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30 agosto, 2017

CASSI--PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA CONHEÇA




ENTENDA 

Matéria publicada pela CASSI a respeito do Gasto Médio do PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA:



Gasto médio per capita do PAF tem redução de 26,5%

A CASSI registrou redução no gasto médio per capita no Programa de Assistência Farmacêutica (PAF) de 26,5%, entre os anos de 2012 e 2016. No mesmo período, o valor dos medicamentos sofreu reajustes, a cada ano, de 7,5%. Em algumas regiões, a redução dos gastos do PAF chegou a 53%.

Considerando o fato de que o número de participantes inscritos no Programa é estável, hoje são cerca de 53 mil, evidencia-se equilíbrio na evolução dos gastos da Caixa de Assistência com o Programa.

Com o objetivo de garantir o acesso a medicamentos de uso contínuo à população da Caixa de Assistência de todo o país, mantendo o princípio da isonomia, da solidariedade e a equidade do cuidado em saúde, o PAF enfrenta as variáveis do mercado de livre concorrência, no que refere-se às indústrias farmacêuticas.

Tais empresas têm adotado a estratégia de redução sazonal do valor de alguns medicamentos de referência de modo a manter o volume de vendas. Este movimento, por vezes, pode fazer com que os preços dos genéricos e seus equivalentes de marca sejam semelhantes.

Por essa razão, existem casos em que se identificam valores mais baixos em farmácias locais do que aqueles praticados pelo Programa. Trata-se de situação eventual e, via de regra, ocorre em capitais ou grandes centros, onde a concorrência é maior e estão instaladas as grandes redes de varejo.

A CASSI tem como principal mote das suas ações, a qualidade do cuidado em saúde de seus participantes, considerando a dispersão em todo o território nacional e suas especificidades regionais. O PAF se volta a esse contexto, com o principal objetivo de garantir o acesso a medicamentos de uso contínuo à população CASSI de todo o país, mantendo o princípio da isonomia, da solidariedade e a equidade do cuidado em saúde.

Negociação

Outras ações realizadas pela CASSI contribuem para os resultados econômicos positivos do PAF, como as negociações de descontos especiais junto à indústria farmacêutica. Em grupo de medicamentos específicos, sob acompanhamento por outras razões além da própria relação custo-efetividade, a Caixa de Assistência obteve resultados vantajosos, com descontos superiores a R$ 5 milhões.

Estes números representam uma diferença positiva de quase 40% no período de 2016, se comparado às estimativas de aquisição dos mesmos medicamentos, para as mesmas praças, pela modalidade de livre-escolha. Além disso, a própria priorização de medicamentos genéricos auxilia no equilíbrio econômico do Programa já que, por lei, devem ser ao menos 35% mais baratos que o medicamento inovador.

É importante lembrar que o PAF está em constante revisão para qualificação e aprimoramento dos seus processos, em especial para o melhor cuidado dos participantes. Um exemplo é a inclusão da Atenção Farmacêutica, em fase de piloto nos estados do RJ e MG, que deverá ser expandida em breve para os demais estados do sul e sudeste, sem onerar a CASSI.


EXPLICAÇÕES DO DIRETOR DE SAÚDE

“Publicamos no site da Cassi uma matéria a respeito de um de nossos programas relacionados ao modelo de Atenção Integral à Saúde, que na Caixa de Assistência se dá através de Atenção Primária (APS) e Estratégia Saúde da Família (ESF).

Nesses três anos em que estamos à frente da gestão da área de saúde da Cassi, eleitos pelos trabalhadores associados, temos estudado profundamente nossa entidade, o setor em que ela opera, os modelos de sistemas de saúde, e temos buscado esclarecer e convencer os atores da comunidade BB com dados técnicos e com leituras políticas como representante de associados numa gestão paritária entre patrão e trabalhador.

Em nosso modelo assistencial, os programas de saúde e linhas de cuidado são essenciais porquê de nada adiantaria ter como base organizativa do sistema Cassi a Atenção Primária, a promoção de saúde e prevenção de doenças, identificar riscos e doenças crônicas, se não atuarmos imediatamente na estabilização do paciente e acompanhar seu quadro de saúde ao longo de sua vida.

Assim é o Gerenciamento de Condições Crônicas (GCC) e o Programa de Assistência Farmacêutica (PAF), que atuam juntos na estabilização da condição crônica de participantes da Cassi já cuidados por nós na ESF.

Eu já expliquei centenas de vezes, presencialmente nos fóruns e bases sociais, como funciona o programa e a importância dele e porque ele é benéfico para a Cassi e sobretudo para os pacientes crônicos da Cassi.

Vou dar o exemplo a vocês que falei na semana passada aos participantes da Conferência de Saúde do Mato Grosso do Sul. Olhando os dados da população cuidada por nós naquele Estado, sabemos que temos lá uma população assistida com médias maiores que nossa população assistida Cassi Brasil (ESF) em relação aos programas Plena Idade, GCC e consequentemente o PAF.

O operador logístico que executa a distribuição de medicamentos aos nossos pacientes crônicos do Estado recebe a demanda de atender a 1013 participantes crônicos, em toda a lista de materiais e medicamentos abonáveis (LIMACA), em qualquer local do Mato Grosso do Sul, seja na capital Campo Grande, seja no extremo oeste, Corumbá, seja no extremo leste, Três Lagoas, a mesma coisa no Norte e Sul do Estado. O contrato prevê que ele dê os descontos estabelecidos para medicamentos genéricos e de marca (sobre preço tabelado - PMC), e que a distribuição em todo o Estado seja por conta dele.

A população em geral não sabe sequer a diferença entre medicamentos de marca, genérico e similar. Daí já começam as confusões na hora das comparações.

Se, por um lado, participantes residentes em capitais têm facilidade de encontrar medicamentos em promoção ou preços menores no valor de face em grandes centros, o mesmo não se dá para os colegas da ativa e aposentados (que têm os mesmos direitos) que estão em locais com menor estrutura de saúde e até urbana. A matéria abaixo explica um pouco isso.

Se o PAF não existisse em nosso modelo assistencial, uma parte da população assistida crônica conseguiria acessar os medicamentos necessários, e outra parte não conseguiria.

Esses benefícios diferenciais de nossa Caixa de Assistência são fundamentais no controle e uso dos recursos da nossa autogestão porque a legislação brasileira não é muito racional no que diz respeito à saúde. Modelos de Atenção Primária não são obrigatórios nos planos de saúde; mas exigir que os planos de saúde paguem qualquer valor e qualquer procedimento no mercado prestador de serviços de saúde - rede credenciada - é obrigatório (Rol da ANS).

Sem contar a judicialização que está matando os planos de saúde, inclusive os sérios como a nossa autogestão. Nesses dias, nós tivemos que fornecer um medicamento para um participante, por força de liminar, no valor de 2,5 milhões de reais. Isso mesmo. E a sequência do tratamento vai custar mais 600 mil reais por procedimento. Quantos planos de saúde resistem a um evento desses?

O PAF e os demais programas de saúde de nossa autogestão são estratégicos para todos nós do sistema Cassi."

William Mendes - Diretor de Saúde e Rede de Atendimento
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23 agosto, 2017

Após privatização da Eletrobras, governo estuda corte em plano de saúde dos Correios e PDV na EBC



Por Painel
 
Tesoura afiada Para escapar do noticiário da crise política, o governo Michel Temer vai mergulhar numa polêmica agenda de ajuste e reestruturação de estatais. Após o anúncio da privatização da Eletrobras, vai discutir mudanças no plano de saúde dos Correios, órgão que enfrenta grave crise orçamentária. A ideia é redistribuir o custeio do benefício. Hoje, os servidores arcam com 5% da despesa e a estatal com o restante. A proposta é alvo de forte crítica entre os funcionários e deve despertar reações.
Não para Em outra frente, o Planalto enviou ao Planejamento uma proposta de PDV (Programa de Desligamento Voluntário) para servidores da EBC, a Empresa Brasil de Comunicação, que cuida, entre por exemplo, da TV Brasil. Quer estimular cerca de 500 dos 2.500 funcionários a pedir demissão.
Sem fundo Integrantes da direção dos Correios dizem que os gastos com o pagamento de planos de saúde foram responsáveis por um deficit de R$ 300 milhões no ano passado. Já os servidores da estatal acusam a gestão Temer de “sucatear” sua estrutura para poder vendê-la.
Às dezenas O Diário Oficial desta quarta (23) trará uma série de exonerações em órgãos da administração federal. A lista — que inclui demissões na Funasa, no INSS, no Iphan e no Ibama — é um rescaldo do corte de cargos de aliados que votaram a favor da denúncia contra Temer.
Tampa da panela Mesmo após o acordo de delação com Lúcio Funaro, integrantes da PGR seguem em conversas com Eduardo Cunha. O operador do PMDB disse ter tomado conhecimento de alguns fatos por meio do ex-deputado — daí o interesse.
Tampa da panela 2 Apesar da situação delicada, o peemedebista colocou condições para falar. Pede imunidade aos parentes que estão na mira da Lava Jato para retomar a negociação.
Filho é teu A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) diz que não tem responsabilidade na indicação de André Luís Pereira Nunes à SPU (Secretaria de Patrimônio da União). “Nem eu e nem o meu partido indicamos.”
Highlander O servidor chegou à SPU ainda na gestão Dilma Rousseff, sobreviveu à ascensão de Temer e foi promovido. No órgão, sua nomeação é atribuída à Graziottin.
Ponte para o futuro Em sua passagem por Pernambuco, o ex-presidente Lula vai visitar Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos. Será um gesto de reaproximação entre PT e PSB, que romperam pouco antes da eleição de 2014.
Prato do dia Presidente nacional do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) jantou com o prefeito João Doria (PSDB), na semana passada, no restaurante A Bela Sintra, em SP.
Quando quiser Na ocasião, Jucá reafirmou que sua sigla está de portas abertas para o tucano, cotado para o Planalto em 2018.
Visitas à Folha A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), visitou a Folha nesta terça-feira (22), a convite do jornal, onde foi recebida em almoço. Estava acompanhada de Maria Tereza Aina Sadek, diretora do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), e de Mariangela Hamu, secretária de Comunicação do STF.
Bruno Covas (PSDB), vice-prefeito de São Paulo, visitou a Folha nesta terça-feira (22). Estava acompanhado de Fabio Lepique, secretário-adjunto de Prefeituras Regionais, e Maria Clara Cabral, assessora de imprensa.
Ivan de Souza Monteiro, diretor-executivo da Área Financeira e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, visitou a Folha nesta terça-feira (22). Estava acompanhado de Leandra Peres, assessora da presidência da estatal.

TIROTEIO
De falta de luz a ex-presidente Dilma Rousseff entende muito bem. Todos sabem que a sua gestão foi um verdadeiro apagão para o país.
DO MINISTRO BRUNO ARAÚJO (CIDADES), sobre as crítica da petista à decisão do governo Michel Temer de vender ações e abrir mão do controle da Eletrobras.

CONTRAPONTO
Viagem sem rumo
Representantes de campos políticos distintos, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o tucano José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, pegaram o mesmo voo em São Paulo com destino a Brasília, nesta terça-feira (22). Ao saírem do avião, seguiram juntos até o desembarque e aproveitaram o trajeto para conversar sobre a pauta que tem dominado os debates na Câmara.
— Você acha que entre hoje e amanhã avança a reforma política? — perguntou Aníbal.
— Acho que avançar, avança — respondeu Teixeira, para, logo em seguida, concluir:
— Eu só não sei para onde!

 

18 março, 2017

Como evitar comer carne estragada? Confira dicas

Estamos pagando imposto para sermos envenenados. Já perdi completamente a capacidade de me surpreender com essa gangue que está com o poder do nosso país. Por eles, os políticos, o país pode afundar cada vez mais, eles não estão nem aí.

Penso até que se eles pudessem envenenar também o ar que respiramos, eles nos matariam, mas quem iria pagar seus salários nababesco? Ou de onde iriam tirar dinheiro para bancar suas orgias.

Por outro lado isso é muito bom, pois eles não sabem e não podem controlar nem a própria respiração, então, não seria o ar que respiramos que estaria à mercê deles. Pelo menos isso, temos a nosso favor.

Quando os políticos, bandidos corruptores, continuam soltos e apenas os bandidos corruptos estão atrás das grades, o que se pode esperar?

Eles, os políticos, inventam todo tipo de artimanha para permanecer no poder sem o menor merecimento.

Nossa defesa contra eles vem da Polícia Federal, mais precisamente da Lava Jato da qual se pelam de medo e não medem esforços para tentar ACABAR com ela. O maior exemplo de DETONAR a Lava Jato é descaracterização das 10 Medidas Contra a Corrupção.

Leopoldina Corrêa



Nesta sexta-feira (17), a Polícia Federal deflagrou uma operação no mercado de carne. A acusação é de que fiscais do Ministério da Agricultura facilitavam a produção de produtos adulterados, emitindo certificados sanitários sem fiscalização. 

Cerca de 30 empresas estão na mira da investigação. Há a acusação de que carne estragada foi comercializada em supermercados e que salsichas teriam sido adulteradas. 

Confira, abaixo, dicas para não comer carne estragada em tempos de carne fraca.

NA GÔNDOLA

Felipe Gabriel/Folhapress
Gôndola em açougue

Prefira produtos novos, ou seja, com datas mais próximas da produção do que do término do prazo de validade. "O tempo trabalha contra a conservação de todo alimento, mesmo dentro do período marcado na etiqueta", diz o chef István Wessel, especialista em carnes.
VALIDADE

Roberto Seba/Folhapress

O período de 60 dias de validade, muitas vezes usado por frigoríficos, só é adequado se a carne for mantida na temperatura ideal durante todo o tempo. "Quem garante isso? No supermercado, por exemplo, podem haver muitos acidentes de percurso, como quando o cliente desiste da carne na boca do caixa e ela permanece lá por horas", diz Wessel.

USE O NARIZ
Vinicius Pereira/Folhapress

"Todo produto quando começa a se decompor, ou quando recebeu um tratamento químico, dá sinais para o nariz. A carne em condições normais não tem cheiro de nada", diz Wessel. Ele ressalta que quando a peça é embalada à vácuo, o pacote tem um cheiro que deve desaparecer em dois ou três minutos. Caso contrário, há algo errado. Não se guie apenas pela cor, que pode ter alteração por diversos fatores. 

SEM CONSTRANGIMENTO

Daniel do Prado/Leitor

Ao fazer compras no açougue em que a peça não costuma estar embalada à vácuo, peça para cheirar a carne antes de levar para casa. "Não deve haver constrangimento algum nisso", diz Wessel.

CONSERVAÇÃO EM CASA

Thinkstock
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O especialista recomenda que a carne não passe mais de dois dias na geladeira de casa. "A temperatura do eletrodoméstico é de 7°C, 8°C, quando o ideal é até 4°C." E, no freezer, não deixe que armazenamento passe de 30 dias. "O que temos em casa não é um congelador, que trabalha rápido, mas um conservador, que mantém o produto congelado. É diferente do industrial, onde a carne pode ser mantida por 90 dias", explica Wessel. 

VENCIDA X CONTAMINADA

Johannes Eisele - 22.jul.2014/AFP

Diferentemente de alguns países que indicam o prazo de "consumo ideal", o Brasil usa dados de validade. No caso da carne, em que há risco pra saúde, é o ideal. "Uma carne vencida não necessariamente faz mal a saúde. Mas, na dúvida, é melhor respeitar a data", diz a bioquímica de alimentos Ellen Lopes. 

De outro lado, há a contaminação, fato que depende totalmente da procedência do produto: das práticas no campo, do abate, do corte, da estocagem, da distribuição e da manutenção da temperatura. "Os regulamentos devem ser cumpridos. Há patógenos que não alteram a carne, mas podem causar diarreia, vômito e, em alguns casos, até levar a óbito", diz Lopes. Por isso a importância de comprar em um local de confiança.


21 fevereiro, 2017

Polêmica com Rita Lobo traz à tona debate sobre radicalismo alimentar


A polêmica recente em que a apresentadora de programas de culinária e diretora do site Panelinha, Rita Lobo, se envolveu após alfinetar um seguidor do Twitter que lhe perguntou por que não ensinava a fazer maionese com óleo de coco e iogurte expôs um comportamento que vem crescendo entre os jovens, mas não só entre eles: o radicalismo alimentar. 

A resposta de Rita, alvo tanto de críticas quanto de apoio nas redes sociais, foi direta:
A apresentadora, que em parceria com Carlos Monteiro, coordenador do "Guia Alimentar para a População Brasileira", ensina princípios da alimentação saudável no YouTube, foi procurada, mas não quis comentar o ocorrido. 

Enquanto Rita defende o uso de ingredientes frescos na cozinha, sem os conservantes e aditivos dos alimentos ultraprocessados, modismos como a exclusão da dieta de itens como o glúten (presente na farinha de trigo) e a lactose (leite) e a substituição de ingredientes tradicionais por novos alimentos, vistos como milagrosos, vêm sendo considerados o caminho mais curto para alcançar o ideal de boa forma e saúde. 

A questão vem tomando tamanha proporção que, segundo especialistas ouvidos pela Folha, a obsessão pelos benefícios nutricionais pode mesmo ser considerada um distúrbio alimentar. "As pessoas estão com medo da comida normal", diagnostica o nutrólogo Fábio Ancona Lopes. 

Esse exagero evidente, nas palavras do médico, tem até nome: ortorexia. "É como se a comida não fosse mais alimento, ela é vista só como nutriente." 

Por trás do problema está o marketing da indústria de alimentos, que vende produtos do dia a dia com ênfase em características que supostamente os tornam especiais ou melhores que os outros –como a coalhada cujo rótulo destaca a ausência de lactose, para ficar em um exemplo citado por Ancona Lopes. 

A verdade é que não só todas as coalhadas são livres de lactose como esse composto presente no leite de vaca deve ser evitado apenas por pessoas que sentem desconforto gástrico ao consumir a bebida. 

O nutrólogo Celso Cukier, diretor do Instituto de Metabolismo e Nutrição, pondera que há um lado positivo na preocupação com o que vai à mesa: a procura por uma qualidade de vida melhor. 

"O grande problema está na desinformação trazida pela propaganda. Produtos são lançados como se fossem a salvação contra a má alimentação, a falta de exercício, o estresse, o excesso de trabalho, a poluição do ar", afirma. 

Adepto das dietas da moda, Thiago Mancini, 27, reconhece que o desejo de manter o corpo sarado o leva a seguir a maré sem ter informação suficiente sobre riscos e benefícios. 

"E eu sou publicitário, sei que muita coisa que falam dos alimentos é só para vender. Mas na minha rotina não tenho tempo de analisar tudo direito e acabo experimentando o que estão falando", justifica. 

Thiago conta que, por influência de amigos e blogueiros, já provou de tudo um pouco. "Cortei carboidratos à noite, investi em gengibre, pimenta e canela para acelerar o metabolismo, entrei no boom das castanhas. Não sei por que razão, depois resolvi comprar tudo sem lactose, e depois fui para o pão e o macarrão sem glúten." 

Cristina Raggi, 53, é outra "testadora" de modas, como ela mesma se define. "Se falam que café faz mal, eu paro de tomar, se falam que faz bem, eu começo a tomar de novo", ri. 

Cristina diz que, depois de tentar diversas dietas, tornou-se vegana e eliminou o açúcar e a farinha do cardápio. "Como o vegano não come nada de origem animal, eu controlo o peso porque deixei de comer doce de leite, pão de queijo etc. Ficou mais fácil", acredita. 

Para os especialistas, não há mal em fazer algumas substituições, mas também não há necessidade, a não ser em casos específicos de intolerância ou alergia a algum componente. 

"A Bela Gil faz receitas para quem tem distúrbio alimentar: é maionese com iogurte, macarrão de arroz, bife sem carne", afirma Ancona Lopes, citando a apresentadora de programas de culinária que virou "meme" (piada) nas redes sociais por sugerir substituições de ingredientes que tornariam os pratos supostamente mais saudáveis. Bela Gil foi procurada, mas não deu entrevista à Folha

De acordo com Cukier, até profissionais vêm indicando indiscriminadamente a exclusão de alimentos com glúten e lactose da dieta. "Isso é muito grave", afirma. 

ARROZ E FEIJÃO
 
A boa notícia é que a base da alimentação saudável continua sendo o bom e velho cardápio da vovó. Trata-se do arroz, feijão, legumes e salada com alguma proteína que era a base da comida brasileira e vem perdendo terreno para refeições rápidas fora de casa e disputando espaço com coisas que até outro dia ninguém conhecia, como goji berry e óleo de coco. 


Rogerio Canella/Folhapress
Prato com picadinho de carne, arroz, feijão, farofa, pastel de queijo e ovo frito
Prato com picadinho de carne, arroz, feijão, farofa, pastel de queijo e ovo frito

Segundo Ancona Lopes, tudo é liberado dentro de uma dieta balanceada. "O que interessa não é o nutriente e nem mesmo o alimento, mas o equilíbrio entre eles." 

A proporção adequada, ensina, é metade de carboidratos –principalmente os complexos, como massa, farinha, arroz e batata, e uma parte dos simples, como o açúcar–, 30% de gorduras e 20% de proteínas no dia a dia. 

Para Cukier, essa busca por benefícios de curto prazo é uma "miopia de saúde". "O importante é pensar como estarei daqui a dez anos", afirma. Para que os efeitos positivos sejam duradouros, o nutrólogo recomenda uma dieta com três a seis porções de vegetais por dia e pouca comida rica em gordura, industrializada ou de origem animal. 

"O grande problema é o exagero. Não é a maionese com ovo que se come eventualmente que faz mal. Ela tem alta densidade calórica, mas uma vez por mês não faz diferença", conclui Cukier.



24 maio, 2016

ANS propõe novo modelo para tratar idoso na rede privada de saúde



24/05/2016 02h00

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) vai propor um novo modelo de atenção à saúde de idosos na rede privada com a justificativa de evitar as atuais falhas que geram má assistência e aumento crescente de custos. 


Hoje, 12,5% dos cerca de 50 milhões de usuários de planos de saúde têm 60 anos ou mais. No Brasil, há mais de 20 milhões de idosos –serão 65 milhões em 2050. Quase 90% têm algum tipo de doença crônica, como diabetes, hipertensão, artroses e câncer.
Adriano Vizoni/Folhapress
 
Beneficiários de planos de saúdes participam de atividades voltadas à prevenção. Leia mais

Atualmente esses idosos estão "soltos" no sistema de saúde. Passam por vários especialistas, fazem inúmeros exames, usam muitas medicações (que podem interagir entre si e causar danos), mas não há ninguém cuidando deles como um todo.

A meta do projeto "Idoso bem cuidado", que será lançado nesta terça (24), no Rio de Janeiro, é mudar essa lógica. Uma das propostas é que os planos de saúde criem estruturas, como centros geriátricos, capazes de reconhecer riscos que podem agravar a saúde do idoso e atuem de uma forma preventiva.

O idoso passará por uma avaliação clínica para saber dos seus riscos e dos cuidados que precisa. Será criado um registro eletrônico com seu histórico, que poderá ser acessado de qualquer lugar, inclusive pelo próprio idoso.

Outra novidade é que o paciente contará, além de um médico de referência, com a figura de "navegador" dentro do sistema, um enfermeiro que vai orientá-lo conforme a necessidade, como tirar dúvidas sobre a medicação.

De acordo com Martha Oliveira, diretora de desenvolvimento setorial da ANS, o novo modelo será testado inicialmente em um projeto piloto que envolverá 15 organizações, como operadoras e hospitais (ainda a serem escolhidos), a partir do segundo semestre deste ano.

Para ela, a identificação precoce do risco e os cuidados ao idoso prestados de forma integrada são o cerne da proposta. "É uma oportunidade para monitorar a saúde e não a doença", afirma. A ideia, diz Martha, é que as emergências dos hospitais deixem de ser a porta de entrada, ficando reservada aos aos momentos mais graves. 

Na opinião do médico Renato Veras, professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e especialista em envelhecimento, o Brasil precisa fazer o que está sendo feito em outros países –cuidar de forma integral.

"Não pode ter fragmentação do cuidado, o idoso não pode ficar passando por quatro, cinco médicos, fazendo um monte de exames a cada 15 dias e ninguém estar cuidando dele de fato. Todo mundo sabe o que fazer, mas ninguém faz", afirma.

Por que não faz? Para Martha, a razão está na forma como o sistema suplementar de saúde foi organizado, que "vende" acesso a especialistas, a exames e a hospitais, por exemplo, e não um modelo de promoção à saúde e prevenção de doenças.

Além da mudança assistencial, o projeto prevê formas alternativas de remuneração. A proposta, inspirada no modelo norte-americano, é um sistema híbrido, com remuneração fixa mais uma bonificação pela performance.

Segundo Veras, o objetivo é que todos ganhem com esse modelo. "O médico ganha mais se tiver um bom desempenho, o paciente pode receber bônus [descontos na mensalidade, por exemplo], além do ganho da melhor assistência, e a operadora poderá ter redução de custos."

Para Ligia Bahia, professora do Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a nova proposta da ANS é bem-vinda, mas precisa ir além dos projetos pilotos. "O setor suplementar vive de projeto piloto, um substitui o outro. E a assistência ofertada é muito ruim. É comum a queixa 'o médico nem olhou na minha cara'. Para o idoso isso é mortal."



21 fevereiro, 2016

Para sentir menos fome, entenda os mecanismos de saciedade do cérebro

BBC


A fome é a maneira de nosso corpo nos levar a buscar comida para sobreviver. É um instinto animal poderoso que pode motivar condutas extremas. 

É resultado da leitura que o cérebro faz de mudanças nos níveis de hormônios e nutrientes no sangue. 

Nossa reação a esse sentimento pode nos levar a ingerir alimentos pouco recomendáveis ou em excesso. 

Mas, ao entender nossa fome, é possível controlá-la melhor? 

11 agosto, 2015

CUSTOS DE PLANOS DE SAÚDE VÃO TRIPLICAR EM 15 ANOS

ATENÇÃO COLEGAS, MATÉRIA IMPORTANTÍSSIMA RECEBIDA DO COLEGA ADELMO VIANA:

Leitura importante sobre mercado de saúde.

 O envelhecimento da população explica a escalada dos números; entre 1950 e 2010, a população de idosos saltou de 2,4% para 7,4%

Alexa Salomão
Fabiana Cambricoli
26 Julho 2015 | 03h 00

Projeções a longo prazo costumam preconizar problemas que, no fim, só serão sentidos por gerações futuras e, por isso, costumam ser empurrados com a barriga. Na área de saúde, porém, instalou-se uma bomba-relógio que, se não for desarmada agora, vai estourar logo ali, no colo de todos. Nos próximos 15 anos, os gastos das empresas privadas de saúde vão quase triplicar, passando de cerca de R$ 106 bilhões por ano para R$ 283 bilhões - com impactos para todo o sistema de saúde suplementar, incluindo sobre os cerca de 54 milhões de beneficiários.

Segundo projeções do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o gatilho para um salto tão expressivo em um prazo tão curto é a mudança na demografia: o brasileiro não só está ficando mais velho, como vive mais e sente os contratempos que a longevidade costuma acarretar sobre a saúde. 


Luiz Augusto Carneiro, superintendente do IESS, projeta um cenário “preocupante”. “Nossas projeções mostram que os custos vão crescer muito e rapidamente. As empresas e os beneficiários precisam se preparar desde já para as mudanças”, diz ele.

Carneiro destaca que será uma tarefa coletiva. As empresas terão de rever a gestão, buscar ganhos de eficiência e até repensar o tipo de serviço. Os beneficiários, por sua vez, terão de pensar a vida - e os cuidados com a saúde no longo prazo. Entender a matemática financeira da demografia, avalia ele, dá algumas pistas sobre o que fazer.

A premissa é que não há como deter o passar do tempo: os gastos com saúde avançam com o envelhecimento. Segundo o estudo, beneficiários de planos privados no Brasil com menos de 18 anos custam cerca de R$ 1 mil - por ano. A conta com idosos acima de 80 passa de R$ 1 mil - por mês.

O avanço da idade provoca uma verdadeira escalada nos custos. Um adulto entre os 30 e 50 anos gera uma despesa média anual de R$ 2,5 mil. Ao entrar na terceira idade, ele passa a representar um gasto de mais de R$ 4 mil. Aos 75 anos, a conta anual vai a R$ 9 mil. Assim, quanto mais velho um país se torna, maior é sua conta com a saúde.


Virada. Entre 1950 e 2010, por exemplo, a proporção de idosos com 65 anos no Brasil aumentou de 2,4% para 7,4%. No mesmo período, porém, a proporção de gastos, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), foi de 1% para 9%. Nos próximos anos, os múltiplos serão ainda maiores.

Apesar de o Brasil prevalecer no imaginário nacional como um país eternamente jovem, nas tabelas de custos das empresas de saúde ele tateia pela terceira idade desde março de 2013, quando o crescimento no número de usuários com 60 anos ou mais tornou-se sistematicamente superior ao de faixas mais jovens. Essa virada vai se acentuar nos próximos anos.

Hoje, por exemplo, menos de um terço dos beneficiários dos planos privados é formado por idosos. Em 2030, vão representar mais da metade, 54% do total dos gastos. O topo da pirâmide de gastos, os idosos com mais de 80 anos, vão dobrar: passarão de 11% para 23% do total.

Reestruturação. Na avaliação de Mario Scheffer, especialista em sistemas de saúde e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o setor terá “um grande desafio” para enfrentar o envelhecimento do brasileiro. “A maioria dos planos não só foi montada para jovens como expulsa o idoso”, diz.

A lista de ineficiências do sistema é longa, segundo ele. As redes credenciadas não têm profissionais e serviços adequados para a terceira idade, as mensalidades encarecem muito à medida que o beneficiário ganha idade, não há sistemas de bônus e preços diferenciados pelo perfil dos usuários, a maioria das empresas não tem nem sequer programas de prevenção.

O estudo do IESS mostra que o perfil da demanda já está mudando. O aumento de idosos, por exemplo, já está transformando o perfil das doenças mais frequentes, com impactos sobre os custos. À medida que as pessoas envelhecem, crescem as chances de elas sofrerem de diabete, artrite, problemas de coluna, doenças crônicas, em geral, que exigem tratamentos mais caros. Para se ter uma ideia, apenas 3% dos brasileiros entre 18 e 29 anos sofrem de hipertensão arterial. A doença acomete 55% da população com mais de 75 anos.

A mudança do perfil é acompanhada por duas agravantes. A primeira é que doenças crônicas não vêm sozinhas. Há poucos estudos no Brasil sobre o tema, mas levantamentos feitos na Austrália indicaram que 8% da população com mais de 65 anos tem a propensão a quatro ou mais doenças crônicas ao mesmo tempo. O segundo problema é que doenças crônicas não só exigem acompanhamento frequente, mas podem levar a complicações que venham a exigir cuidados mais complexos.

Exemplo: a já citada hipertensão pode levar a um AVC, acidente vascular cerebral, que, não raro, compromete a capacidade motora. O paciente pode ter de fazer algum tipo de fisioterapia por meses ou, em caso extremo, terminar internado por um longo período.

Hoje, as terapias representam menos de 6% dos custos. Estima-se que em 2030 a demanda terá triplicado e corresponderá a 18% dos gastos. O peso das internações - um dos atendimentos mais onerosos - tende a passar dos atuais 58% para 64% em 15 anos.

Cenário conservador. Para calcular que a despesa da saúde privada chegaria a R$ 283 bilhões até 2030, o IESS incluiu na conta a variação dos custos médico-hospitalares e da taxa de cobertura dos planos ao longo do tempo.

Mesmo assim, a autora do estudo, a pesquisadora Amanda Reis, considerou o cenário “conservador”, pois não foram incluídos nas projeções dois dados que podem encarecer ainda mais as despesas: a adoção de novas tecnologias, que custam mais caro quando surgem, e uma eventual piora nas condições de saúde da população.

O estudo também não estimou o impacto da alta dos custos do sistema sobre o valor da contribuição dos beneficiários, pois os reajustes são regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

LIA TEVE QUE SE CUIDAR MELHOR


Cuidar do corpo para evitar complicações futuras e se conformar com um plano de saúde mais simples foram as saídas encontradas pela aposentada Lia Maria de Pádua Krauss, de 85 anos, para se manter entre o grupo de beneficiários da saúde suplementar.

Com uma aposentadoria de menos de dois salários mínimos, a idosa migrou, há alguns anos, para uma operadora voltada para pessoas mais velhas, que oferece preços mais baixos que os outros planos, mas, em compensação, tem rede referenciada limitada e menos conforto. “Pago R$ 350 por mês no plano, o que é um valor baixo para minha idade, mas também optei por não pagar o serviço com quarto individual ou outras comodidades. Pretendo usar o hospital o mínimo possível, para que vou ficar pagando mais caro? Nem poderia. E eles também trabalham mais com hospitais próprios, o que acaba deixando o preço mais em conta”, afirma ela.

Para a aposentada, mesmo um plano mais modesto é melhor do que depender exclusivamente da rede pública de saúde. “Pelo que vejo, o SUS é terrível, minha irmã, por exemplo, deixou de receber remédios de repente. Espero não ficar sem o plano”, ressalta.

Com a intenção de usar o hospital e outros serviços somente quando necessário, Lia passou a cuidar ainda melhor da saúde nos últimos anos. “Eu sempre gostei de fazer exercício, mas tive de parar quando sofri uma queda e coloquei uma prótese no quadril, em 2013. Engordei bastante, isso mexeu comigo, mas decidi que não queria ficar assim”, conta.

Fórmula. Lia faz exercício, cuida da alimentação e emagreceu 15 quilos no último ano

Fórmula. Lia faz exercício, cuida da alimentação e emagreceu 15 quilos no último ano

No ano passado, após estar recuperada da operação, a idosa usou o aplicativo Dieta e Saúde para iniciar um programa de reeducação alimentar. “Eu cheguei aos 90 quilos naquela época e hoje estou com 76. Voltei aos exercícios, faço hidroginástica e caminhada.”

Além dos exercícios, Lia começou a ter mais cuidado com a alimentação. “Antes eu saía com a minha neta, comia doce, pizza. Ou então cozinhava um bolo em casa. Agora, eu não deixo entrar doce aqui, fritura é uma vez por mês, no máximo. Prefiro grãos, salada, verdura, frutas, coisas feitas no forno”, enumera a aposentada.

O cuidado não só melhora a qualidade de vida de Lia Maria e diminui a necessidade de utilização do plano, mas também reduz os custos com remédios. “Não tenho pressão alta nem diabete. Só que gasto R$ 170 com um remédio para um problema urinário que tenho desde jovem. Se eu tivesse outras doenças crônicas, esse custo com medicamento seria ainda maior”, diz ela.

Para Lia, seria interessante se os planos passassem a oferecer benefícios extras aos pacientes que, como ela, se cuidam e diminuem os riscos de complicações futuras. “Seria uma ideia simpática, mas acho complicado para o convênio saber quem está preocupado com a saúde ou não, seria difícil fazer esse monitoramento”, diz ela.

SETOR DEVE APOSTAR EM PREVENÇÃO


Racionalizar a incorporação de novas tecnologias de saúde, investir em atenção básica e em programas de prevenção e estimular o uso consciente do plano pelos pacientes são as principais medidas defendidas por especialistas, operadoras e governo na tentativa de impedir que o aumento dos gastos de saúde faça com que o convênio médico se torne, no futuro, um serviço que poucos poderão pagar.

Se já é certo que o número de pacientes idosos nos planos subirá ano a ano, o esforço das operadoras deve se concentrar em promover um envelhecimento saudável dos seus beneficiários, diminuindo, assim, fatores de risco para doenças graves que levam ao aumento dos gastos. É por isso que uma das principais medidas estimuladas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é a oferta de programas de prevenção e promoção da saúde.

“Com as mudanças demográficas e o envelhecimento da população, aumenta a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, como problemas cardiovasculares, diabete. Combatendo o tabagismo, o sedentarismo e hábitos alimentares indevidos, esses programas melhoram a condição de saúde da população e impactam num menor custo assistencial das operadoras”, diz Raquel Lisbôa, gerente-geral de regulação assistencial da ANS.

A agência regulamentou esse tipo de iniciativa em 2005, oferecendo pontuação extra no índice de desempenho das operadoras àquelas empresas que oferecerem iniciativas do tipo. Nos últimos três anos, o número de programas cadastrados no órgão governamental passou de 820, em dezembro de 2012, para os atuais 1.367.

Há operadoras que, além de oferecer acompanhamento médico, nutricional e psicológico, dão bonificações aos clientes que se engajam nos projetos preventivos. Do total de programas existentes, cerca de 300 dão algum incentivo, como descontos em academias e em restaurantes. Dois projetos dão desconto na mensalidade ao participante do projeto.

“A regra da ANS, no entanto, diz que as bonificações não podem estar atreladas aos indicadores de saúde do paciente, mas ao fato de ele participar ou não do programa”, diz Raquel.

Para a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade que representa as maiores operadoras do País, os programas de prevenção têm papel importante para ajudar a manter as despesas sob controle, mas não bastam.

O peso da oferta de novas terapias e medicamentos não deve ser desconsiderado. “Entre os ajustes necessários no setor estão disciplinar as incorporações de novas tecnologias de acordo com critérios de custo-efetividade, custo-utilidade e custo-benefício; formular diretrizes de utilização para que se evitem prescrições médicas que não encontram respaldo nas melhores evidências científicas; reformular o modelo de remuneração dos prestadores de serviços, valorizando resultados clínicos; conter a judicialização do setor, seguindo regras contratuais e legisladas e criar mecanismos para coibir fraudes”, defende José Cechin, diretor executivo da FenaSaúde.

Professor de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) especializado em economia da saúde, Denizar Vianna apoia a adoção de critérios mais rigorosos na incorporação de novos procedimentos ao rol mínimo de coberturas dos planos. “Tem de haver mais racionalidade no uso dessas tecnologias, com critérios baseados em evidências científicas. É preciso dar o tratamento certo, para a pessoa certa, na hora certa. Se oferecermos todas as tecnologias para todos, a conta não vai fechar.”

O uso inadequado de recursos também é algo que deve ser combatido. “O paciente acha que, por ter um plano, ele tem de usar o máximo possível, fazer todos os exames mesmo sem ter nenhum problema. Isso encarece o sistema como um todo. O beneficiário é o elo mais frágil e deve ser protegido, mas precisa ter consciência do seu papel nisso tudo”, afirma.

Rede própria. Vianna diz ainda que deverão se tornar cada vez mais comuns as operadoras que optam por investir em uma rede própria de hospitais e ambulatórios, o que aumenta o controle de custos. A estratégia já é adotada por empresas como Amil, Intermédica e Prevent Senior.

“É verdade que, nesses casos, o consumidor acaba tendo menos opções de prestadores de serviço, mas é o que acaba sendo mais factível. Um plano de livre escolha, em que o cliente tem acesso ao hospital ou laboratório que quiser, será cada vez mais para uma minoria”, afirma ele.

Para evitar que o aumento de custos deixe o cliente sem plano após a aposentadoria por falta de condições financeiras, a FenaSaúde apoia ainda a proposta do chamado VGBL Saúde, uma espécie de previdência privada exclusiva para gastos com saúde.

“Ele poderá ser um grande aliado e ajudar a custear a mensalidade depois de a pessoa deixar o mercado de trabalho. A ideia é acumular parte do valor da mensalidade em um fundo de capitalização individual, que ajudaria o cidadão a arcar com os gastos médicos e o plano de saúde após a aposentadoria, quando a necessidade de assistência sobe e a renda, normalmente, diminui”, diz o diretor executivo da federação.
 
ESTILO DE VIDA PODE FAZER DESPESA CRESCER

Embora os preços das mensalidades dos planos de saúde sejam definidos hoje basicamente pela faixa etária, os diferentes estilos de vida dos beneficiários de idades próximas poderiam colocá-los em grupos totalmente diferentes.

A aposentada Ondina Ramos Bollonhi, de 77 anos, é sedentária, come massas e doces com frequência, adora uma cerveja, tem pressão alta e não toma remédio para controlá-la. Na mesma faixa etária, a dona de casa Rosa Valério, de 70 anos, faz exercícios físicos quatro vezes por semana, vai ao médico periodicamente, não tem doenças crônicas e prioriza no cardápio verduras, legumes e massas integrais.

“Diversos estudos já mostraram que pessoas que têm no estilo de vida fatores de risco para doenças gastam, em média, 16% a mais com saúde do que a população em geral”, diz Raquel Lisbôa, gerente-geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A preocupação com a prevenção já faz parte da rotina de Rosa, e não é só pelo medo de desenvolver doenças. Ela tem um plano de saúde com coparticipação, ou seja, tem de pagar um porcentual de cada procedimento que realiza. A mensalidade é de cerca de R$ 500. Quanto mais ficar doente, mais gastos terá.
Impacto. Ondina tem 77 anos, bebe álcool e não faz exercícios: plano custa R$ 1.100
Impacto. Ondina tem 77 anos, bebe álcool e não faz exercícios: plano custa R$ 1.100

“Optei por esse modelo porque a mensalidade é um pouco mais baixa. Acredito que, me cuidando agora, tenho menos chance de ter complicações e vou usar menos o plano, o que vai sair mais barato”, diz ela, que faz dança e tai chi chuan e emagreceu dez quilos.

Para a ANS, a coparticipação pode levar o beneficiário ao uso mais consciente do serviço. “Estamos estudando a efetividade dos fatores moderadores como a coparticipação na diminuição do uso indevido do plano, mas sem impedir a utilização adequada”, explica Raquel.

Ondina não precisa pagar coparticipação em seu plano, mas a mensalidade chega a R$ 1.100. “Sei que o valor é muito alto, nem conseguiria pagar sozinha, mas eu não gosto de ir ao médico. Sempre fui assim, é difícil ter essa disciplina”, diz ela, que conta com a ajuda de um familiar para arcar com a despesa do convênio médico.

Reajustes. Apesar de hábitos diferentes, as idosas se preocupam com os periódicos reajustes das mensalidades. “Neste ano, meu plano já teve três aumentos, fora a alta na conta da luz, do condomínio. Felizmente, eu e meu marido temos condições de pagar, mas, como aposentados, fica difícil guardar alguma economia pensando num reajuste maior ainda”, diz Rosa.

Ondina, por outro lado, já pensa na possibilidade de ir para a rede pública. “A gente ganha pouco. Se eu fosse pagar o plano sozinha, minha aposentadoria inteira ia apenas nisso. Se subir demais, vou ter de ir para o SUS.”


15 novembro, 2014

O lado oculto das contas de hospital

Caros leitores e associados da CASSI, esta matéria é longa, mas é muito importante que todos leiam. 

Recebi este link da nossa colega Isa Musa de Noronha com a seguinte observação: 
"Parece que não tem nada a ver conosco mas eu penso nas contas de hospital que a Cassi recebe."
 
A medicina privada prolonga a vida como nunca. Isso pode significar a morte financeira das famílias abandonadas pelos planos de saúde. É possível curar esse mercado doente? 

CRISTIANE SEGATTO
21/05/2014 07h00 - Atualizado em 28/05/2014 16h57
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Quanto vale o ar que chega aos pulmões a cada inspiração? Ninguém pensa nisso enquanto respira, naturalmente, 25 mil vezes ao dia. É uma pergunta irrelevante na saúde – e crucial na doença. Por 24 horas de oxigênio, os melhores hospitais privados de São Paulo chegam a cobrar R$ 3 mil. Essa é só uma das preocupações da oftalmologista S.L., de 31 anos. Ela pertence a uma família de médicos que, há dois anos, vive um drama, em silêncio, num dos mais respeitados centros de saúde do país – o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.  

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06 novembro, 2014

Consumo de leite não diminui o risco de fraturas ósseas, diz estudo

DA BBC BRASIL




Um estudo publicado pelo British Medical Journal (BMJ) sugere que o consumo de leite não diminui o risco de fraturas por fragilidade óssea. 


Com base em pesquisas realizadas pela Universidade de Uppsala, na Suécia, o estudo mostrou que mulheres que bebiam mais de três copos de leite por dia na verdade mostravam mais tendência a sofrer lesões do gênero que mulheres consumindo menores quantidades do produto. 


Os pesquisadores, porém, alertam que os resultados apontam uma tendência e não devem ser interpretados como prova de que o maior consumo de leite causou as fraturas de fragilidade óssea. 


Fatores como o peso e o consumo de álcool também devem ser levados em conta, alertam.


Thinkstock
Consumo de leite não diminui o risco de fraturas ósseas, diz estudo
Consumo de leite não diminui o risco de fraturas ósseas, diz estudo

 
CHANCES DOBRADAS


O leite durante anos tem sido recomendado como uma boa fonte de cálcio, mas estudos investigando uma relação entre o consumo do produto e o fortalecimento ósseo apresentaram resultados conflitantes. 


A pesquisa sueca examinou os hábitos alimentares de 61.400 mulheres entre 1987 e 1990 e de 45.300 homens em 1997 para então monitorar sua saúde ao longo de um período de até 20 anos. 


Participantes preencheram questionários sobre a frequência no consumo de alimentos como leite, iogurte e queijo. 


Os pesquisadores, então, viram quais participantes sofreram fraturas e tiveram outros problemas nos anos seguintes. 


"As mulheres com alto consumo de leite tinham um risco 50% maior de sofrer fraturas de bacia", explica Karl Michaelsson, pesquisador-chefe da Universidade de Uppsala. 


Os homens foram monitorados por 11 anos e os resultados mostraram uma tendência parecida, porém menos acentuada. 


PADRÕES OPOSTOS


Curiosamente, produtos à base de leite fermentado, como o iogurte, apresentaram o padrão oposto: o maior consumo reduziu o risco de fraturas. 


Para o professor Michaelsson, outro fator que pode influenciar a força óssea são os açúcares do leite, que testes de laboratório já mostraram acelerar o envelhecimento em alguns animais. 


"Os resultados do nosso estudo questionam a validade das recomendações do consumo de grandes quantidades de leite para a prevenção de fraturas de fragilidade óssea", afirma o pesquisador. 


"Mas esses resultados precisam ser interpretados de forma cautelosa por conta da natureza observacional do nosso estudo". 


Michaelsson defende ainda que as recomendações sobre o consumo de leite não sejam alteradas até que se conduzam mais pesquisas sobre o tema. 

Médicos fazem primeiro transplante com 'coração morto'




DA BBC BRASIL
Cirurgiões na Austrália realizaram o primeiro transplante cardíaco usando um coração tecnicamente morto. 


Os corações usados normalmente em transplantes são retirados de pacientes com morte cerebral, mas ainda com batimentos cardíacos. 


Desta vez, porém, os médicos do St Vincent's Hospital, em Sydney, ressuscitaram e transplantaram órgãos que haviam parado de bater até 20 minutos antes. 


Victor Chang Institute
Médicos fazem primeiro transplante com 'coração morto'.
"Heart-in-a-box", máquina utilizada para reestabelecer o "coração morto", habilitando-o para transplante 

A técnica envolveu uma máquina que os médicos batizaram de "heart-in-a-box" (coração em caixa), que mantém o órgão aquecido. Os batimentos são então restaurados, e fluidos e nutrientes são injetados para reduzir o dano muscular. 


A primeira paciente a receber um transplante usando a técnica foi Michelle Gribilas, de 57 anos. 


"Agora sou uma pessoa totalmente diferente", disse a mulher, que recebeu o coração dois meses atrás. "Me sinto como se tivesse 40 anos. Tenho muita sorte."


Desde então, duas outras cirurgias semelhantes foram realizadas. 


A equipe responsável pelos experimentos estima que a técnica do "coração em caixa", que está em testes em todo o mundo, pode elevar em até 30% o número de vidas salvas por transplantes, devido à maior disponibilidade de órgãos. 


"Esse avanço representa um passo na redução da falta de órgãos", disse o chefe da unidade de transplantes do hospital St Vincent's, Peter MacDonald.

 
MAIS ÓRGÃOS


Diferentemente de outros órgãos, o coração não é aproveitado após a chamada morte circulatória –quando cessam os batimentos cardíacos. O órgão é retirado e mantido no gelo por até quatro horas antes da operação. 


Diversos métodos de aquecimento e fornecimento de nutrientes são usados para manter outros órgãos, como o fígado e os pulmões, próprios para transplante. 


O diretor médico de transplantes do sistema de saúde pública do Reino Unido, James Neuberger, disse que o uso de máquinas neste campo "é uma oportunidade de melhorar o número e a qualidade de órgãos disponíveis para o transplante". 


Mas ele disse que "ainda é muito cedo para estimar quantas vidas podem ser salvas por transplantes a cada ano se essa tecnologia for adotada como prática padrão no futuro". 

A Fundação Britânica para o Coração classificou o desenvolvimento da técnica como "significativo". 

Equipe de universidade no interior de São Paulo patenteia "viagra caipira"


Michael Wolf/Wikimedia Commons
Crédito: Michael Wolf/Wikimedia CommonsLegenda: A planta Piper cubeba, ou pimenta-de-java, usada por pesquisadores que procuram um "novo viagra"
A planta Piper cubeba, ou pimenta-de-java, usada por pesquisadores que procuram um "novo viagra"


Um grupo de pesquisadores estava testando uma série de moléculas similares como arma contra o mal de Chagas, doença causada por um parasita e que pode levar à insuficiência cardíaca. 


As substâncias não se revelaram muito eficazes para esse fim, mas alguns dos ratos usados no estudo, repararam os cientistas, apresentavam uma potente ereção. 


Após estudar melhor o fenômeno, a equipe da Unifran (Universidade de Franca, no interior paulista) acabou mostrando que uma das substâncias, a (-)-cubebina –pronuncia-se "menos cubebina"– tinha potencial para ser usada como medicamento contra a disfunção erétil em seres humanos, inclusive com vantagens em relação a fármacos que estão no mercado hoje, como o Viagra (citrato de sildenafila).

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress


Viagra caipira A equipe obteve recentemente a patente do uso da molécula para esse fim nos Estados Unidos e está negociando testes mais detalhados dela com representantes da indústria farmacêutica, afirma o coordenador do estudo, o farmacêutico Márcio Luís Andrade e Silva. 


"Esperamos fechar isso o mais rápido possível. Podemos ter excelentes notícias em breve, mas a negociação ainda é confidencial", diz ele.

 
TEMPERO DO ORIENTE


A molécula, como indica seu nome, foi obtida a partir da cubeba ou pimenta-de-java (Piper cubeba), nativa da Indonésia, tradicionalmente usada como condimento ou para fins medicinais. 


Segundo Andrade e Silva, a equipe passou a fazer modificações na estrutura molecular dos derivados da cubeba, testando essas substâncias também contra doenças como esquistossomose ou como anti-inflamatório. 


Após verificar o curioso efeito nos ratos, a equipe passou a fazer exames mais detalhados do fenômeno, inclusive analisando o que acontecia com o corpo cavernoso do pênis dos animais –a parte do órgão que, ao receber maior irrigação sanguínea, é a principal responsável por mantê-lo ereto (veja o quadro acima). 


"Comparamos a ação da (-)-cubebina com a do princípio ativo do Viagra e verificamos que ela é 50% mais potente", diz o farmacêutico da Unifran. Trocando em miúdos, a molécula derivada da planta enche o pênis com sangue de modo mais eficiente, deixando-o mais túrgido ("cheio"), como dizem os especialistas. 


Essas análises mais detalhadas também mostraram que a substância atua inibindo uma enzima (molécula que acelera reações bioquímicas), a fosfodiesterase-5, que mantém o pênis em seu estado flácido. Essa enzima também é o alvo de remédios contra disfunção erétil existentes hoje. 


Andrade e Silva afirma que a maior potência da molécula não necessariamente indica que seu efeito seria mais doloroso ou difícil de reverter. "Tudo isso é uma questão de formulação e dosagem, algo que podemos ajustar conforme os estudos avançam", pondera. 


Para que a substância se torne a base de um novo produto, serão necessários mais testes em animais e ao menos três baterias diferentes de ensaios clínicos com pacientes humanos, o que deve exigir vários anos de estudos.