05 fevereiro, 2015

Tesoureiro do PT será levado a depor em nova fase da Operação Lava Jato

Escândalo na Petrobras A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira mais uma etapa da Operação Lava Jato. Os agentes estão cumprindo 62 mandados –um de prisão preventiva, no Rio, três de temporária, em Santa Catarina, 18 conduções coercitivas e 40 de busca e apreensão. 

A ação está ocorrendo ao mesmo tempo nos Estados de São Paulo, Rio, Bahia e Santa Catarina. 

A Folha apurou que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que mora em São Paulo, é um dos alvos dos mandados de condução coercitiva –quando a pessoa é levada até a delegacia para prestar depoimento– e será levado pela PF. 

"Esta fase é fruto da análise de documentos e contratos apreendidos anteriormente pela PF. Também contribuíram para esta nova etapa da operação as informações oriundas da colaboração de um dos investigados, além da denúncia apresentada por uma ex-funcionária de uma das empresas investigadas", informou a Polícia Federal. 

CONFIRA OS MANDADOS POR ESTADO
 
SP 10 mandados de busca e 2 de condução coercitiva (todos na capital)
RJ 12 mandados de busca, 8 de condução coercitiva e 1 de prisão preventiva (todos na capital) 

BA 2 mandados de busca e 1 de condução coercitiva (todos na capital)
SC 16 mandados de busca, 7 de condução coercitiva e 3 de prisão temporária nas seguintes cidades:
- Itajaí: 8 mandados de busca, 5 de condução coercitiva e 2 de prisão temporária
- Balneário Camboriú: 3 mandados de busca, 1 de prisão temporária e 1 de condução coercitiva
- Piçarras: 2 mandados de busca
- Navegantes: 1 mandado de busca e 1 mandado de condução coercitiva
- Penha: 1 mandado de busca
- Palmitos: 1 mandado de busca

Esta fase da operação foi batizada de "May Way". É com o título desta canção de Frank Sinatra que o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que colabora com as investigações, se refere a Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal.
Fases anteriores da Lava Jato resultaram nas prisões dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, e de altos executivos de importantes empreiteiras do país.
 
POSTO DE COMBUSTÍVEL

Com início em um posto de gasolina –de onde surgiu seu nome–, a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014 investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do país e políticos. 

Uma das primeiras prisões foi a do doleiro Alberto Youssef, 47. Criado em Londrina, foi vendedor de pastel e contrabandista de eletrônicos do Paraguai antes de aprender o ofício de doleiro. Foi preso nove vezes. Uma delas, pela participação no chamado caso Banestado, maior escândalo já investigado no Brasil sobre remessas ilegais de dinheiro. 

Três dias depois, houve a prisão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras. Costa era investigado pelo Ministério Público Federal por supostas irregularidades na compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Ele passou a ser investigado pela PF após ganhar, em março de 2013, um carro de luxo de Youssef. 

Tanto Costa quanto Youssef assinaram com o Ministério Público acordos de delação premiada para explicar detalhes do esquema e receber, em contrapartida, alívio das penas.
Em seu depoimento, o ex-diretor da Petrobras afirmou que havia um esquema de pagamento de propina em obras da estatal, e que o dinheiro abastecia o caixa de partidos como PT, PMDB e PP. 

No final de outubro, Julio Camargo, da empresa Toyo-Setal, fechou acordo de delação premidada com procuradores. É o primeiro executivo a fazê-lo. Uma semana depois, outro executivo da empresa, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, também assinou uma delação.
No dia 14 de novembro, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Lava Jato, que envolveu buscas em grandes empreiteiras como a Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht, além de outras sete companhias. 

As empresas envolvidas têm contratos de R$ 59 bilhões com a Petrobras. 

As denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal foram acatadas e a Justiça Federal tornou réus 39 pessoas. 

O juiz federal do Paraná Sérgio Moro é responsável pelas ações penais decorrentes da Lava Jato nos casos que não envolvem políticos –que possuem foro privilegiado e, por isso, são investigados pelo Supremo Tribunal Federal. O magistrado é referência no julgamento de crimes financeiros. 


Editoria de Arte/Folhapress
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CRONOLOGIA

2014

17.mar
Polícia Federal deflagra a Operação Lava Jato em seis Estados e no DF. São apreendidos R$ 5 milhões em dinheiro, 25 carros de luxo, joias, quadros e armas. Dezessete pessoas são presas, entre elas, Alberto Youssef, doleiro suspeito de comandar o esquema
 
20.mar
Ex-diretor de abastecimento da Petrobras de 2004 a 2012, Paulo Roberto Costa é preso pela PF sob suspeita de destruir e ocultar documentos. Costa passou a ser investigado após ganhar, em março do ano passado, um carro de luxo do doleiro Alberto Youssef, apontado como um dos líderes do esquema
 
22.mar Folha revela que Youssef disse ter recebido 12 milhões da empreiteira Camargo Corrêa, sem detalhar se o valor era em dólar ou real. A informação constava de diálogo de 13.out.13 interceptado pela PF
 
27.mar Folha revela que um diretor do Ministério da Saúde é suspeito de ter ajudado a Labogen, empresa controlada por Youssef, a firmar parceria de R$ 31 milhões com a pasta para produção de medicamentos. A parceria foi suspensa, sem que qualquer valor tivesse sido pago, após o caso vir à tona
 
1º.abr Folha revela que o então vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), usou um jatinho emprestado por Youssef para fazer uma viagem de férias com a família. Na ocasião, Vargas afirmou ter pago pelo combustível
 

Beto Barata - 2.abr.2014/Folhapress

O deputado André Vargas no plenário da Câmara
O deputado André Vargas no plenário da Câmara
3.abr
Investigação da PF aponta que o contrato da Labogen com o Ministério da Saúde foi obtido graças à influência de Vargas, que teria atuado para favorecer negócios de Youssef
 
5.abr
Laudo da PF obtido pela Folha mostra que nove fornecedores da Petrobras depositaram R$ 34,7 milhões na conta de uma empresa de fachada controlada por Youssef. Parte desses fornecedores têm contratos na refinaria de Abreu e Lima (PE)
7.abr
 
Alegando ser vítima de um "massacre midiático", Vargas se licencia do mandato na Câmara
 
8.abr Folha revela que a Jaraguá Equipamentos, uma das empresas investigadas na Operação Lava Jato, doou R$ 4,5 milhões ao diretório nacional do PT entre 2010 e 2012
 
9.abr
Vargas renuncia ao cargo de vice-presidente da Câmara. Conselho de Ética da Casa abre processo de cassação contra o deputado
 
11.abr
Em um desdobramento da Operação Lava Jato, PF amplia investigações sobre negócios suspeitos da Petrobras e faz operação de busca e apreensão na sede da estatal, no Rio
 
12.abr Planilha apreendida pela PF na casa de Paulo Roberto Costa levanta a suspeita de que ex-diretor intermediava repasses de empreiteiras para políticos
 
15.abr
PF indicia Costa, Youssef e outros 44 na Operação Lava Jato
 
18.abr Planilha apreendida no escritório de Youssef registra repasse de R$ 31 milhões por dois consórcios e uma empresa a firmas controladas pelo doleiro
23.abr
 
Justiça aceita denúncia contra Youssef e seis investigados na Operação Lava Jato
 
25.abr
Justiça aceita denúncia contra Paulo Roberto Costa por suspeitas de desvios de recursos da refinaria Abreu e Lima (PE)
 
5.mai
Investigação da PF aponta que Youssef também fez favores a outro deputado federal, Luiz Argôlo (SDD-BA)
 
8.mai
Justiça autoriza a quebra do sigilo bancário da Petrobras nas operações envolvendo contratos da refinaria Abreu e Lima. Há suspeita de desvios de verba pública. Também foi decretada quebra de sigilo de Paulo Roberto Costa

Dorivan Marinho - 7.nov.2014/Midas Press/Folhapress

Refinaria Abreu e Lima, em PE, obra da Petrobras com suspeita de superfaturamento
 
14.mai
Sob controle de aliados do Planalto, CPI da Petrobras é instalada no Senado
 
15.mai
Conselho de Ética da Câmara instaura processos para cassar Luiz Argôlo (SDD-BA)
 
19.mai
Por decisão do ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), Paulo Roberto Costa é solto
 
28.mai
Após pressões da oposição, é criada a CPI mista (com participação de deputados e senadores) da Petrobras
 
1.jun
Na única entrevista que deu após sua primeira prisão, à Folha, Costa negou que houvesse superfaturamento e suborno em contratos da Petrobras
 
10.jun
Paulo Roberto Costa depõe na CPI do Senado e nega suspeitas de corrupção na estatal: "Repudio com veemência que a [Petrobras] era organização criminosa. [A Petrobras] não era balcão de negócios. Não existe lavagem de dinheiro da Petrobras"
 
11.jun
Justiça volta a decretar a prisão de Paulo Roberto Costa por ele ter ocultado que controlava contas na Suíça com saldo de US$ 23 milhões. O dinheiro foi bloqueado pelas autoridades do país europeu
 
14.jun
Empresas que têm contratos com a Petrobras, como a Sanko Sider e a OAS, fizeram depósitos em conta na Suíça controlada pelo doleiro Alberto Youssef, segundo documentos apreendidos pela PF
 
28.jun
PF investiga empreiteiras que fizeram repasses a uma empresa de fachada de Youssef. A suspeita é de que os valores eram usados para pagamento de propina e tinham origem em contratos superfaturados na refinaria Abreu e Lima
 
3.jul
Justiça encaminha ao STF provas encontradas na Operação Lava Jato que apontam relação entre Youssef e o senador Fernando Collor (PTB-AL), que teria recebido dinheiro do doleiro

Reprodução
O doleiro Alberto Youssef na carceragem da PF em Curitiba
O doleiro Alberto Youssef na carceragem da PF em Curitiba
 
15.jul
Youssef vira réu numa nova ação penal, sob acusação de ter ajudado o deputado José Janene (PP-PR), réu do mensalão morto em 2010, a dar uma aparência legal a parte dos recursos que o parlamentar recebeu do esquema
 
25.jul
Youssef sofre um infarto na prisão e é levado ao hospital, onde é internado na UTI
 
9.ago
Em depoimento à PF, a contadora de Youssef, Meire Poza, afirmou que as empresas que pagavam por serviços de consultoria de firmas do doleiro sabiam que estavam contratando uma fraude. Meire também afirmou à PF que o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) é sócio informal de Youssef
 
22.ago
Após a PF fazer operações de busca em empresas de sua filha, Paulo Roberto Costa aceita fechar acordo de delação premiada com procuradores que atuam na Operação Lava Jato para deixar a prisão
 
6.set
Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa afirma que 12 senadores, 49 deputados federais e pelo menos um governador receberam dinheiro desviado da estatal, segundo apuração da Folha. O ex-diretor da Petrobras apontou políticos de três partidos: PT, PMDB e PP. Um dos citados no depoimento é o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto
Segundo a revista, Paulo Roberto Costa cita pelo menos 25 deputados federais, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras 


Editoria de Arte/Folhapress
 
13.set
Segundo a revista "Istoé", Costa citou, em seu depoimento, o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Francisco Dornelles (PP-RJ) e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ)
 
20.set
Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa afirma que o esquema de desvios de recursos na estatal não era exclusividade de sua área, mas ocorria também em outras diretorias da empresa
 
23.set
Alberto Youssef decide fazer acordo de delação para tentar abrandar sua situação na Justiça. Dois dias depois presta seu primeiro depoimento
 
1º.out
Como parte do acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa é solto e volta para sua casa no Rio, onde passa a cumprir prisão domiciliar


Ricardo Borges/Folhapress

Paulo Roberto Costa desembarca no Rio escoltado pela PF
Paulo Roberto Costa desembarca no Rio escoltado pela PF
 
2.out
Reportagem da Folha mostra que um consórcio liderado pela empreiteira Camargo Corrêa repassou R$ 37,7 milhões a empresas de fachada de Alberto Youssef
 
16.out Folha revela que Paulo Roberto Costa disse, em seu depoimento, que repassou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a Petrobras em 2009
 
24.out
Segundo a revista "Veja", Youssef afirmou em depoimento que Dilma e Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. A reportagem é divulgada dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial
 
28.out
Executivo Julio Camargo, da empresa Toyo-Setal, fecha acordo de delação premiada com procuradores da Lava Jato
 
29.out
Conselho de Ética aprova cassação de Luiz Argôlo (SDD-BA)
 
4.nov
Segundo executivo assina acordo de delação premiada. É Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, também da Toyo-Setal
 
14.nov
Em mais uma etapa da Lava Jato, Justiça expede 27 mandados de prisão. A ação da PF atinge dez empresas, entre elas gigantes como a Camargo Côrrea e a OAS
Em depoimento, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (Toyo-Setal) afirma que havia um "clube da propina" de empreiteiras com a Petrobras, liderado pelo empresário Ricardo Ribeiro Pessoa, sócio da UTC Engenharia.

Ministério Público Federal fecha com o grupo Setal o primeiro acordo de delação premiada com empresas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras
 
17.nov
A presidente da Petrobras, Graça Foster, anuncia que a estatal estuda criar uma nova diretoria que "garanta o cumprimento da lei"
Em depoimento à PF, o diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, afirma que aceitou pagar propina ao esquema de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef após ser extorquido pelos dois. Ele disse que o destino do dinheiro foi o PP, o Partido Progressista 

José Carlos Cosenza, diretor de Abastecimento que substituiu Paulo Roberto Costa na Petrobras, aparece em depoimento à PF. A suspeita é que ele teria recebido comissões de empresas ligadas à estatal. 
 

Ricardo Borges - 17.nov.14/Folhapress

Os diretores da Petrobras e a presidente da estatal, Graça Foster, concedem entrevista coletiva no Rio de Janeiro
Os diretores da Petrobras e a presidente da estatal, Graça Foster, concedem entrevista coletiva no Rio de Janeiro
 
18.nov
Cade negocia acordo de leniência com empresa Toyo-Setal. O ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Jorge Hage, afirma que empresas também o procuraram para propostas semelhantes. 

Justiça estende a prisão de cinco executivos e do ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Outros 11 presos foram liberados. O lobista Fernando Baiano, suspeito de negociar propina para o PMDB, é preso.
 
19.nov
PF diz que errou ao citar nome de José Carlos Cosenza, diretor de Abastecimento da Petrobras, em depoimentos
 
25.nov
Alberto Youssef presta seu último depoimento da delação premiada à PF
 
2.dez
Paulo Roberto Costa depõe à CPI mista da Petrobras em encontro de acareação com o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. O delator disse que chegou a ficar "enojado" com o que ocorria na estatal e que a corrupção está espalhada pelo país. "O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar." 

Após a sessão, Costa confidenciou a dois deputados o número de políticos que citou em depoimento. Um dos que ouviu o dado foi Julio Delgado (PSB-MG). "Eu perguntei: como é isso, quantos são?'. Ele me disse que são de 35 a 40 do PP, PMDB e PT."
 
3.dez
Folha noticia que o executivo da Toyo Setal Augusto Ribeiro de Mendonça Neto afirmou em delação premiada que parte da propina paga para o ex-diretor da Petrobras Renato Duque eram "doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores". O ex-presidente Lula diz que afirmação do empresário é "fantasiosa" 

Já Julio Camargo, também da Toyo Setal, afirma em depoimento que diz ter pago R$ 137 milhões em propina, mas nega que tenha feito doações eleitorais como pagamento de propina
Renato Duque é solto pela PF após decisão do STF
 
8.dez
A revista "Época" revela que José Dirceu recebeu R$ 886 mil da empreiteira Camargo Corrêa, investigada na Operação Lava Jato, por serviços como "análise de aspectos sociológicos e políticos do Brasil", "assessoria na integração dos países da América do Sul" e "palestras e conferências internacionais"
Escritório americano entra com ação coletiva contra Petrobras por violação da lei que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos ao emitir declarações falsas e enganosas e não revelar "a cultura de corrupção dentro da companhia, com um esquema multibilionário de lavagem de dinheiro e subornos desde 2006"
 
9.dez
PF indicia lobista e 12 executivos de empreiteiras na Operação Lava Jato
 
10.dez
Câmara dos Deputados cassa o mandato de André Vargas (ex-PT-PR)
 
11.dez
Procuradoria denuncia 36 pessoas por lavagem de dinheiro, corrupção e formação de organização criminosa em esquema na Petrobras. Segundo a acusação, o cartel de empreiteiras atuou até 14 de novembro deste ano, quando foram presos executivos na Operação Lava Jato. O Ministério Público pede a devolução de R$ 1,5 bilhão aos acusados
 
12.dez
 Jornal "Valor Econômico" revela que uma ex-gerente da diretoria de Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, já havia alertado diretoria da estatal sobre desvios. Fonseca teria enviado e-mails entre 2009 e 2014 para a presidente da empresa, Graça Foster e o atual diretor de Abastacimento, José Carlos Cosenza. Denúncia fragiliza a permanência de Foster no comando da estatal


Reprodução
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Justiça Federal do Paraná acolhe denúncias e Alberto Youseff e mais oito pessoas tornam-se réus na Operação Lava Jato
 
15.dez
Procuradoria oferece denúncia contra mais quatro envolvidos na Operação Lava Jato: o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró; o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano; o doleiro Alberto Youssef; e o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal. Os procuradores pedem que os acusados sejam condenados ao pagamento de cerca de R$ 300 milhões a título de devolução do valor das propinas e de indenização pelos prejuízos causados à Petrobras
Justiça Federal do Paraná acolhe denúncias e mais 10 executivos de duas empreiteiras tornam-se réus –são 19 no total até este momento
 
16.dez
Em sua terceira nota de esclarecimento, Petrobras diz que Graça Foster só foi alertada pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca em 2014, após ser demitida
Justiça Federal do Paraná aceita denúncias contra mais 17 acusados na Operação Lava Jato, dentre os quais Ricardo Ribeiro Pessoa, sócio-proprietário da UTC Engenharia, e dirigentes da Camargo Corrêa e da Mendes Júnior, algumas das principais empreiteiras do país. São 36 réus no total até este momento
 
17.dez
Justiça Federal do Paraná aceita mais três denúncias, contra Nestor Cerveró, Julio Camargo e Fernando Baiano. São 39 réus no total até este momento
 
18.dez
CPI da Petrobras aprova relatório oficial pedindo o indiciamento de 52 pessoas, mas nenhum político 
 
19.dez
O jornal "Estado de S. Paulo" revela lista de 28 políticos citados na delação premiada de Paulo Roberto Costa. Entre os citados, há nomes novos como o do ex-ministro de Dilma e Lula Antonio Palocci. Segundo o jornal, Costa afirmou ter recebido pedido de R$ 2 milhões de Palocci para a campanha presidencial de Dilma 

A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca depõe ao Ministério Público Federal. Segundo seu advogado, Venina apresentou documentos e alegações que confirmam que a presidente da empresa, Graça Foster, sabia das irregularidades na estatal desde 2007.
 
21.dez
Venina Velosa da Fonseca dá entrevista ao "Fantástico", da rede Globo, em que diz que alertou pessoalmente a presidente da empresa, Graça Foster, sobre irregularidades de que teve conhecimento. 


Reprodução/TV Globo
Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa diz em entrevista na TV
Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa diz em entrevista na TV
 
22.dez
Folha revela que um e-mail de dezembro de 2008, que circulou na Petrobras, já alertava diretores e gerentes que um cartel funcionava dentro da estatal, com divisão de obras por meio de influência política e de lobistas.

Editoria de Arte/Folhapress
E-mail anônimo já falava em cartel em 2008
E-mail anônimo já falava em cartel em 2008
A presidente da Petrobras, Graça Foster, admite que encontrou Venina, mas diz que não foi omissa. "Venina nunca fez nenhuma denúncia usando as palavras conluio, cartel, corrupção, fraude e lavagem de dinheiro. A Venina nunca fez nenhuma denúncia na diretoria sobre essas questões. Ela nunca falou nesses termos. Eram e-mails truncados, cifrados e muito misturados", disse Graça, em entrevista à 'Folha' e ao jornal "O Globo".
 
23.dez
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rejeitou a consulta proposta pela presidente Dilma Rousseff, que queria ter acesso a nomes de investigados na Operação Lava Jato. Assim, ela teve que decidir a formação de sua nova equipe ministerial ser saber que nomes estavam citados no processo.
 
25.dez
A cidade americana de Providence, capital do Estado de Rhode Island, dá entrada em ação coletiva em favor de investidores que compraram papéis da Petrobras. O processo inclui como réus a presidente da estatal, Graça Foster, outros executivos da empresa, subsidiárias na Holanda e em Luxemburgo e 15 bancos que negociaram papéis da estatal, incluindo o Itaú e o Bradesco.
 
30.dez
Petrobras suspende negócios com 23 fornecedoras citadas na Lava Jato. Segundo a estatal, elas "serão temporariamente impedidas de serem contratadas e de participarem de licitações da estatal". As fornecedoras são Alusa, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia, Construcap, Egesa, Engevix, Fidens, Galvão Engenharia, GDK, Iesa, Jaraguá Equipamentos, Mendes Junior, MPE, OAS, Odebrecht, Promon, Queiroz Galvão, Setal, Skanska, Techint, Tomé Engenharia e UTC

2015

1.jan
Em seu discurso de posse para o segundo mandato presidencial, Dilma Rousseff (PT) dedica parte de sua fala à Petrobras, dizendo que é necessário proteger a estatal de "predadores internos" e "inimigos externos". A presidente da empresa, Graça Foster, esteve presente na cerimônia.
5.jan
 
Folha revela que uma auditoria interna da Petrobras sobre o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) apontou que a estatal comprou equipamentos antes de definir o modelo de negócio e a estrutura de produção da refinaria, o que gerou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão. Os ex-diretores Renato Duque e Paulo Roberto Costa afirmam que as contratações foram aprovadas em escalões superiores da estatal
 
7.jan
O deputado federal Eduardo Cunha vira alvo da Procuradoria na Lava Jato e terá uma investigação a seu respeito pedida pelo Ministério Público Federal ao STF. Ele é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que atuaria como um dos funcionários do doleiro Alberto Youssef. Cunha diz ver motivação política no vazamento da informação –ele é candidato na disputa pela presidência da Câmara 
 

Editoria de Arte/Folhapress


8.jan
No mesmo depoimento que envolveu Eduardo Cunha, o policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", também citou o senador mineiro Antônio Anastasia (PSDB). O policial disse que entregou R$ 1 milhão ao então candidato a governador a mando do doleiro Alberto Youssef em 2010. Anastasia disse estar indignado e que quer acareação com a Polícia Federal. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), também se pronuncia em defesa do aliado.
 
9.jan
Petrobras informa a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que a comissão responsável por apurar as irregularidades na construção da refinaria Comperj apontou responsabilidades dos ex-diretores da empresa Paulo Roberto Costa e Renato Duque no caso, conforme informava reportagem da Folha.
 
13.jan
Petrobras escolhe novo diretor para a área de Governança, Risco e Conformidade, cuja criação foi anunciada por Graça Foster em novembro. O engenheiro João Adalberto Elek Junior, 56, foi eleito em reunião do Conselho de Administração da companhia e terá mandato de três anos, que poderá ser renovado.
 
14.jan
Ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró é preso pela PF no Rio ao desembarcar de Londres, no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal informou que pediu a prisão preventiva "porque há fortes indícios de que Cerveró continua a praticar crimes, como a ocultação do produto e proveito do crime no exterior, e pela transferência de bens (valores e imóveis) para familiares. Além disso, há evidências de que ele buscará frustrar o cumprimento de penalidades futuras". 


Daniel Derevecki - 14.jan.14/Reuters
Nestor Cerveró é escoltado por policial armado na sede do IML em Curitiba
Nestor Cerveró é escoltado por policial armado na sede do IML em Curitiba
 
15.jan
Reportagem da Folha revela que a empreiteira UTC afirmou em um processo que "se cartel houve [...] seu principal agente seria a Petrobras, sendo o suposto 'clube' no máximo um instrumento das ações dela mesma"
 
20.jan
O deputado federal Eduardo Cunha, candidato à presidência da Câmara, diz ter ouvido de agente que a PF forjou áudio para incriminá-lo
 
21.jan São divulgados os termos da delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Ele se comprometeu a devolver pelo menos R$ 1,8 milhão em espécie, hotéis e imóveis registrados em seu nome, além de todo o dinheiro encontrado em contas pessoais e de suas empresas em troca do abrandamento de suas penas –que chegarão, ao máximo, a cinco anos
 
22.jan
O juiz Sergio Moro decreta prisão preventiva do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que já estava encarcerado desde o dia 14. No despacho, ele abre partes da delação de Paulo Roberto Costa, que revela que recebeu US$ 1,5 milhão para não atrapalhar a compra da refinaria de Pasadena –transação cujo prejuízo é estimado em US$ 792 milhões

3.jul
Justiça encaminha ao STF provas encontradas na Operação Lava Jato que apontam relação entre Youssef e o senador Fernando Collor (PTB-AL), que teria recebido dinheiro do doleiro 


Reprodução
O doleiro Alberto Youssef na carceragem da PF em Curitiba
O doleiro Alberto Youssef na carceragem da PF em Curitiba
 
15.jul
Youssef vira réu numa nova ação penal, sob acusação de ter ajudado o deputado José Janene (PP-PR), réu do mensalão morto em 2010, a dar uma aparência legal a parte dos recursos que o parlamentar recebeu do esquema
 
25.jul
Youssef sofre um infarto na prisão e é levado ao hospital, onde é internado na UTI
9.ago
Em depoimento à PF, a contadora de Youssef, Meire Poza, afirmou que as empresas que pagavam por serviços de consultoria de firmas do doleiro sabiam que estavam contratando uma fraude. Meire também afirmou à PF que o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) é sócio informal de Youssef
 
22.ago
Após a PF fazer operações de busca em empresas de sua filha, Paulo Roberto Costa aceita fechar acordo de delação premiada com procuradores que atuam na Operação Lava Jato para deixar a prisão
6.set
Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa afirma que 12 senadores, 49 deputados federais e pelo menos um governador receberam dinheiro desviado da estatal, segundo apuração da Folha. O ex-diretor da Petrobras apontou políticos de três partidos: PT, PMDB e PP. Um dos citados no depoimento é o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto
Segundo a revista, Paulo Roberto Costa cita pelo menos 25 deputados federais, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam tirado proveito de parte do dinheiro desviado dos cofres da Petrobras


Editoria de Arte/Folhapress


13.set
Segundo a revista "Istoé", Costa citou, em seu depoimento, o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Francisco Dornelles (PP-RJ) e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ)
 
20.set
Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa afirma que o esquema de desvios de recursos na estatal não era exclusividade de sua área, mas ocorria também em outras diretorias da empresa
 
23.set
Alberto Youssef decide fazer acordo de delação para tentar abrandar sua situação na Justiça. Dois dias depois presta seu primeiro depoimento
 
1º.out
Como parte do acordo de delação premiada, Paulo Roberto Costa é solto e volta para sua casa no Rio, onde passa a cumprir prisão domiciliar 


Ricardo Borges/Folhapress
Paulo Roberto Costa desembarca no Rio escoltado pela PF
Paulo Roberto Costa desembarca no Rio escoltado pela PF
 
2.out
Reportagem da Folha mostra que um consórcio liderado pela empreiteira Camargo Corrêa repassou R$ 37,7 milhões a empresas de fachada de Alberto Youssef
 
16.out Folha revela que Paulo Roberto Costa disse, em seu depoimento, que repassou propina ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra para que ajudasse a esvaziar uma Comissão Parlamentar de Inquérito criada para investigar a Petrobras em 2009
 
24.out
Segundo a revista "Veja", Youssef afirmou em depoimento que Dilma e Lula tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras. A reportagem é divulgada dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial
 
28.out
Executivo Julio Camargo, da empresa Toyo-Setal, fecha acordo de delação premiada com procuradores da Lava Jato
 
29.out
Conselho de Ética aprova cassação de Luiz Argôlo (SDD-BA)
 
4.nov
Segundo executivo assina acordo de delação premiada. É Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, também da Toyo-Setal
 
14.nov
Em mais uma etapa da Lava Jato, Justiça expede 27 mandados de prisão. A ação da PF atinge dez empresas, entre elas gigantes como a Camargo Côrrea e a OAS
Em depoimento, o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto (Toyo-Setal) afirma que havia um "clube da propina" de empreiteiras com a Petrobras, liderado pelo empresário Ricardo Ribeiro Pessoa, sócio da UTC Engenharia.

Ministério Público Federal fecha com o grupo Setal o primeiro acordo de delação premiada com empresas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras
 
17.nov
A presidente da Petrobras, Graça Foster, anuncia que a estatal estuda criar uma nova diretoria que "garanta o cumprimento da lei"
Em depoimento à PF, o diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca, afirma que aceitou pagar propina ao esquema de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef após ser extorquido pelos dois. Ele disse que o destino do dinheiro foi o PP, o Partido Progressista
José Carlos Cosenza, diretor de Abastecimento que substituiu Paulo Roberto Costa na Petrobras, aparece em depoimento à PF. A suspeita é que ele teria recebido comissões de empresas ligadas à estatal. 


Ricardo Borges - 17.nov.14/Folhapress
Os diretores da Petrobras e a presidente da estatal, Graça Foster, concedem entrevista coletiva no Rio de Janeiro
Os diretores da Petrobras e a presidente da estatal, Graça Foster, concedem entrevista coletiva no Rio de Janeiro
 
18.nov
Cade negocia acordo de leniência com empresa Toyo-Setal. O ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Jorge Hage, afirma que empresas também o procuraram para propostas semelhantes.
Justiça estende a prisão de cinco executivos e do ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Outros 11 presos foram liberados. O lobista Fernando Baiano, suspeito de negociar propina para o PMDB, é preso.

 
19.nov
PF diz que errou ao citar nome de José Carlos Cosenza, diretor de Abastecimento da Petrobras, em depoimentos
25.nov
Alberto Youssef presta seu último depoimento da delação premiada à PF
2.dez
Paulo Roberto Costa depõe à CPI mista da Petrobras em encontro de acareação com o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. O delator disse que chegou a ficar "enojado" com o que ocorria na estatal e que a corrupção está espalhada pelo país. "O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro: nas rodovias, ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar."
Após a sessão, Costa confidenciou a dois deputados o número de políticos que citou em depoimento. Um dos que ouviu o dado foi Julio Delgado (PSB-MG). "Eu perguntei: como é isso, quantos são?'. Ele me disse que são de 35 a 40 do PP, PMDB e PT."

 
3.dez
Folha noticia que o executivo da Toyo Setal Augusto Ribeiro de Mendonça Neto afirmou em delação premiada que parte da propina paga para o ex-diretor da Petrobras Renato Duque eram "doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores". O ex-presidente Lula diz que afirmação do empresário é "fantasiosa"
Já Julio Camargo, também da Toyo Setal, afirma em depoimento que diz ter pago R$ 137 milhões em propina, mas nega que tenha feito doações eleitorais como pagamento de propina
Renato Duque é solto pela PF após decisão do STF
 
8.dez
A revista "Época" revela que José Dirceu recebeu R$ 886 mil da empreiteira Camargo Corrêa, investigada na Operação Lava Jato, por serviços como "análise de aspectos sociológicos e políticos do Brasil", "assessoria na integração dos países da América do Sul" e "palestras e conferências internacionais"
Escritório americano entra com ação coletiva contra Petrobras por violação da lei que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos ao emitir declarações falsas e enganosas e não revelar "a cultura de corrupção dentro da companhia, com um esquema multibilionário de lavagem de dinheiro e subornos desde 2006"
 
9.dez
PF indicia lobista e 12 executivos de empreiteiras na Operação Lava Jato
 
10.dez
Câmara dos Deputados cassa o mandato de André Vargas (ex-PT-PR)
11.dez
Procuradoria denuncia 36 pessoas por lavagem de dinheiro, corrupção e formação de organização criminosa em esquema na Petrobras. Segundo a acusação, o cartel de empreiteiras atuou até 14 de novembro deste ano, quando foram presos executivos na Operação Lava Jato. O Ministério Público pede a devolução de R$ 1,5 bilhão aos acusados
 
12.dez
Jornal "Valor Econômico" revela que uma ex-gerente da diretoria de Abastecimento da Petrobras, Venina Velosa da Fonseca, já havia alertado diretoria da estatal sobre desvios. Fonseca teria enviado e-mails entre 2009 e 2014 para a presidente da empresa, Graça Foster e o atual diretor de Abastacimento, José Carlos Cosenza. Denúncia fragiliza a permanência de Foster no comando da estatal

Reprodução
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da diretoria de Abastecimento
Justiça Federal do Paraná acolhe denúncias e Alberto Youseff e mais oito pessoas tornam-se réus na Operação Lava Jato

15.dez
Procuradoria oferece denúncia contra mais quatro envolvidos na Operação Lava Jato: o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró; o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano; o doleiro Alberto Youssef; e o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal. Os procuradores pedem que os acusados sejam condenados ao pagamento de cerca de R$ 300 milhões a título de devolução do valor das propinas e de indenização pelos prejuízos causados à Petrobras
Justiça Federal do Paraná acolhe denúncias e mais 10 executivos de duas empreiteiras tornam-se réus –são 19 no total até este momento
 
16.dez
Em sua terceira nota de esclarecimento, Petrobras diz que Graça Foster só foi alertada pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca em 2014, após ser demitida
Justiça Federal do Paraná aceita denúncias contra mais 17 acusados na Operação Lava Jato, dentre os quais Ricardo Ribeiro Pessoa, sócio-proprietário da UTC Engenharia, e dirigentes da Camargo Corrêa e da Mendes Júnior, algumas das principais empreiteiras do país. São 36 réus no total até este momento
 
17.dez
Justiça Federal do Paraná aceita mais três denúncias, contra Nestor Cerveró, Julio Camargo e Fernando Baiano. São 39 réus no total até este momento
 
18.dez
CPI da Petrobras aprova relatório oficial pedindo o indiciamento de 52 pessoas, mas nenhum político
 
19.dez
O jornal "Estado de S. Paulo" revela lista de 28 políticos citados na delação premiada de Paulo Roberto Costa. Entre os citados, há nomes novos como o do ex-ministro de Dilma e Lula Antonio Palocci. Segundo o jornal, Costa afirmou ter recebido pedido de R$ 2 milhões de Palocci para a campanha presidencial de Dilma
A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca depõe ao Ministério Público Federal. Segundo seu advogado, Venina apresentou documentos e alegações que confirmam que a presidente da empresa, Graça Foster, sabia das irregularidades na estatal desde 2007.
 
21.dez
Venina Velosa da Fonseca dá entrevista ao "Fantástico", da rede Globo, em que diz que alertou pessoalmente a presidente da empresa, Graça Foster, sobre irregularidades de que teve conhecimento. 


Reprodução/TV Globo
Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa diz em entrevista na TV
Ex-gerente da Petrobras Venina Velosa diz em entrevista na TV
22.dez
Folha revela que um e-mail de dezembro de 2008, que circulou na Petrobras, já alertava diretores e gerentes que um cartel funcionava dentro da estatal, com divisão de obras por meio de influência política e de lobistas.

Editoria de Arte/Folhapress
E-mail anônimo já falava em cartel em 2008
E-mail anônimo já falava em cartel em 2008
A presidente da Petrobras, Graça Foster, admite que encontrou Venina, mas diz que não foi omissa. "Venina nunca fez nenhuma denúncia usando as palavras conluio, cartel, corrupção, fraude e lavagem de dinheiro. A Venina nunca fez nenhuma denúncia na diretoria sobre essas questões. Ela nunca falou nesses termos. Eram e-mails truncados, cifrados e muito misturados", disse Graça, em entrevista à 'Folha' e ao jornal "O Globo".
 
23.dez
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rejeitou a consulta proposta pela presidente Dilma Rousseff, que queria ter acesso a nomes de investigados na Operação Lava Jato. Assim, ela teve que decidir a formação de sua nova equipe ministerial ser saber que nomes estavam citados no processo.
 
25.dez
A cidade americana de Providence, capital do Estado de Rhode Island, dá entrada em ação coletiva em favor de investidores que compraram papéis da Petrobras. O processo inclui como réus a presidente da estatal, Graça Foster, outros executivos da empresa, subsidiárias na Holanda e em Luxemburgo e 15 bancos que negociaram papéis da estatal, incluindo o Itaú e o Bradesco.
 
30.dez
Petrobras suspende negócios com 23 fornecedoras citadas na Lava Jato. Segundo a estatal, elas "serão temporariamente impedidas de serem contratadas e de participarem de licitações da estatal". As fornecedoras são Alusa, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Carioca Engenharia, Construcap, Egesa, Engevix, Fidens, Galvão Engenharia, GDK, Iesa, Jaraguá Equipamentos, Mendes Junior, MPE, OAS, Odebrecht, Promon, Queiroz Galvão, Setal, Skanska, Techint, Tomé Engenharia e UTC

 

2015

1.jan
Em seu discurso de posse para o segundo mandato presidencial, Dilma Rousseff (PT) dedica parte de sua fala à Petrobras, dizendo que é necessário proteger a estatal de "predadores internos" e "inimigos externos". A presidente da empresa, Graça Foster, esteve presente na cerimônia.
 
5.jan Folha revela que uma auditoria interna da Petrobras sobre o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) apontou que a estatal comprou equipamentos antes de definir o modelo de negócio e a estrutura de produção da refinaria, o que gerou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão. Os ex-diretores Renato Duque e Paulo Roberto Costa afirmam que as contratações foram aprovadas em escalões superiores da estatal
 
7.jan
O deputado federal Eduardo Cunha vira alvo da Procuradoria na Lava Jato e terá uma investigação a seu respeito pedida pelo Ministério Público Federal ao STF. Ele é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema por meio do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", que atuaria como um dos funcionários do doleiro Alberto Youssef. Cunha diz ver motivação política no vazamento da informação –ele é candidato na disputa pela presidência da Câmara
 

Editoria de Arte/Folhapress


8.jan
No mesmo depoimento que envolveu Eduardo Cunha, o policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o "Careca", também citou o senador mineiro Antônio Anastasia (PSDB). O policial disse que entregou R$ 1 milhão ao então candidato a governador a mando do doleiro Alberto Youssef em 2010. Anastasia disse estar indignado e que quer acareação com a Polícia Federal. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), também se pronuncia em defesa do aliado.
 
9.jan
Petrobras informa a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que a comissão responsável por apurar as irregularidades na construção da refinaria Comperj apontou responsabilidades dos ex-diretores da empresa Paulo Roberto Costa e Renato Duque no caso, conforme informava reportagem da Folha.
 
13.jan
Petrobras escolhe novo diretor para a área de Governança, Risco e Conformidade, cuja criação foi anunciada por Graça Foster em novembro. O engenheiro João Adalberto Elek Junior, 56, foi eleito em reunião do Conselho de Administração da companhia e terá mandato de três anos, que poderá ser renovado.
14.jan
 
Ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró é preso pela PF no Rio ao desembarcar de Londres, no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal informou que pediu a prisão preventiva "porque há fortes indícios de que Cerveró continua a praticar crimes, como a ocultação do produto e proveito do crime no exterior, e pela transferência de bens (valores e imóveis) para familiares. Além disso, há evidências de que ele buscará frustrar o cumprimento de penalidades futuras". 


Daniel Derevecki - 14.jan.14/Reuters
Nestor Cerveró é escoltado por policial armado na sede do IML em Curitiba
Nestor Cerveró é escoltado por policial armado na sede do IML em Curitiba
 
15.jan
Reportagem da Folha revela que a empreiteira UTC afirmou em um processo que "se cartel houve [...] seu principal agente seria a Petrobras, sendo o suposto 'clube' no máximo um instrumento das ações dela mesma"
 
20.jan
O deputado federal Eduardo Cunha, candidato à presidência da Câmara, diz ter ouvido de agente que a PF forjou áudio para incriminá-lo
 
21.jan São divulgados os termos da delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Ele se comprometeu a devolver pelo menos R$ 1,8 milhão em espécie, hotéis e imóveis registrados em seu nome, além de todo o dinheiro encontrado em contas pessoais e de suas empresas em troca do abrandamento de suas penas –que chegarão, ao máximo, a cinco anos
 
22.jan
O juiz Sergio Moro decreta prisão preventiva do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que já estava encarcerado desde o dia 14. No despacho, ele abre partes da delação de Paulo Roberto Costa, que revela que recebeu US$ 1,5 milhão para não atrapalhar a compra da refinaria de Pasadena –transação cujo prejuízo é estimado em US$ 792 milhões



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