08 fevereiro, 2015

Análise: Opinião pública reflete choque de realidade do pós-eleição

O Datafolha traz hoje a maior taxa de pessimismo quanto à inflação que registrou em mais de 20 anos. Nota-se também recorde negativo na percepção sobre o poder de compra dos salários. 

O cenário se completa pelo índice expressivo dos que esperam alta no desemprego nos próximos meses. O percentual supera, pela primeira vez na era petista, os 60%. 

Dilma Rousseff inicia o segundo mandato com a maior parte da população reprovando seu governo, algo que não acontecia a um presidente desde março de 2000, quando 43% consideravam ruim ou péssima a gestão FHC. 

                                                                               Editoria de Arte/Folhapress
O atual momento, aliás, guarda semelhanças com o início do segundo mandato do tucano. Pesquisa do Datafolha em fevereiro de 1999 mostrava abalo na popularidade de FHC logo após a reeleição, além de um pessimismo crescente na economia. 

Em relação ao desemprego, a taxa dos que esperavam o pior alcançou, na ocasião, 72%. O resultado refletia a política cambial adotada após a vitória nas urnas, iniciativa descartada na campanha.
Agora, a maioria identifica mentiras no discurso de Dilma na corrida eleitoral. 

A composição polêmica do ministério, alta de preços, apagões e estiagem em áreas populosas são fatores que frustram parcela significativa do eleitorado, inclusive os mais fiéis –no Nordeste, a aprovação da petista caiu de 53% para 29% e a de reprovação subiu de 16% para 36%. 

É compreensível, assim, o fato de 54% julgarem Dilma "falsa" –ante 13% em 2012. Mas o desgaste dos atributos de imagem da petista e do PT guardam correlação também com a repercussão da Operação Lava Jato e de suas consequências para a Petrobras. 

O episódio elevou a corrupção ao patamar de um dos principais problemas do país para os brasileiros, com percentual de menção espontânea próximo ao da saúde e superior ao da segurança. 

Nessa espécie de ressaca democrática que o Brasil vive às vésperas do Carnaval, resta saber o quanto a população absorverá das propostas para remediar a economia e a credibilidade do país. 

A eficiência demonstrada pela equipe de comunicação na campanha de Dilma está posta à prova, agora para reverter o próprio feitiço.
 

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