boa parte usava cartazes para demonstrar a insatisfação com os rumos políticos do país. 


No Recife, os manifestantes saíram em passeata pela avenida Boa Viagem. O clima só esquentou quando algumas pessoas pediam uma intervenção militar, mas não foram bem recebidas. Segundo a PM, cerca de 8.000 pessoas estavam presentes na manifestação.


Em Fortaleza, cerca de 6.000 pessoas participaram do protesto na praça Portugal. O ato foi pacífico e contou com a presença de muitas crianças. Manifestantes também usaram bicicletas.


Ao menos 3.500 manifestantes participaram de ato na avenida Marechal Castelo Branco, na zona central de Teresina. Em Natal, 12 mil foram às ruas. Já em João Pessoa (PB), foram 4.000.


Em Manaus, cerca de 22 mil pessoas participaram do ato contra a presidente na praça Congresso. Os líderes do movimento recolheram assinaturas para enviar aos legislativos cobrando o impeachment. 


Em Belém, 50 mil pessoas fizeram caminhada pelas principais ruas da cidade. Os manifestantes também pediram redução do preço da gasolina, fim do "calote no Fies", além de expressarem agradecimentos a Sergio Moro, juiz federal responsável pelos processos da Operação Lava Jato. Em Palmas (TO), 10 mil protestaram.


Em Maceió, o protesto reuniu 10 mil no corredor Vera Arruda, na praia de Jatiúca. No local havia faixas com os dizeres "SOS Militares", defendendo uma nova intervenção armada no país e dizendo que os militares "são os únicos que podem fazer a verdadeira reforma política."


Em São Luís, cerca de 3.000 pessoas se concentraram na avenida Litorânea e fizeram um percurso de 6 km. Em Aracaju, a manifestação ocorreu nos Arcos da Orla com 950 pessoas.


Macapá (AP) registrou apenas 1.500 pessoas, Boa Vista (RR), 2.500, e Rio Branco (AC), 5.000. Porto Velho (RO) foi a única capital que não registrou manifestação, mas houve em outras cidades do Estado.



‘Silêncio de Dilma é sinal de covardia’, diz Aécio




O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, lamentou que Dilma Rousseff não tenha se pronunciado neste domingo sobre os protestos que a hostilizaram nas ruas do país. “O silêncio da presidente Dilma é um sinal de covardia”, disse ele, numa entrevista que concedeu ao blog na noite passada. “Era hora de olhar no olho das pessoas e fazer um mea-culpa. Os estadistas precisam ter coragem, sobretudo nos momentos mais difíceis.”

Aécio anunciou que organiza para esta terça-feira um encontro com os líderes da oposição e dissidentes governistas. “Precisamos definir qual é a nossa agenda. Faremos isso a partir do que as pessoas estão cobrando. Se o governo não se mexe, agimos nós”, disse.

Na avaliação do senador tucano, Dilma e o PT vivem uma crise mais grave do que aquela que se seguiu à explosão do escândalo do mensalão, em 2005. “Depois de 12 anos de governos do PT, é a primeria vez que eles encontram uma oposição conectada com o sentimento das ruas. Isso é algo que eles não tinham enfrentado ainda.”

Acha que Dilma concluirá o mandato?, perguntou o repórter a certa altura. E Aécio: “É cedo para dizer. De minha parte, tenho tido muita cautela. Por isso decidi nem comparecer às manifestações. Não quis dar margem a nenhum tipo de especulação. Hoje, nossa preocupação é a de construir nesse campo da oposição uma agenda nova para o país.” Vai abaixo a conversa:
— O que achou da reação do governo às manifestações deste domingo? Achei inacreditável. Estão a anos-luz de distância do que está acontecendo no Brasil. A declaração simplista do ministro Miguel Rossetto de que só adversários do governo foram às ruas mostra um distanciamento da realidade. Eles não conseguem perceber o mau humor crescente da sociedade. É como se ele dissessem: ‘os nossos eleitores estão lá, recebendo o Bolsa Família. Está tudo bem com eles. Isso não vai acabar bem. O ministro José Eduardo Cardozo repete o mesmo discurso da campanha: ‘Ah, vamos lançar um pacote de projetos contra a corrupção’. Como se alguém ainda pudesse acreditar nisso. Fala de reforma política como se fosse uma panaceia. Vem com o discurso hipócrita de acabar com o financiamento privado de campanha.

— Por que acha o discurso hipócrita? No ano passado, na campanha eleitoral, ninguém recebeu tanto recurso como o PT. No ano anterior, 2013, em que não houve eleições, eles arrecadaram R$ 70 milhões. Nós arrecadamos R$ 2 milhões. De uma hora pra outra eles vêm dizer que isso não faz bem. Estão no poder há 12 anos. Ninguém se beneficiou tanto do financiamento privado quanto eles. Numa hora dessas, os ministros não eram as pessoas mais indicadas para falar.

— Acha que a presidente Dilma deveria se manifestar? O silêncio da presidente Dilma é um sinal de covardia. Ela perde oportunidades sucessivas. Era hora de olhar no olho das pessoas e fazer um mea culpa. É muita falta de coragem. Os estadistas precisam ter coragem, sobretudo nos momentos mais difíceis.

— O ministro Cardozo disse que o governo busca o diálogo. Inclusive com a oposição. Acha possível? Não vejo sinceridade nessa manifestação. As palavras precisam ser acompanhadas de atos e gestos. E isso não existe. A manifestação dos ministros continua sendo presunçosa, acima do bem e do mal. Não admitem os próprios equívocos. Como dialogar com uma presidente que vai à televisão para dizer que a culpa pelas medidas que ela está tomando é da crise internacional e da seca? A presidente Dilma zomba da inteligência dos brasileiros.

— O que precisaria acontecer para que a oposição sentasse à mesa com o governo? Em primeiro lugar, seria preciso que a presidente fizesse um mea culpa. Algo verdadeiro, real, convincente. Não é para convencer a mim. Ela precisa falar para os brasileiros, para os 60% que, segundo o Datafolha, acham que ela mentiu na campanha presidencial. Depois, seria necessário ter uma agenda corajosa, do interesse do país. Não pode ser uma agenda do interesse apenas do PT. O governo não tem essa agenda.

— O governo não tem uma agenda econômica? Eles não têm agenda nem na área econômica. Esse ajuste fiscal é uma coisa absolutamente tímida, não vai nos levar a lugar nenhum. De um lado, aumenta impostos. De outro, suprime direitos. Não há uma agenda estruturante. Insisto: não vejo sinceridade nessa alegada disposição o diálogo. Não creio que eles queiram uma conversa franca, em favor do país. O que eles querem é criar um ambiente menos desfavorável no momento em que o governo está nas cordas. Sem sinceridade, não temos como participar disso.

— A primeira vez que a presidente Dilma falou em diálogo foi no dia da abertura das urnas do segundo turno. Acha que ela foi insincera já naquele instante? Na política, o simbolismo tem certa importância. Nesse dia, 20 minutos depois de oficializado o resultado das urnas, liguei para a presidente. Eu a cumprimentei pelo resultado e disse: sua grande tarefa é unir o país. Nessa hora, dei uma sinalização. Ao discursar, ela sequer citou o telefonema. Isso é uma coisa tradicional em qualquer parte do mundo. Teria sido bom para ela. São essas pequenas coisas que denunciam as reais intenções. Ela falou em diálogo no discurso e não dialogou com ninguém. Montou um governo medíocre, repetindo as piores práticas, sem levar em conta a meritocracia, a compatência.

— Por que decidiu não comparecer às manifestações? Primeiro, preciso dizer que ficamos muito satisfeitos com o fato de ter caído por terra a conversa de que os protestos eram articulados por nós. No dia do primeiro panelaço, eles ensaiaram o discurso de que tudo se resumia a uma reação partidária. A pressão para que eu fosse era enorme. Refleti muito sobre isso. E achei que não deveria passar a impressão de que estávamos nos apropriando de algo que não tinha sido organizado por nós. E não queria validar o discurso do governo de que tudo se resume a um terceiro turno. Ficou muito claro que não foi uma manifestação de partidos políticos. Foi uma iniciativa da sociedade. Os protagonistas não éramos nós.

— Embora a presidente Dilma tenha sido o principal alvo da manifestação, não receia que esse movimento, de aparência apartidária, esconda uma aversão a todos os políticos, como na jornada de 2013? Ando muito pela rua. É impressionante o que está acontecendo. Posso estar enganado, mas creio que teria sido muito bem recebido nas manifestações. Meu sentimento é esse. Chega um momento que os protestos precisam de lideranças que lhes dêem voz. Esse sentimento de repulsa à presidente e ao governo dela precisa ser canalizado para algumas ações. E quem tem musculatura política somos nós. Digo isso com tranquilidade. Acho que é bom para o Brasil que seja o PSDB, porque todos sabem que não somos incendiários. Imagine se fosse o inverso, com o PT na oposição. O que estaria acontecendo hoje no Brasil? Quem não se lembra doi Fora FHC? Temos que ter todas as cautelas. Mas há uma certa expectativa das pessoas de que exista um canal que expresse esse sentimento. Um movimento desse tamanho não pode ficar por isso mesmo.

— O que muda na estratégia da oposição? Nesta terça-feira vamos fazer uma avaliação maior. Quero ouvir os principais líderes de oposição. Já liguei para alguns. Gente do PPS, do DEM, PSB, do PDT e até do PMDB. Quero ver de que forma podemos dar um passo à frente

— Qual seria esse passo à frente? Precisamos definir qual é a nossa agenda. Faremos isso a partir do que as pessoas estão cobrando. Se o governo não se mexe, agimos nós. Vamos construir três ou quatro propostas consensuais. Precisamos vocalizar politicamente essa contestação ao governo. Isso nos revigora.

— Na época do mensalão, havia o mesmo sentimento. E nada mudou. Por que acha que agora será diferente? Na época do mensalão, avaliávamos que a situação era muito grave. Mas o Lula tinha um pedaço grande do país com ele. Concluímos que não seria bom para o país uma ruptura. Agora, depois de 12 anos de governos do PT, é a primeria vez que eles encontram uma oposição conectada com o sentimento das ruas. Isso é algo que eles não tinham enfrentado ainda.

— Acha que a polarização PT X PSDB vai se manter? A eleição passada começou com um discurso muito sedutor de terceira via. Foi feito pelo Eduardo Campos e, depois, encampado pela Marina Silva. Dizia-se que estavam todos cansados dessa polarização PSDB-PT. E havia mesmo um certo cansaço. Foi uma boa tentativa, uma estratégia válida. Mas o imponderável fez com que a eleição terminasse mais polarizada do que nunca. O PSDB voltou a ser a alternativa real ao que está aí. Isso ficou até mais forte do que em eleições passadas. Quem olha para o PT e não vê futuro se vira para o nosso lado. Vivemos um momento de reorganização e fortalecimento da oposição em torno do PSDB. Há movimentos nas franjas dos partidos governistas. Alguns envolvem gente que já esteve conosco no ano passado. Gente como o governador Pedro Taques (MT), do PDT. Um pedaço saudável do PP, especialmente o gaúcho, personificado na senadora Ana Amélia. Pedaços do PMDB, como os senadores Ricardo Ferraço (ES) e Luiz Henrique (SC). Há uma robustez maior do nosso campo.

— Dilma Rousseff concluirá o mandato? É cedo para dizer. De minha parte, tenho tido muita cautela. Por isso decidi nem comparecer às manifestações. Não quis dar margem a nenhum tipo de especulação. Hoje, nossa preocupação é a de construir nesse campo da oposição uma agenda nova para o país. A presidente Dilma se complica sozinha. Hoje, ela é refém do Renan Calheiros e do Eduardo Cunha [presidentes do Senado e da Câmara].




O asfalto ferveu, mas a ficha de Dilma não caiu

O asfalto ferveu neste domingo. A ebulição fez lembrar junho de 2013. Com uma diferença: o inconformismo não é mais difuso. Dessa vez, quem está na alça de mira é Dilma Rousseff. Se tivesse sobrado algum bom-senso à presidente, ela se armaria rapidamente de humildade. Mas a ficha de Dilma .—pasmo (!), surpresa (!!), estupefação (!!!)— ainda não caiu.

Coube aos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) expressar as opiniões de Dilma. Em essência, os ministros informaram que a presidente não cogita alterar o rumo de sua gestão. Ela tampouco considera a hipótese de entregar à plateia uma autocrítica.

Durante a entrevista, o ministro Cardozo chegou mesmo a tropeçar no óbvio. Disse discordar da tese de que o ronco das praças revela a debilidade do governo. “Não considero que nosso governo esteja fragilizado”, ele enfatizou. Transmitido ao vivo, o lero-lero dos ministros foi recepcionado com um novo e constrangedor panelaço.

A grande novidade anunciada pelo governo é uma inutilidade prometida por Dilma na campanha presidencial: um pacote de projetos de lei anticorrupção. De resto, os ministros reafirmaram o teor do último pronunciamento de Dilma —aquele discurso aguado que despertara a ira das panelas no domingo passado.

O governo continua se achando ótimo. A crise econômica vem de fora. O arrocho fiscal é necessário e trará o crescimento de volta já no segundo semestre de 2015. Dilma não tolera a corrupção. E a Petrobras só está sendo varejada porque Lula e Dilma viraram a página daquele Brasil tucano que engavetava investigações. De resto, a solução definitiva só virá depois que for aprovada uma reforma política que acabe com o financiamento privado das campanhas.

Munidos de todas as informações, os ministros que Dilma enviou à boca do palco tiraram suas próprias confusões. Cardozo declarou que Dilma governa para “200 milhões de brasileiros” e deseja dialogar com todos.

Para Rossetto, os brasileiros que foram às ruas neste domingo são os eleitores de Aécio Neves. E o governo deve “ampliar o diálogo” sobre as medidas de ajuste fiscal especialmente com os manifestantes que foram às ruas na sexta-feira, sob o comando de entidades como CUT, MST e UNE.

Nesse diapasão, Dilma corre o risco de se tornar uma presidente irrisória, condenada a passar os próximos quatro anos aturando uma trilha sonora que mistura o som gutural das vaias e o ruído estridente das panelas. A presidente talvez devesse escutar seu instinto de sobrevivência.



15 março, 2015

Homem com camiseta da foice e martelo é hostilizado em Copacabana



> Isso é que é vontade de apanhar. Na manifestação do dia 13, não se viu nada parecido com tamanha provocação. Querendo aparecer a qualquer custo. Enfim, coisa de petista!<

 
Pouco depois da passeata contra o governo em Copacabana, no Rio de Janeiro, um homem que usava uma camiseta vermelha com o símbolo da União Soviética, foi xingado e hostilizado no calçadão da praia. 

Ele diz que estava indo fazer exercícios quando os manifestantes que ainda estavam na região o cercaram e começaram a gritar "viado", em uma tentativa de ofender. O homem, então, sambou um pouco e levantou os braços. Os manifestantes voltaram a agredi-lo verbalmente, jogaram garrafas e tentaram arrancar sua camiseta. 

A polícia afastou algumas das pessoas que tentavam tirar sua camiseta e levaram o homem para uma viatura para tirá-lo de lá. 

O protesto no Rio aconteceu pela manhã. Segundo os organizadores, 50 mil pessoas participaram do protesto na orla de Copacabana. Já a PM estimou a adesão em 15 mil por volta de 10h30, e não atualizou o número.