08 março, 2015

Outras estatais pagavam políticos, diz doleiro

Políticos que serão investigados por suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobras também receberam propina para facilitar negócios com outras estatais do governo federal, de acordo com o doleiro Alberto Youssef, um dos principais operadores do esquema. 


Detalhes dos depoimentos de Youssef vieram a público na sexta (6), após o Supremo Tribunal Federal divulgar a relação de inquéritos abertos para investigar os políticos supostamente envolvidos.


Paulo Lisboa - 06.fev.2015/Brazil Photo Press/Folhapress
O doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, deixa a sede da PF e segue para depor na Justiça Federal, em Curitiba (PR)
O doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, deixa a sede da PF e segue para depor na Justiça Federal, em Curitiba (PR)

Há menções a pagamentos milionários a políticos provenientes de contratos de órgãos como o Denatran, ligado ao Ministério das Cidades, as estatais CBTU e Furnas, além de fundos de pensão dos Correios, da Petrobras e de alguns Estados e municípios. 


No caso do Denatran, dois ex-deputados do PP –João Pizzolatti (SC) e Pedro Correia (PE)– serão investigados pela suspeita de terem recebido propina de R$ 20 milhões. 


Segundo Youssef, o órgão fez um convênio com a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização para a instituição passar a fazer um registro específico dos veículos nacionais. Sem concorrência, a Fenaseg contratou a empresa GRF para realizar o serviço. 


Segundo consta no inquérito, a GRF era de Carlos Augusto Montenegro, presidente do instituto de pesquisa Ibope, que seria responsável pelo pagamento da propina. 


"O negócio teria rendido cerca de R$ 20 milhões em comissões para o PP, montante que seria pago em vinte parcelas", disse Youssef ao depor. "As parcelas eram pagas por um empresário de nome Montenegro, dono do Ibope." 


O doleiro acusa o ex-presidente da CBTU, estatal federal de trens urbanos, Francisco Colombo, de ter repassado R$ 106 mil apreendidos em 2012 pela Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas (SP) com o funcionário da Câmara Jaymerson de Amorim. 


Segundo o depoimento, o dinheiro foi pego por Colombo com Youssef dias antes e era destinado ao senador Benedito de Lira (PP-AL) e ao deputado Artur Lira (PP-AL). 


Youssef relatou ter informações de que havia um esquema de pagamento de suborno em Furnas, estatal do setor elétrico, que teria funcionado entre 1994 e 2001, durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. O doleiro contou que nessa época atuava como operador financeiro do ex-deputado do PP José Janene, morto em 2010. 


Segundo ele, Janene recebia propina de duas empresas contratadas por Furnas. Youssef disse que presenciou Janene receber suborno de uma destas empresas e que, de 1996 a "2000 ou 2001", a empresa repassou US$ 100 mil por mês ao PP. 


O doleiro afirmou que Janene lhe disse que "dividia uma diretoria de Furnas" com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que na época era deputado federal. Youssef disse ter "ouvido dizer" que Aécio também recebia propina. O Ministério Público não abriu inquérito contra o tucano. 

A Folha procurou a CBTU, a assessoria do Ministério das Cidades, o presidente do Ibope e a assessoria do PP, mas não obteve retorno até a conclusão desta edição.



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